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a licença

Muitas vezes me apercebi que a dúvida mais frequente quando se fotografa na rua é até onde se pode ir sem licença do fotografado. Martin Fuchs sintetiza tudo no título deste texto sobre o que lhe aconteceu quando decidiu fotografar crianças num parque de diversões: "No, I do not need a permission to photograph in a public place".

o código 2

Um advogado descodificou a mensagem deixada pelo juiz Peter Smith na sentença do processo de plágio contra O Código Da Vinci:
“Jackie Fisher, ¿quién eres? Dreadnought”. Ése es el mensaje secreto que el juez británico encargado de juzgar la demanda por plagio contra la exitosa novela El código Da Vinci ocultó en su sentencia de 71 páginas. (...) Al parecer Smith es muy aficionado a los temas marinos. Jackie Fisher fue un almirante de la Armada británica de principios del siglo XX que se atribuyó la autoría del concepto de barco de guerra moderno, una nave de propulsión a vapor con armas de diferente calibre, y cuyo primer y principal exponente por entonces fue el ‘HMS Dreadnought’.

o congresso

Domingo, estarei no Congresso de Literatura do Alto Minho, no painel "Novas Possibilidades de Publicação".

a vergonha

Ontem, durante o almoço, uma amiga teve as calças atingidas por um salpico de nada de molho, que lhe deixou sobre a perna uma nódoa redonda, mas muito pequena, quase imperceptível pelo observador desprevenido. No entanto, para essa amiga, a nódoa era mais do que visível, não se conformava com ela e chegou a considerar trocar de roupa. Isto é curioso: para ela, a pequena nódoa cresceu ao ponto de se tornar uma evidência que ia sempre aparecer antes dela própria a todos os demais. Um pouco como uma dor que, de vez em quando, aparece para nos chamar a atenção para a existência do nosso corpo.

o código

O juiz que decidiu que "O Código da Vinci" não plagiou "O Sangue de Cristo e o Santo Graal" incluiu um texto secreto na sentença:
The first clue that a puzzle exists lies in the typeface of the ruling. Most of the document is printed in regular roman letters, the way one would expect. But some letters in the first 13½ pages appear in boldface italics, jarringly, in the midst of all the normal words. Thus, in the first paragraph of the decision, which refers to Mr. Leigh and Mr. Baigent, the "s" in the word "claimants" is italicized and boldfaced.

If you pluck all the italicized letters out of the text, you find that the first 10 spell "Smithy Code," an apparent play on "Da Vinci Code." But the next series of letters, some 30 or so, are a jumble, and this is the mystery that needs to be solved to break the code.

a fama

Quando me cruzo com alguém conhecido na rua (na semana passada foi o Ricardo Araújo Pereira, hoje foi o Sérgio Godinho), há algum absurdo que paira no ar. Será que os famosos têm medo que alguém lhes diga que não existem? Ou será que é por eles não existirem que esse absurdo surge?

o diálogo

A que Pacheco Pereira não goste de comentadores compulsivos e anónimos, nada a opor: afinal, o anonimato na Internet é tão fácil que, mesmo que não fosse mais nada (e é-o), seria de um extremo mau gosto. O que choca no artigo que ele escreveu para o Público de quinta-feira (transcrito aqui por Eduardo Pitta, também ele dono de um blog sem caixa de comentários) tem a ver com o facto de a sua condenação de personalidades revelar algo de marcadamente auto-suficiente, absolutista, monopolista e devorador na sua própria personalidade. O que não deixa de ser interessante, principalmente quando este recente artigo explicou recentemente que não é nos blogs de maior audiência que a interacção (lembro que estamos na InterRede) tende a ocorrer.

