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as checas

Ontem à noite, enquanto passava os olhos por cadernos antigos, li o seguinte nas memórias do Inter Rail de 2003:
As checas - espampanantes, rasando o limite do correcto, sempre maquilhadas de uma maneira a que chamaria mais obsessiva do que excessiva (muita maquilhagem, mas nada de borrões na cara) - muito auto-conscientes da imagem, mini-saias, vestidos curtos, decotes profundos, troncos modelados. Belas mulheres, as checas.
Impressão de três dias de Verão extremamente quentes e cansativos (só a demanda pelo Menino Jesus de Praga, então, credo...). Seja como for, não consegui deixar de pensar: o que pensará uma mulher que está esteve lá tempo suficiente para ter uma opinião mais informada? o que achas, Rita?

o processo

Parece que este é o ano dos processos literários: depois de Dan Brown, João Pedro George e a objecto cardíaco.

Baseado só no que li aqui, pergunto: o que é que a Oficina do Livro e Margarida Rebelo Pinto pretendem com este processo sem pés nem cabeça? Dinheiro? Publicidade? Levemos até ao fim o raciocínio da justificação para se intentar a providência cautelar: por um lado, a partir de agora, uma crítica literária não pode mencionar nem o nome do autor nem fazer citações do(s) livro(s) criticado(s) sem autorização do próprio autor ou dos detentores dos direitos; por outro, que não se pode escrever sobre, por exemplo, a Coca-Cola sem autorização da Coca-Cola Company, porque a Coca-Cola é uma marca registada desta última.

Estes pretextos passam por cima da alínea f) do art. 75º do CDADC (não, não ergam logo o 76º n.º2: ninguém toma o texto de João Pedro George como sendo da Margarida Rebelo Pinto, e é só essas circunstância que essa norma visa salvaguardar) e impõem a propriedade industrial à liberdade de expressão de uma maneira irrazoável. O registo de marcas visa impedir que terceiros no exercício de actividades económicas, [usem] qualquer sinal igual, ou semelhante, em produtos ou serviços idênticos ou afins àqueles para os quais a marca foi registada , obviando-se assim a que o consumidor seja induzido em erro ou confusão - alguém pode razoavelmente dizer que uma crítica assumida sobre a obra de Margarida Rebelo Pinto visa confundir o consumidor-leitor, fazendo-se passar por um produto da linha "Margarida Rebelo Pinto"?

Quando publicou o texto no seu blog, o João Pedro George disse que poucos críticos se tinham aprofundado sobre a obra de la Pinto. Ao que parece, ela está mesmo mal acostumada. Este processo é parolo e mal fundamentado e não acredito que dê em algo (se der, é um precedente muito mau). Ao João Pedro e ao valter: coragem, é só uma chatice.

P.S: depois de ter lido a notícia do DN, pergunto-me: haverá aqui gralha da jornalista ou é um erro de fundamentação do advogado de Pinto e Oficina? O 72º/2 do Código Civil visa as situações em que duas pessoas têm nomes (profissionais, principalmente) idênticos e uma prejudica a outra por causa dessa semelhança. Qual a relação com o caso Pinto-George? Estranho, muito estranho. Terá sido um modo canhestro de passar por cima da justificação de uma crítica literária como "uso ilícito" de nome, que teria necessariamente de se fazer se se fosse pelo n.º1 do mesmo artigo? Todo esta argumentação parece alicerçada num palito...

a razão*

At the end of the day, why do we write? We write to remember, we write to be remembered, we write to discover who we are, or determine it for others. Our words will always outlive us, immortalizing us if not always powerful enough to make us immortal. Although if we choose our words well, there will always be a way back to life, a way to and fro through time. Someone will always feel us like it was yesterday, someone will smell our skin again, if we choose our words well.

A corrida

Em quantos cavalos se pode apostar ao mesmo tempo?

a dúvida

É possível pensar que, daqui a uma semana, posso deitar fora dois anos de vida. Por outro lado: e se, independentemente daquilo que eu fizer ou deixar de fazer, estes foram já dois anos deitados fora?

a canção

Não deixa de ser uma novidade engraçada: há dias, aceitei o desafio lançado pelo blog da WFMU ("an independent freeform radio station broadcasting at 91.1 fm in the New York City area, at 90.1 fm in the Hudson Valley, and live on the web in Realaudio, or in Windows Media, as well as two flavors of MP3, and all programs archived in MP3 and Realaudio") para transformar o Cake de Todd Colby noutra coisa qualquer. Transformei-o nisto e, agora, isto vai ser transmitido na quarta-feira na rádio, juntamente com as outras versões. Ou seja, a minha estreia em rádio como artista cantor vai ser feita... em Nova Iorque. Sinatra, quem és tu ao pé de mim?

a provocação

Se juntarmos este poema editado por ele na excelente Objecto Cardíaco e este post, principalmente o parágrafo final... hmm... será que o valter hugo mãe beija actrizes como os russos?

a workshop

Na próxima sexta-feira, começa o primeiro de dois cursos de Iniciação à Fotografia organizados pelo Ateneu de Coimbra e orientados por este vosso criado. Mais informações aqui.

