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Dilemas

a crueldade: craig murray e south park

Como o Luís Grave Rodrigues, às vezes custa-me a crer naquilo de que o ser humano é capaz, se posto em circunstâncias propícias. Penso se não seremos meros corpos em hibernação, à espera de um momento para rebentar contra os outros como o pus de uma borbulha. O problema é que não é só o passado que nos vem esbofetear de verdade de vez em quando. O Boing Boing postou hoje duas histórias com muito em comum: opressão, silêncio, denúncia. Em qualquer uma delas, os blogs e a Internet são meios incontestáveis e fundamentais de fazer justiça.

Craig Murray era embaixador do Reino Unido no Uzbequistão. Após denúncias de tortura que implicavam o Reino Unido e os EUA, Murray foi demitido. Agora, escreveu um livro que denuncia o conhecimento pelo governo britânico da obtenção de provas com recurso à tortura, mas o Ministério dos Negócios Estrangeiros está a tentar impedir a publicação desse livro e, principalmente, dos documentos que provam esse conhecimento prévio. Por isso, Murray publicou os documentos no seu weblog e está a pedir aos bloggers que os divulguem:
The first document contains the text of several telegrams that Craig Murray sent back to London from 2002 to 2004, warning that the information being passed on by the Uzbek security services was torture-tainted, and challenging MI6 claims that the information was nonetheless "useful".

The second document is the text of a legal opinion from the Foreign Office's Michael Wood, arguing that the use by intelligence services of information extracted through torture does not constitute a violation of the UN Convention Against Torture.
Depois, há uma das histórias do costume: um episódio da série South Park foi cancelado pelo canal Comedy Central. Porquê? Bem, uma breve sinopse:
A local statue of the Virgin Mary bleeds from its ass. Townsfolk think it's a miracle. (...) Pope Benedict XVI visits to inspect the statue in person, determines that it is instead bleeding from its vagina, and declares: "A chick bleeding out her vagina is no miracle. Chicks bleed out their vaginas all the time."
Claro, a Liga Católica fez berreiro até impedir a transmissão. O que vale é que, neste admirável mundo novo, há sempre o BitTorrent.

ADENDA: à política e à religião, não é estranho que se junte o dinheiro como cavaleiro negro. Nestas matérias também não, no caso, o de Rupert Murdoch.

ADENDA: ao que parece, a Microsoft também quer dançar na festa.

operário da escrita

O Expresso publica isto, eu recebo uma carta a dizer que, a poesia, pague-a quem escreve.

teatro filmado

Bem vistas as coisas, The Rocky Horror Picture Show é Top Hat ou The Red Shoes passados pelos anos 70 (Bowie, Nixon, Guerra Fria, Cinefilia, Narcisismo, Excesso).

ADENDA: é bem possível que este senhor ganhe, com este filme, qualquer prémio de "a melhor primeira aparição de um actor no cinema".

Hoffman/Schiavelli

Ricardo Gross diz que Philip Seymour Hoffman é o blogger do ano. Não entendo e continuo a não entender, mas, tentando, descobri um texto sobre o actor que começa com "unattractive white males make the best character actors" e apercebi-me que ainda não tinha falado aqui da morte do carismático Vincent Schiavelli.

2005 em coisas

Sem lugares específicos e seleccionando da barra lateral sem distinguir entre mortos e vivos, os blogs que mais gostei de acompanhar/descobrir em 2005 foram: a estrada; a causa foi modificada; a fonte; a natureza do mal; a origem das espécies; as imagens e nós; bombyx mori; casmurro; da literatura; daltonic brothers; dias felizes; doc log; eCuaderno; educação sentimental; engrenagem; esplanar; estado civil; há vida em markl; ma-schamba; o céu sobre lisboa; o olho do girino; mas certamente que sim; ponto media; prazer inculto; rua da judiaria; sociedade anónima; sölvstag; suor e fantasia; sob a estrela do norte; os tempos que correm; wasted blues; welcome to elsinore.

Outras boas descobertas foram o podcast do Ricky Gervais e a série (de tv e de rádio) The Mighty Boosh. Quanto a livros - e é raro ler livros publicados no mesmo ano em que os leio -, os dois que me brilham mais na memória são Marcas de Baton - Uma História Secreta do Século XX, de Greil Marcus (que, ao contrário do que Pedro Mexia escreveu aqui, não é um ensaio sobre o punk), e O Maior Espectáculo do Mundo, de Hugo Gonçalves.

