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meta

a noite

as noites de Verão em Monção, que cheiram a água e a terra e a folhas, que cheiram a verde e a Espanha e flamenco e Galiza e Lorca, que lembram os tempos outros e a merda do cheiro o outro cheiro o cheiro e a merda da esperança.

os ficheiros secretos

Estava a pensar em algo como "será que ele pensou que vinte anos depois um tipo em Portugal estaria a copiar a letra à mão para a canção ser mais dele", mas depois decidi que chega mesmo "letra do caralho, pá!".

coisas que surpreendem

"Pois, e para além dos teus dois trabalhos, tens o teu blog, não é?"

MEANINGS OF LIFE

Não se viam há anos e o medo era o de não terem nada para dizer. Reconhecer "estamos fora da vida um do outro" era reconhecer uma perda de tempo. Mas podiam sempre falar de mulheres.

"morangos com açúcar" pensar 3

Os "Morangos com Açúcar" dão conselhos e frases feitas (porquê não copiar num exame quando o mercado de emprego não valoriza tais virtudes, o que são os diabetes, o que fazer em caso de emergência, pedir factura daquilo que se compra, perdoar aos irrazoáveis pois deles será o reino das desculpas, etc, etc). Preparação para a cidadania pelos fracos de espírito, digo eu. Quem não quer saber das razões, ensina as regras.

meanings of life

Água que sabe a entranhas de ferro. Comida que sabe a passado e futuro nulo. Subestima. As horas. Um calendário a arder.

"morangos com açúcar" pensar 2

Os "Morangos com Açúcar" têm produtos de marca, como o mundo, e são coloridos, como nada mais. O modo como as personagens se relacionam com os objectos é fascinante: tudo está à venda, trabalha-se na praia para se poder pagar as férias ou os passatempos ou os sonhos, o bom aspecto impera e é o que importa. O que há de realmente sinistro nos "Morangos com Açúcar" vem daqui. Por um lado, é conformista ou, pelo menos, limitado no que mostra (um tipo quer ser engenheiro e põe o pai a cantar que vai é para a Academia Militar, outro bate na professora porque vai ser médico obrigado, duas concessões de praia guerreiam para serem a melhor enquanto os gerentes se apaixonam um pelo outro) - não é preciso lutar, ou mesmo querer, basta quase pensar no desejo para que ele, quase por milagre, se concretize. Por outro lado, "Morangos com Açúcar" educa para o conformismo, porque os mais novos só querem é seguir as pisadas dos mais velhos (maquilhagem, concertos, namoros, homens, mulheres). "Morangos com Açúcar", ao mostrar-nos o que é (ou o que pensa que é), ensina para o que não deve ser. Os seus seres não têm desejos, não têm caralhos e conas, fomes e sedes, vontades e representações. Tirando mamas e músculos, não há nada de humano que possam ter, porque não existem, são bandeiras, ensanduichados entre a alegria de mostrar a caricatura do que há e o incitamento a que o mundo seja também ele caricatura de si mesmo.

"morangos com açúcar" pensar

As personagens de "Morangos com Açúcar" não existem de duas maneiras: não existem enquanto pessoas e não existem enquanto personagens.
Não existem enquanto pessoas, porque aquelas pessoas não existem. O conflito entre adolescentes é caricaturizado, elementalizado, reduzido ao mínimo denominador comum e colocado num nível de bem-estar económico dado como generalizado. Pode-se dizer: é Cascais. Pois é. E a malta dos bairros marginais? As pessoas mais velhas? As pessoas mais feias? E aqueles jovens, não dizem palavrões? Estão confinados a um mar de mostrarem o corpo e tento na língua.
Não existem enquanto personagens, porque não há coerência. Tanto estão alegres, como tristes, tanto zangados, como reconciliados. As personagens não evoluem, são fachadas, desculpas para beliscar o público com sentimentos básicos que lhes são atirados, choques eléctricos para os sentidos se manterem alertas.
Assim, as personagens de "Morangos com Açúcar" são personagens falsas. Por um lado, querem ser personagens; por outro, bastam-se na sua inverosimilhança. São como bandeiras: vêm-se, estão lá, mas não impedem o vento de passar. O que é fascinante é o modo como o castelo de cartas não desaba, como se vai aguentando; ou então o saber que não há nada que o deite abaixo porque, em boa verdade, aguentá-lo de pé pouco importa.