Por natureza, tendo a não gostar de pedidos exagerados de respeito; acho, precisamente, que as ideias avançam quando se supera o supérfluo. Quando o blogger Pacheco Pereira inventa um dispositivo chamado “O Abrupto feito pelos seus leitores” para, resumidamente, publicar comentários que lhe chegam por via indirecta (correio electrónico), está a assassinar o diálogo à partida. Ou seja, o blogger, que deveria ser uma personalidade identificada e dialogante, uma voz que se afirma numa conversa entre pares, torna-se editor dos demais. Quer Pacheco Pereira queira, quer não, publicar no Abrupto comentários alheios é diferente de deixar que o leitor deixe um comentário directo – a imediatez e a personalidade perdem-se na primeira alternativa. Quando publica o correio dos leitores, está apenas a premiar textos.

Não se percebem os argumentos do eurodeputado. Afinal, não é tantas vezes legível nos comentários dos leitores do Abrupto a mesma “procura de atenção” e “pulsão psicológica para existir”que Pacheco Pereira encontra nos comentários a blogs alheios? Não será essa atenção e essa afirmação de personalidade que leva o próprio Pacheco Pereira (tal como qualquer outro autor) a publicar um blog enquanto parte da sua acção criativa e da expressão de um pensamento que se dispersa por tantas publicações e programas? E não é possível regular o “Faroeste da Rede” (“insultos, ataques pessoais, insinuações, injúrias, boatos, citações falsas e truncadas, denúncias”) através da simples moderação da caixa de comentários? Eu próprio já me debati com esse problema e não vejo porque não se deve, apesar de tudo, manter a fasquia alta: um comentário discordante e violento pode, mesmo sendo anónimo, ter valor (se não o tiver, elimine-se: é mero bom senso). Mas não percebo como alguém que há meses escreveu sobre o caso das caricaturas de Maomé desta e desta maneira pode ser tão choramingão com a “tradição nacional de maledicência”. Qualquer pessoa pode ter muito boas razões para dizer porque é que outra é uma besta e qualquer pessoa pode ter interesse em lê-las. Enquanto autor num meio aberto, opino pelo encorajamento do choque, seja ele comigo ou com outra pessoa qualquer.

A Internet de Pacheco Pereira é uma em que cada um tem o seu blog, espaço de publicação próprio, e em que a interacção se deve necessariamente fazer por meios indirectos como o e-mail? Peço desculpa, essa não é a minha Internet. Pacheco Pereira sabe, com certeza, existir na Rede, mas saberá existir em Rede? Se me ler, convido-o a responder. Não precisa de me mandar um e-mail, pode deixar um comentário aqui em baixo ou escrever uma resposta no seu próprio blog. É bom entrar em diálogo, Sr. Dr. Desafio-o a experimentar.

as velas,2

Não estive às 19h (não sabia, não podia), mas passei pelo Rossio à noite. A praça estava quase deserta e chuviscava. As velas empoleiravam-se na estátua do D. Pedro IV, perturbadas pelo vento. Reacendi as apagadas.

a morte

O desaparecimento da personagem televisiva Francisco Adam (e não do indivíduo - salvaguarda-se aqui o respeito pelo desgosto dos que lhe são próximos) deve fazer-nos pensar sobre quantas vezes assistimos a um culto semelhante a um produto mediático - nunca, pelo menos naquela faixa etária - e porque é que foram os Morangos com Açúcar a conseguir esse estatuto. Por outro lado, não deixa de ser curioso perceber que, numa série muitas vezes acusada de ter um argumento fraco, a estrutura central é suficientemente forte para sobreviver ao desaparecimento ou aparecimento de qualquer personagem. A mutação, inscrita no próprio carácter dos Morangos com Açúcar, com personagens que mudam ano a ano, é o garante da sua permanência.

o poema

a partir de Manuel de Freitas, Jorge Melícias e João Luís Barreto Guimarães.

Sim, eu perdi
de Martha o número
nas folhas
numeradas
de um livro
de Jonas.

Martha então
um dois três
perdeu três
e dois um
e agá
sobrou um
entre o tê
e o final.