A música

Que bem soube ver ontem Adolphus Bell, um one man band do Alabama, playing his blues away (não sei traduzir isto bem) no palco do Teatro Académico Gil Vicente. Que bom ver como cerca de 800 pessoas se juntaram, cantaram, dançaram e berraram enquanto um tipo fazia ritmo e dizia de sua justiça, é só isso que importa na música popular, afinal de contas, naquela que Carlos Paredes uma vez descreveu como a pequena música - e, por uma vez, o adjectivo não menoriza nem a música nem quem a interpreta. Não custa nada ir ao site da Music Maker, a organização que resgatou Adolphus Bell e uma série de outros músicos do desconhecimento. Ir ao Coimbra In Blues só custa o bilhete, mas, sinceramente, às vezes, qualquer preço é barato demais. Em quatro anos de festival, já assisti a momentos verdadeiramente mágicos de sintonia entre artistas e público, momentos em que, no fundo, uns se transformam nos outros. E assim é que deve ser, carago. Isto é que é música com tomates.

o festival 2

o processo

Para quem não tem acompanhado o processo "O Código Da Vinci", este é o melhor artigo que tenho lido sobre o caso. Note-se na particularidade: a ré é a Random House, editora britânica de Dan Brown, e não o autor.

as palavras

Só pelo óbvio destas palavras, a entrevista já vale a pena.
Hace doce años leí un escueto artículo en un periódico sobre un capitán griego que había encontrado a 6 o 7 polizones en su barco y los había tirado por la borda. Este hecho me conmocionó, ¿cómo podía ocurrir algo así?. Comencé a investigar y me encontré con más incidentes como éste. Me horrorizó descubrir que la razón era económica: si un capitán llega con polizones a bordo a un puerto europeo las multas son altísimas. Además se enfrentan a posibles pérdidas del permiso de navegación, inmovilizaciones de sus barcos, gran cantidad de papeleo... En realidad es mucho más fácil tirar polizones al agua que hacer frente a todas estas complicaciones. Posteriormente descubrí que los propietarios de los barcos multaban a su propia tripulación si no se deshacían de los polizones. Tripulación ésta que, a menudo, estaba formada por trabajadores del Tercer Mundo. Es horrible pensar que en un marco así, en alta mar y sin testigos, tengan lugar estos asesinatos. De alguna manera hemos creado una fortaleza llamada “Europa” y estos hechos son una metáfora de la explotación masiva del Tercer Mundo por parte del Primero.

a tradução

Ontem, na Oficina de Poesia, transformei este poema de e.e. cummings
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lhi,
nhadas ár
vo
res v
ai lá piru

lIt
lIt

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o poema

"Upon a T-Shirt", por Evan Eisenberg.
[front]

What does it say? No matter—it's
A pretext to peruse my tits;
Whilst on the other side you'll find

[back]

Post-text to study: my behind.

A matrix

Ainda há dias disse algo parecido com isto numa conversa sobre a trilogia Matrix, mas ser John August a dizê-lo é, definitivamente, diferente.
And here’s how I knew that the final movie — and thus the trilogy — didn’t work: When it was over, I had no idea what had happened. Worse, I had no idea how to feel. Hopeful? Despondent? Unsettled? The Oracle and The Architect were having a conversation, and I couldn’t even process it.

Lord knows, I’m not pining for simplicity or tidy answers. I’m happy with some ambiguity. But “incomprehensible” is not a synonym for “clever.”

My friend Rawson has a good phrase for it: “Playing obscurity for depth.” It’s the tendency of a screenplay — or an actor — to make weird choices that the audience won’t understand. The audience, fearing that they just didn’t “get it,” will label the writing or performance brilliant.

But it’s a trap. Once you get away with it, you inevitably do it again. It leads to laziness, which ultimately leads to bad movies.

o filme

Sim, caros leitores, a ausência foi longa. Justifico-me. Na semana passada, estive na Covilhã, para a rodagem de uma curta-metragem a partir de um argumento meu: "Utensílios do Amor" tem interpretações de Margarida Vila-Nova, Luís Dias e Maria João Pinho e realização de Telmo Martins. É o meu primeiro filme a sério, e não será o último. O site está aqui. Fiquem à espera de mais notícias.

a mania

O João André pediu-me manias. Só me lembro de uma: querer sempre entrar dez minutos adiantado em espectáculos.

o festival

Assisti há poucas horas a um dos melhores espectáculos televisivos dos últimos tempos: o Festival RTP da Canção 2006. Sim, venceu o pior grupo - independentemente da lógica, pura realpolitik, de qual a canção mais adequada aos critérios rascas da Eurovisão (mas, que diabo!, o lixo desprezado de hoje também não deixa de ser o trash adorado de amanhã). No entanto, os longos minutos de apupos dos apoiantes da segunda classificada, Vânia de Oliveira, marcaram a diferença: quem aguentava mais um concurso de música mansinho, em que ninguém tinha coragem de dizer mal de ninguém? Os apupadores, mais do que os cantores, mais do que os jurados, mais do que o público em casa, foram as grandes personagens da noite. Divertidíssimo. Só foi pena que a gente da RTP não tivesse percebido ainda que o festival deixou de o ser quando perdeu a orquestra.

umbiguismo*

They say ev'rything can be replaced,
Yet ev'ry distance is not near.
So I remember ev'ry face
Of ev'ry man who put me here.
I see my light come shining
From the west unto the east.
Any day now, any day now,
I shall be released
.
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