Por fim, a música que mais ouvi em 2005 foi principalmente a de três pessoas: John Coltrane, Stevie Wonder e Bob Dylan. Self-titled, dos Black Mountain, e The Reality of My Surroundings, dos Fishbone, foram bem encontrados. Devo dizer que fui um melómano muito mais aplicado graças ao leitor de mp3 que comprei.

umbiguismo*

And if my thought-dreams could be seen
They'd probably put my head in a guillotine
But it's alright, Ma, it's life, and life only
.

balanço

O mais encantador na série de posts que o Francisco José Viegas está a publicar é a circunstância de só ele conhecer a sua verdade.

vassourar

O mundo maravilhoso do Common Law britânico, ou como se pode regular a difamação feita através da Internet com jurisprudência com 156 anos.

A Guerra Fria acabou, mas continua a haver uma guerra com gelo.

Analisando Enya.

Previsões para o cinema em 2006 (e não perderei de vista este post do José Luis Orihuela).

jerónimo

Será que a explicação disto é o facto de Jerónimo de Sousa ser o primeiro líder operário de um PCP não clandestino?

A futilidade

An oak tree

Q. Do you mean that the glass of water is a symbol of an oak tree?
A. No. It's not a symbol. I've changed the physical substance of the glass of water into that of an oak tree.

Q. It looks like a glass of water.
A. Of course it does. I didn't change its appearance. But it's not a glass of water, it's an oak tree.
Fabulosa, esta obra de Michael Craig-Martin no a vida é larga. Se entendo bem, o post reproduz o texto escrito no papel que se vê na fotografia.

meetings at maggie's farm

Esta senhora lembra esta (mas este senhor não tem nada, nada a ver com este).

ir a votos

Aos leitores, aos colegas bloggers, aos amigos - votos de um feliz Natal.

esclarecer, ou análise da lógica de cavaco

Ao contrário do Pulo do Lobo ou do Super Mário, A Peste não é um blog com programa. Não depende do advento de umas eleições para existir, não acabará com a vitória ou derrota de um candidato no dia 22 de Janeiro e não serve para apoiar ninguém. A Peste é um blog segundo o que para mim deve ser um blog: um reflexo da personalidade do autor. E eu penso e afirmo aquilo que me parece razoável e, por isso, não me oponho a que qualquer pessoa pense e afirme o que lhe parece razoável. Eu gostava sinceramente de ler ou ver algo que me fizesse pelo menos acreditar que alguém poderá ter razões lógicas e honradas para votar Cavaco nestas eleições. Terei lido algo deste cariz sobre qualquer outro candidato? Com poucas excepções, acredito que não. Mas atentemos a um ponto: é Cavaco quem, no seu discurso, foge mais à lógica normal da campanha para um Presidente da República - uma cargo neutral a que cabe a garantia do regular funcionamento das instituições políticas, ou seja, o equilíbrio entre os poderes legislativo, executivo e judicial, sem perder de vista as Forças Armadas, as religiões e todos os outros grupos, maioritários ou minoritários, com relevo na vida democrática - e, em vez de esclarecer quanto à sua capacidade para desempenhar um cargo deste tipo, vem aludir a um objectivo com tom executivo: sair da crise. Não espanta por isso que seja ele o candidato mais questionado sobre as suas intenções - porque faz propostas atípicas de um candidato a Presidente da República.

À partida, nunca poderaria votar Cavaco, e já disse o que tinha a dizer sobre isso. Mas, se eu fosse um indeciso, o que faria? Vamos ver.

Cavaco diz que os seus Governos foram bem sucedidos economicamente e, por isso, ele é o homem a ser eleito, porque ajudará o país a sair da crise (e já ouvimos o candidato a falar de todos aqueles que, em crise, gostam de ser lembrados: os reformados, os estudantes, os desempregados, licenciados ou não, os pobres, etc.). Pergunta: enquanto Presidente da República, pode fazer algo concreto quanto a isso (aprovar leis, propô-las à Assembleia da República, decidir medidas executivas)? Resposta: não. Apesar de Rui Machete e Pinto Balsemão, seus apoiantes, terem defendido a alteração da Constituição para um regime presidencialista (caso em que eu, indeciso, rejeitaria imediatamente o candidato, já que eleger alguém que pretende à partida reforçar o poder que a Constituição lhe atribui pode valer na Venezuela, mas não vale neste momento em Portugal), Cavaco afirma no seu Manifesto que actuará no quadro das competências prescritas pela Constituição, por isso, deve-se-lhe dar o benefício da dúvida. O que pode fazer então? Cavaco, até agora, propôs duas soluções: primeiro, fazer propostas/sugestões de legislação ao Governo; segundo, orientar, animar, empurrar o país na direcção certa.