Elogio do casmurro

Relativamente aos blogs que se tornam livro, ainda não comprei nenhum. Não é que ache que não faz sentido comprar por 15 euros algo que está disponível na net - é melhor dizê-lo, senão, não havia editor no mundo que quisesse uma Internet a existir. Simplesmente, ainda não folheei nenhum bligo (bela palavra, hã) que me interessasse enquanto leitor de livros (admito desde já: ainda não li o bligo da Rititi e só conheço o blog muito de raspão; perdóname, Barata Silvério!). No entanto, o ainda recente Casmurro produz em mim um efeito original: é o primeiro blog que pressinto naturalmente vocacionado para bligo. Desde o início, criou uma estrutura dialéctica característica (os diálogos com Groucho, a poesia, o discurso sobre si próprio) e revela-se como algo de muito interessante: um blog de ideias que são mais do que as ideias de qualquer outro blog, porque não depende delas: o Casmurro não vai dizendo as ideias que vai tendo, as ideias que vai tendo é que fizeram o Casmurro, e continuarão a fazê-lo até que o bligo chegue, pondo o certo no certo.

Gato Fedorento, enésimo mais um

Nesta notícia sobre a ruptura dos Gato Fedorento com a SIC, Ricardo Araújo Pereira refere que o DVD da série Fonseca num DVD “«vendeu 60 mil exemplares» e (…) foi abundantemente pirateado”. Palavras reveladoras: lembram que os Gato Fedorento são um caso (inédito e extraordinário) de autores que, pelo menos na fase inicial da sua carreira (eu diria, até ao lançamento do DVD), beneficiaram enormemente da partilha (por Internet ou em CD) de captações ilícitas do seu trabalho, já que elas permitiram ultrapassar o facto de apenas uma percentagem minoritária da população ter acesso à TV Cabo e contribuir assim para a popularização do quarteto. Pessoas que, em princípio, nunca teriam contacto com o programa, foram tendo acesso a partes dele, em jeito de “teasers”, numa espécie de passa-palavra que apenas foi possível graças aos computadores e ao estabelecimento por estes de uma nova relação entre nós e o audiovisual. Compare-se a dificuldade de conseguir certos filmes há uns anos atrás com a de os ver hoje em dia – ou melhor, não se compare, não há comparação possível. O espectador atento vê cada vez mais e exige cada vez mais, e, se vê mais, exige também mais de melhor. Os Gato Fedorento, talvez inconscientemente, mostraram a validade do meio e a maneira certa de lidar com ele. A ver se o exemplo fica.

sombras

vassourar

Do Metafilter: o boato - a Al-Qaeda poderá ter introduzido armas nucleares nos Eua através da fronteira mexicana (mas há quem diga que "the smuggling was done by Elvis and Bigfoot in a UFO"...); há quem descubra figuras misteriosas no Perú do Google Maps; um belíssimo jogo on-line; o futuro das drogas por um grupo de pesquisadores britânicos; a triste história de uma vampira ucraniana; um super-herói que ainda vai acabar por cair nas duras...
Via BoingBoing, uma lista, curta e grossa, do que está a desgraçar Hollywood.
E, para acabar, coisas de música: um directório de música de utilização livre; os arquivos de Jazz Avenue, da TSF (seleccionar "Arquivo Programas" e "Jazz Avenue").

o cantinho do punk (*)

Remédio contra "opinion-makers": um pontapé na boca. Depois, só dirão o que valer mesmo a pena.

cinquenta e três parêntesis

Este texto é a minha contribuição para A Cabra de hoje, número especial de férias.