Vamos à primeira opção. Cavaco tem uma reunião com o Primeiro-Ministro e diz-lhe "acho que é bom legislarmos neste sentido". O Primeiro-Ministro responde "não farei tal", seja lá por que razão (a proposta não cabe no seu programa de Governo, considera que não é o momento mais oportuno para legislar naquela matéria ou naquele sentido, seja lá o que for). O que faz Cavaco? Essa pergunta já lhe foi posta muitas vezes, ele não respondeu. Mas, das duas, uma: ou se cala, diminuindo-se politicamente perante o Primeiro-Ministro e, como ele, perante todas as outras instituições políticas cujo funcionamento lhe compete supervisionar, comprometendo o exercício futuro do cargo; ou começa uma espécie de chantagem política, vetando todos os diplomas que o Governo lhe vai enviando para promulgar até que, finalmente, se faça como ele deseja. Perante estas conclusões, eu, indeciso, não estou disposto a votar num candidato que se prepara para diminuir o cargo para que vai ser eleito ou para impor a sua vontade quando tal não é suposto e é mesmo contrário àquilo que o exercício desse mesmo cargo deve ser.

Segunda opção: Cavaco anima o país para que não se deixe abater. Pergunta: como? Pelo meio descrito na primeira opção, evidentemente. Mais uma vez, Cavaco não concretiza. Mas vamos para aquilo que é lógico: interpelações ao portugueses, recados ao Governo, aos partidos e aos chefes dos grupos parlamentares, conversas com os empresários e os sindicatos, etc. Será isto, portanto. Mas em que é que isto distingue Cavaco de qualquer outro candidato? Não se propõem modos novos de actuar, presume-se, já que Cavaco não os apresentou. Então, voltamos às razões iniciais que me levam a recusar Cavaco: o seu carácter autoritário, rígido e que reduz as questões sociais aos acordos salariais conseguidos com os parceiros sociais durante os seus Governos. Terá Cavaco um carácter adequado para executar as tarefas descritas? Não me parece. Mais uma vez, eu, indeciso, decido contra Cavaco.

O irritante em posts como este e em blogs como o Pulo do Lobo e o Super Mário é que tomam de início uma posição que não estão dispostos a discutir. Estão do lado da propaganda, não da razão. A sua liberdade de pensar e de discutir razoavelmente fica, assim, inquinada desde o início. No post mencionado, João Caetano Dias coloca-me no Circo Voador de Mário Soares e ri-se das citações que lá coloca. Está duplamente enganado: não só eu não estou num circo, pois não sou macaco de ninguém, como não acho piada nenhuma a isto. Trata-se de umas eleições para um alto cargo político e quem se ri das opiniões dos outros num assunto que é do respeito de toda a gente não merece consideração. Desafio João Caetano Dias a concretizar os raciocínios que acima ponho de uma maneira diferente. Gostaria muito de ler as suas razões. De certeza que são melhores do que os seus disparates.

soares/cavaco

Resumindo: Cavaco Silva é um provinciano de vistas estreitas, um saco de vento cheio de coisa nenhuma, preocupado apenas, como George Bush há uns tempos, em não dar bronca da grossa. Soares é mesmo um velho leão, de unhas rombas mas ainda capaz de dar cabo de um palonço atrevido.
As palavras de Luís Rainha parecem-me as mais equilibradas sobre o debate de hoje. Também não resisto a lincar para o post desta tarde no Esplanar.