1.
já estava farto de vê-la passar a passar a sempre mesma hora saia muito mini nos meses de verão as camisas com cores de nomes novos fúchsia e coisas choque o andar ternário um dois três a prometer-me coisas desconhecidas coisas novas de outro sexo e farto de vê-la passar como a dar-me bofetadas cheias de mulher na cara abri a porta de casa e o andar ternário dela um dois três e chamei olha tu porque passas todos os dias como se não houvesse mais lugares bons para passares e apesar do tudo na minha puberdade te agradecer os altos e baixos de nervosismo começam-me a doer cheios de mulher na cara e ela parou uma parou duas e às três re andou e eu entrei na casa e nos dias seguintes àquela hora havia silêncio e eu com remorsos das minhas palavras passei a encher a mesma hora com músicas antigas e para nunca mais ternárias.

2.
ele compreende não o que faço à noite quando vou sozinha à casa de banho ele incapaz e parece que feito de tudo menos do que preciso quereres que não se tocam compram ou medem ele é uma pergunta não ele é uma declaração solta no mundo as costas dele suadas à noite quando vou sozinha à casa de banho dizem o que ele é ele é uma frase sozinha a dizer-se sozinha ele é um rochedo solto do mundo a rebolar e ele não saberá o que são os pêlos que me nascem nas pernas a cor real do meu cabelo o mau cheiro e o quente longo do meu sangue ele não saberá porque eu vou nua à casa de banho a meio da noite enquanto ele dorme e o suor dele ressona e o resto dele é dele demais para fazer perguntas.

3.
calma cada um estamos os dois no seu lado da rua e até nos cruzarmos o sol ainda vai alto e demora a descer ela calma julgo que vem como e eu vejo como pele e há uma e outra velha lenta que passam também mas a linha entre nós está traçada e eu cabelo cabelo ela olhos tapados nós os dois e arriscarei talvez um aceno arriscarei um sentir-me importante e sorrir ela demorará a quebrar eu sem desistir e o sol desce e nós mais perto eu sozinho ela não sei vamo-nos encurtando um do outro vamo-nos pressentindo mas pode ser ocorre-me que ela puta presumida que me aprecie na medida do desprezo e pode ser ocorre-me que eu menos do que quero e me vai apetecer nela e a distância entre nós cada vez menos e há o momento em que é menor mas eu afasto o rosto ela afasta o rosto e o modo da distância desdobra-se e eu ela fomos adeus um para o outro.

4.
e eu dele já estou farta mas agora estranho agora o momento parece que não sou eu nem ele tudo foi mudou e agora importa pouco não saber o que será melhor ou pior ou a falta de nos tocarmos e as bocas que não se encostam o que importa é só ele não sabe responder ao que eu não lhe sei perguntar e esse é o ponto final eu e ele sentados eu não falo ele não já nos sabemos e não pouco há a dizer portanto e eu dele já estou farta ele também de mim dele o silêncio é nosso filho e pode ser que as coisas mudem mas eu não acredito porque um num outro amamos o que é vil e baixo e mau e nunca mais eu sei que nunca mais por isso é o nunca mais entre nós o haver flores entre eu e ele e eu.

Plano Marshall para áfrica

O Público de ontem refere as três partes do "Plano Marshall" para África congeminado pelo Governo de Blair: perdoar a dívida; aumentar a ajuda ao desenvolvimento; abrir os mercados às exportações africanas ao mesmo tempo que os EUA, a UE e o Japão reduzem drasticamente os subsídios agrícolas.
Liguemos isto à insistência de Blair na última reunião do Conselho da UE para que se reduzissem os fundos da PAC (não ponho em causa agora a justeza ou a rectidão de tal medida) e ficamos com a utopia privada do primeiro-ministro inglês: um mundo em que a África agrícola produz e o Ocidente industrial transforma. Apetece perguntar quem vai consumir e a que preço. Uma globalização ainda mais desigual disfarçada de boa vontade? Pior: um neocolonialismo.