Não tenho especial simpatia por Soares, nem, aliás, por nenhum outro candidato da Esquerda; quanto a Cavaco, a minha opinião ouve-se por aí... Reconheço, no entanto, um grande mérito ao socialista: a sua lucidez estratégica é exemplar, a sua clareza argumentativa também e, principalmente, a liberdade e desembaraço com que actua e fala deixam a milhas o Cavaco embaraçado e constantemente a medir as palavras. Curiosamente, é por concordar com Manuel Alegre quanto ao medo (e guio-me só pelo post lincado, não vi o debate de ontem) que me vejo obrigado a confessar uma certa admiração por Soares: de todos os candidatos, e talvez por já saber aquilo para que corre, é seguramente ele o mais livre. Até de si mesmo.

umbiguismo (ou dylan meets soares)*

Come writers and critics
Who prophesize with your pen
And keep your eyes wide
The chance won't come again
And don't speak too soon
For the wheel's still in spin
And there's no tellin' who
That it's namin'.
For the loser now
Will be later to win

For the times they are a-changin'
.

grizzly green

O urso verde deixou de existir (ver aqui, aqui e aqui). O que não deixa de ser curioso é um amigo meu (que estudava Filosofia) ter apontado uma vez para ele e ter dito "tu não existes".

umbiguismo*

Ah get born, keep warm
Short pants, romance, learn to dance
Get dressed, get blessed
Try to be a success
Please her, please him, buy gifts
Don't steal, don't lift
Twenty years of schoolin'
And they put you on the day shift
.

os meus quinze filmes de 2005

Pediram-me isto, eu preparei-me para só escrever dez, mas depois... Enfim, aqui vai mais uma lista que vale o que vale.

1- Rois et Reine | Reis e Rainha (Arnaud Desplechin)
2- Million Dollar Baby | Million Dollar Baby - Sonhos Vencidos (Clint Eastwood)
3- Good Bye, Dragon Inn | Adeus, Dragon Inn (Tsai Ming-Liang)
4- Mondovino | Mondovino (Jonathan Nossiter)
5- Aaltra | Aaltra (Benoît Delépine, Gustave Kervern)
6- Melinda and Melinda | Melinda e Melinda (Woody Allen)
7- Demoiselle d'Honneur, La | A Dama de Honor (Claude Chabrol)
8- Vera Drake | Vera Drake (Mike Leigh)
9- Life Aquatic with Steve Zissou, The | Um Peixe Fora de Água (Wes Anderson)
10- Sin City | Sin City - A Cidade do Pecado (Robert Rodriguez)
11- De Battre Mon Coeur s'est Arrêté | De Tanto Bater o Meu Coração Parou (Jacques Audiard)
12- Closer | Perto Demais (Mike Nichols)
13- Alice | Alice (Marco Martins)
14- 9 Songs | 9 Songs - 9 Canções (Michael Winterbottom)
15- Saddest Music in the World, The | A Canção Mais Triste do Mundo (Guy Maddin)

depois de muito ler sobre o livro de maria filomena mónica...

...estou com mais sono do que depois de um debate das Presidenciais e com muito pouca vontade de o ler...

também sobre cavaco silva

As comparações entre políticos de diferentes gerações são fatalmente redutoras. Dizer que «Cavaco Silva é o Salazar do nosso tempo» é algo que prima pelo simplismo, muito antes de beirar qualquer tipo de injustiça, para os dois ou um deles. Depois, como comparar diferentes regimes, como ditadura e democracia? Mas, já que no plano político todas as análises são possíveis, convém observar o seguinte: enquanto Salazar esmagava qualquer tipo de oposição, Cavaco age como se ela simplesmente não existisse. De onde se conclui que não só melhoramos de época, como também de Salazar, o que não chega a ser um elogio a nenhum dos dois.
José Alberto Braga, "O Guia da Sobrevivência Política", pág. 69, ed. Pergaminho, 1991.