meanings of life

E ainda que nenhum mal alheio possa confortar o próprio de cada um, parte de ajuda para o sofrimento me é saber eu que antigo é fazerem-se as cousas sem razão, e contra razão.*

santidade

A propósito desta observação do Abrupto, cabe citar os parágrafos finais do "Che" de Pierre Kalfon:
Trinta anos foi o tempo que demorou a instalar-se na Bolívia, sobretudo na região de Santa Cruz e Vallegrande, uma espécie de culto, de um novo santo que não figura no calendário da Igreja - Santo Ernesto de La Higuera. O movimento surgiu logo após a morte do «guerrilheiro heróico». Reza a tradição que aqueles que morreram de morte trágica têm o poder de realizar os desejos e fazer milagres.
(...) Na montanha árida das cercanias do Chaco boliviano, as camponesas invocam Santo Ernesto para as ajudar a encontrar uma cabra perdida ou para fazerem uma viagem sem incidentes até à aldeia vizinha. Pouco importa o local exacto onde estão as ossadas. No hospital de Vallegrande, onde o morto esteve exposto ao olhar fascinado dos habitantes e dos fotógrafos, com o corpo crivado de tantas balas quantas as flechas no corpo de S. Sebastião, a lavandaria tornou-se uma espécie de gruta de Lurdes, onde, todos os anos, a 8 de Outubro, chegam, numa procissão pagã, jovens de todos os pontos do país, para uma romería de um género inédito. As inscrições revolucionárias nas paredes provêm de uma veneração análoga à dos ex-votos. «Che, morreste por nós», «Che, serás a nossa estrela», «Che, tu fazes parte daqueles que não morrem nunca»...

jovens criadores

Nesta página do Portal da Juventude, sou Jovem Criador. Mas, na página oficial dos resultados, ainda não sou Jovem Criador. Ninguém me telefonou ou enviou e-mail, logo, oficialmente, não sei de nada, ainda para mais quando os resultados deviam ter saído a 7 de Maio. Como já tive uma desilusão deste tipo este ano, estou cauteloso. Mas ficam já a saber que há uma forte hipótese de, pelo menos, eu ser alguma coisa.

P.S. Quando descobri a página com o resultado, ouvia o "Their Satanic Majesties Request" dos Stones e, depois de a ter lido, fiz uma pequena dança cerimonial ao som de "Sympathy for the Devil", que é do "Beggar's Banquet", mas deu na mesma. Só espero não ter feito asneira...

vassourar

Um site sobre livros infantis soviéticos dos anos 20-30; o blog de um homem que odeia cavalos; David Lynch a dizer-nos como está o tempo; noções wiki muito interessantes sobre o desenrascanço (obrigado, David) e os lusitanos.

puro consumo

coisas que arrepiam

"Monk's Music", 1957. A introdução, "Abide With Me", imprevisível, belíssima. Mas a seguir, em "Well You Needn't", Monk, excitado e acabado de sair do solo, chama (literalmente) por Coltrane ("Coltrane, Coltrane", diz ele, como se ainda estivesse a martelar o piano). E isso, meus amigos, é do carago.

EM DIRECTO DO INFERNO

Estar em exames é isto, é pensar em tudo ao mesmo tempo como um homem de sete cabeças, ligar a televisão ao calhas e achar as imagens muito interessantes, mas desligá-la por remorso, mesmo que o que esteja a dar seja uma entrevista ao tio de um amigo nosso, que por acaso é um dos maiores escritores portugueses vivos, e voltar à mesa com os cadernos e escrever isto no computador antes de perder a coragem. E ter ideias, muitas ideias, e ir pescando livros de vez em quando da estante, menina e moça e semiótica, e pensar este verão é que vai ser, este verão é que vai ser, e é perder coisas por esquecimentos e é sentir os desarranjos dos outros, e é pensar em onde vou trabalhar para o ano, e é o campo fodido do possível ao virar da esquina que é em setembro, e é os sins que disse e os nãos que me disseram, e o rasto de sangue que o boneco que inventei deixa pelo chão. Afinal, ainda me lembro de aprender a sentir-me como um acordeão usado.

BRO (FINAL)

a mesa de plástico e o círculo
bro da mesa do
medalhão ao pescoço e bro do teu
chapéu

bro por vezes faz falta ser silencioso nas casas
vestais te agradecem as lamas vindas de baixo
o andar de baixo
as noites tão quentes bro as noites tão quentes
o teu barrete
moído sob
o estaline das
noites tão

o carro parado luzes ligadas
lago de estige o velho que se mije
mas não bro tua mulher
lá dentro bro o tofu
não sabe a nada é misterioso

bro tu queres bro precisas
fufa e meia precisão de coiso vivo
tu queres o irmão meu no hospital o
bruto bro o novelo que tu bro arrebanhas

bro falo do povo que não existe
falo da erva que desiste
de crescer
como tu bro como tu
dizes que queres o rádio ligado
e falas da merda de não dormires
e os dragões de tu bro a fazerem te as noites origami

bro tu olhas
os homens e as
memórias
bro brancas e dizes no lado
do passeio onde moras com os teus
pecados
não quero ter memória
andar o presente bro
definido sobre ti como a
capa de água perpétua alimentada
do gotejar da calha dos teus egrégios
e tu bro arrancas do meio do teu corpo
a história da casa de madeira e autoclismas o tempo

(um dois três quatro vezes bro olhas as pessoas a caiarem de sozinhas a parede da casa vizinha casa perderem-se muralha invisível e anti-ineses-negras e da sobre rua bro pressente bro assina bro tremerem-lhe os dentes do cano de rua aberto esgoto logo à frente da tabacaria)

bro eu tenho
cheia cidade uma por dentro do meu corpo
a sério bro e o irmão meu no hospital quer saber se
bro conheces a intelectual
fuga mulher colecção de seios que
no natal se queimou por via duma
colecção de sóis transalpinos
e tu bro e o teu chapéu
rodopiam em conhecimento e falam
do partido comunista e dos
charros fumados numa toca de toupeira ou num
acampamento e os casais de homens vestidos de branco que
te perguntam acreditas como
fantasmas ou
anjos ou mulheres e
tu bro remorsos da porta
deixada aberta e os gritos e falar
política ao lado do passeio
não é para ti
só te faltam palavras para o querer
dizer a vontade e a ausência
na raiz interna da
respiração

bro sabes que em
abril os cravos nascem da
terra morta e tu
és o mais
cruel dos homens

e há nisto a história da
porta e dos
espelhos quando
bro mancavas a
té à máquina e na
mão o sete o bolso o
sexo e o sono o
risco do dia nascente

ultimamente tu dirias
fechar as janelas e
cortar as estrelas perigosas

ultimamente cala
rias os jardins e os
bigodes que te fazem sono

bro és
de tiragem limitada e radiodifusão
entras na voltagem
da loja e presumes
seduzir e presumes
suportar mas o tempo
é mais um século vinte

(como um candeeiro permanente a acender-se e a apagar-se permanente a aceitar-se e permanente)

se soubesses juntar as
letras bro pelo menos mata
vate a morte é assunto
sério desde sá
carneiro pelo
menos tu
nunca dela te
riste e
medo tu não
ditas o que existe para o
candeeiro que é
permanente e te ilumina os
olhos noites
nuas

bro a máquina e a
pós game over a
mulher e a
pós a
deus o a
ceito ou tal
vez não por
enquanto só as
palavras e as
mãos queimando as
listas antigas dos templos
que já não existem a
não ser em muro.

(bro encontra o acidente das águas passadas sobre a poeira da cama bro veste-se cuidado mas não aceita o calor cantar dos olhos de veludo e flauta bro gostava de imaginar as ancas de pedra os dedos os filhos de chapa cinco)

bro tu regressas à casa de grãos de cinza
de pedras que se soltam e pequenos infernos
bro tu limpas
a água da cruz
do teu peito e bro pedes
por uma vez pedes
cartas mas a palavra
é vazia e cai ao contrário
do que se diz
nos anúncios e tu andas
à volta das bandeiras até que algo
se mova.
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