o homem do equador

Miguel Sousa Tavares assina hoje o seu último artigo no Público. Habituei-me a vê-lo como alguém que pensa livremente e que diz o que pensa, o que não é pouco num país (num mundo) atolado no medo. Não concordo com ele em tudo o que afirma ter defendido, mas não posso deixar de fixar estas palavras, certeiras, curtas e cheias de razão em cada letra.
Não consegui evitar nunca uma incurável embirração pelo cavaquismo, mais do que pelo seu mentor. De um ponto de vista prático, reconheci a importância das obras feitas, o crescimento económico possibilitado pelo muito dinheiro aplicado, que os fundos europeus e o petróleo barato proporcionaram. Mas fui constatando e escrevendo que nenhuma verdadeira reforma tinha sido ensaiada, apesar das excepcionais condições para tal. Hoje, continuo a pensar que a generalidade dos problemas que enfrentamos e a desesperança que se instalou têm origem directa nesses anos (depois acrescentados aos do guterrismo), em que nada de essencial se mudou na educação, na justiça, na reconversão agrícola e industrial e, sobretudo, numa cultura política e cívica fundada no mérito, na coragem de correr riscos, na liberdade individual e na separação entre o Estado e os negócios privados. Pelo contrário, o cavaquismo instalou a promiscuidade entre os empresários e o poder político, a subsidiodependência, a mentalidade dos jobs for the boys, o enriquecimento sem causa e a obediência e subserviência como dever cívico. Cumulada de dinheiro, lugares e favores, a grande oportunidade europeia transformou-se na grande oportunidade para virem ao de cima e florescerem impunemente os piores defeitos dos portugueses. Em lugar de riqueza o país produziu apenas novos-ricos, em lugar de desenvolvimento obras de fachada, em lugar de qualificação negócios desonestos com os dinheiros do Fundo Social Europeu, em lugar de reconversão agrícola e ordenamento do território Porshes, subsídios para nada fazer e urbanizações nas falésias do Algarve.
Os primeiros anos de António Guterres foram um momento de esperança, pelo menos no ar que se respirava. O cavaquismo caiu no justo momento em que o culto da personalidade do chefe e a demissão cívica dos oportunistas se estavam a tornar numa doença feia. Mas, rapidamente afectado por problemas familiares graves, Guterres começou a "deixar andar", entregando a governação aos "cardeais", "bispos" e "sacerdotes" do novo socialismo. A ganância não tem cor ideológica e o resultado foi trágico. O "bloco central", governando à vez, desperdiçou os 20 anos mais propícios do país e temo que, de facto, o tenha tornado inviável para sempre.
Com a deserção de Guterres, o país, sem grande convicção nem ilusões, teve de escolher a única coisa que lhe apresentaram: um governo PSD-PP, chefiado por um senhor muito simpático mas totalmente desprovido de uma simples ideia para Portugal: Durão Barroso. Governou o menos que pôde e, ao primeiro sinal de alarme, agarrou o primeiro comboio que passava e fugiu - literalmente -, deixando-nos entregues nas mãos do impensável Santana Lopes. Para grande espanto meu, ainda houve almas piedosas que reclamaram para isto o "benefício da dúvida". Eu cá não: estão aí os arquivos do PÚBLICO para provar que, ainda ele não tinha tomado posse, e já eu antevia um país transformado em anedota. Sampaio demorou nove meses até perder definitivamente a vontade de rir. Hoje, podemos especular se o Presidente foi o mais calmo e o mais avisado de todos, escolhendo queimar Santana Lopes, em lugar de o recusar liminarmente. Talvez ele tenha tido razão, mas a verdade é que com isso se perdeu mais um ano. E, enfim, chegámos aonde estamos agora, cedo demais ainda para fazer um juízo.

let's save tony orlando's house

Vêem-se por aí. Consoante o tamanho, lembram gnomos atrevidos ou ladrões encapuçados. Vendem-se em lojas chinesas e dos trezentos. Estão nas paredes das casas. Hoje vi um. Parecia enforcado.

portrait as a young man

Enquanto renovava o Cartão Jovem, olhei para a minha fotografia de dezanove anos e, primeira vez, senti distância. Hoje fiz vinte e cinco, mas continuo a ser eu, foda-se.

blog do dia

Este blog foi hoje blog do dia na secção do DN com o mesmo nome. Obrigado pelo reconhecimento.

teste definitivo para saber


Conseguem ver isto sem rir?

a ler

Dois bons sites sobre livros: The Ledge e Bookslut.

jessa crispin

bill murray

Não está mal dito, mas não esqueçamos o que o próprio Murray disse "There are two types of people in the world, those who like Neil Diamond and those who don’t. My ex-wife loves him"

umbiguismo

A civilização segue o trajecto do Sol, desde o Oriente, palavra tão reveladora que a Maçonaria recuperou, que é donde vem a verdade; donde vem o sol vem a verdade. A Europa teria sido um ponto de transição onde o Sol se manteve a maior altura durante muito tempo, e depois esse Sol também conheceu o seu ocaso, É uma metáfora de tipo cosmológico...

Eduardo Lourenço, no Jornal de Letras, Artes e Ideias de 7 de Dezembro.

a ler

O argumento hoje fácil contra a política e pela Nação pode facilitar amanhã as ideologias extremistas da (ainda) incipiente extrema-direita nacional.

Ainda que eu ache que a comunicação social dá mais importância do que devia à extrema-direita portuguesa - o que é frequentemente aproveitado por esta em seu favor -, as palavras de Rui Pena Pires no tema do Dn de hoje não são de ignorar.

balanço

Este sábado foi meses. Agora, descansar.

umbiguismo*

Now the moon is almost hidden
The stars are beginning to hide
The fortunetelling lady
Has even taken all her things inside
All except for Cain and Abel
And the hunchback of Notre Dame
Everybody is making love
Or else expecting rain

And the Good Samaritan, he's dressing
He's getting ready for the show
He's going to the carnival tonight
On Desolation Row

umbiguismo*

You've been with the professors
And they've all liked your looks
With great lawyers you have
Discussed lepers and crooks

You've been through all of
F. Scott Fitzgerald's books
You're very well read
It's well known
Because something is happening here
But you don't know what it is
Do you, Mister Jones?

umbiguismo*

You used to be so amused
At Napoleon in rags and the language that he used
Go to him now, he calls you, you can't refuse
When you got nothing, you got nothing to lose
You're invisible now, you got no secrets to conceal.

Cavaco/Alegre

Pergunta: o debate foi esclarecedor? Resposta: depende do que se quis esclarecer. Se se queria conhecer projectos, descobrir intenções ou descortinar calculismos, não. Se se queria relembrar posturas, sim. Alegre, mais enfático; Cavaco, mais cauteloso (e relativamente apagado). Isso serve para algo? Talvez, talvez. Não se elege só um político, elege-se também uma pessoa. E chega? Nem por isso. Poderia ter sido melhor? Sem dúvida: o formato é limitativo, porque a imposição de mediação pelos jornalistas impede que flua o contraditório. Seria preferível algo do tipo pergunta dos jornalistas/resposta do primeiro candidato/contestação (directa) do segundo candidato/réplica (directa) do primeiro candidato. Mantinha-se a possibilidade de esclarecimento e aumentava-se as hipóteses de diferenciação.

calendário de debates

Apesar de tudo, não foi fácil encontrar um calendário completo dos debates entre os candidatos presidenciais (só aqui e aqui). Deixo a lista:

Dia 5, Sic: Cavaco/Alegre
Dia 8, Rtp: Soares/Jerónimo
Dia 9, Tvi: Cavaco/Louçã
Dia 12, Rtp: Alegre/Louçã
Dia 13, Sic: Cavaco/Jerónimo
Dia 14, Tvi: Soares/Alegre
Dia 15, Rtp: Jerónimo/Louçã
Dia 16, Sic: Soares/Louçã
Dia 19, Tvi: Alegre/Jerónimo
Dia 20, Rtp: Cavaco/Soares

palpite

Não sei porquê, acho que isto e isto vai interessar muito ao João...

documentários

Interessante: o documentário que acabou de passar na Rtp sobre Sá Carneiro ("Sá Carneiro - A Força de Viver"), não só pelo bom trabalho de arquivo, mas também pelas opções expressivas (reconstituições com critério de casting e plano subjectivo permanente do ponto de vista do biografado, a solução de partir do seu último dia para explicações histórico-políticas em flashback). Ponto fraco: não se debruçou sobre as razões possíveis para o atentado.

Muito interessante: No Direction Home, o trabalho de Scorsese sobre Bob Dylan, que, em suma, explica porque a dada altura da carreira ele tinha concertos esgotados por multidões que o apupavam. Ponto fraco: na segunda parte, o esforço de articulação entre as imagens de arquivo e a perspectiva histórica perde claramente para a passagem de excertos de concertos, quando se podia ter investido mais nas razões que levaram Dylan a abandonar a folk ou na sua recuperação do acidente de motorizada em 1966...

o hino

O hino de campanha do senhor Aníbal Cavaco Silva parece um compêndio da fatelice na música. Festival RTP da Canção dos anos 80, orquestra sintetizada, coro infantil, a voz fado-pop de Kátia Guerreiro, o apelo batido ao patriotismo, está lá tudo. Ao menos, o "Paz, pão", que Paulo de Carvalho escreveu para um PSD que ainda era por uma sociedade sem classes, tem o charme dos anos...
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