E Martha nome
era crime
número navalha
perda exacta

letra
é que não
e mulher
(?)

os independentes

A verdade é que saber como se fizeram filmes como War ou I Am A Sex Addict inspira qualquer um.

a internet

O destaque de hoje do Público, sobre a Internet social, é do grande João Pedro Pereira. José Luis Orihuela, por seu lado, publica no seu blog a entrevista que o jornalista lhe fez.

a lista

E quando se descobre que se é um lugar comum? (do Guardian: os livros que marcam os homens; os livros que marcam as mulheres)

as velas

Quanto ao 19 de Abril, não sei ainda se vou estar em Lisboa (apesar de andar por lá num curso, continuo a viver e trabalhar em Coimbra e, no dia 21, tenho de estar na Covilhã). Se estiver, porém, garanto que irei ao Rossio.

Quando há sangue no passado, a tendência é para culpar o presente (porque o passado já lá foi). Posso dar dois exemplos, um mediático, outro pessoal. Primeiro: quando em 2000 se comemoraram os 500 anos do "achamento" do Brasil, achei correcta a lembrança da colonização violenta - detesto branqueamentos -, mas não pude suportar a condenação moral, per se, de Portugal e portugueses actuais. É que isso é, também, um branqueamento, neste caso, do presente, de modo a permitir a extensão de uma acusação quando o réu já morreu há muito. Que culpa tenho eu de um passado que não é meu? Não escolhi nascer português, não escolhi nascer homem, nem sequer escolhi nascer pessoa e, além do mais, tenho bem consciência dos crimes passados. Aquele é o mesmo mecanismo que liga automaticamente a ideia de "Alemanha" à de "Nazi". Ora (e este é o segundo caso), eu nunca conheci ninguém tão susceptível à mera pronúncia desta palavra como uma amiga minha, alemã, a quem não pude contar até ao fim um sketch do "Faulty Towers" em que o John Cleese gozava, nem sequer com os alemães, mas com o preconceito inglês contra os alemães.

Ir pôr uma vela no Rossio no dia 19, para mim, não tem nada de religioso: é uma declaração de que o meu passado é o de toda a humanidade, de que sou responsável só pelos meus erros e de que sou, apesar de tudo, tão dono da memória como outra pessoa qualquer. É o meu modo de dizer "eu comporto-me eticamente para evitar a estupidez humana que fez com que isto acontecesse há quinhentos anos e que agora faz acontecer outras frustrações". É, por fim, um ajuste de contas comigo mesmo, com todos os vivos e com todos os mortos.

o aviso

O Irão prevê que Israel irá desaparecer. A Mossad já anda atrás deste senhor.

o pássaro

E, já que falei sobre o livro de António Mega Ferreira, devo dizer que a fixação de Fernando Pessoa com o íbis, que o levava a fazer isto
Numa Rua bastante movimentada parava de repente e dizia, Agora vou ser um íbis e equilibrava-se numa perna e punha uma mão para a frente e outra atrás para significar um bico e uma cauda e ficava assim durante alguns segundos, o que surpreendia bastante os transeuntes
me lembrou alguém que, uma vez por outra, também se transformava em pássaro.

a ausência

Uma Assembleia sem deputados será, talvez, como uma mulher sem período, mas, pessoalmente, já estou algo farto de gravidezes histéricas. Ou, então, que sempre se haja de parir um Rato...

a construção

O Laboratório de Humor começou e eu já passei metade da semana em Lisboa. O mais estranho nestes dias: na ida, ouvi no leitor de MP3 a "Construção" (uma assumidíssima ambição fixação pessoal); nesse mesmo dia, já em Lisboa, vi o álbum original do Chico Buarque à venda num quiosque do Chiado. Hoje, no Alfa, durante a viagem de volta, apareceu-me novamente enquanto ouvia, distraído, as rádios oferecidas pelos bancos do comboio.
Depois, ouvi Beatles no MP3: a "Eleanor Rigby" desviou-me a atenção do Fernando Pessoa a "Fazer pela Vida" e fez-me olhar em volta com alguma angústia.

a fotografia

Hoje é a última sessão do primeiro curso de introdução à fotografia dado por mim no Ateneu de Coimbra. Curiosamente, acabei de encontrar a versão on-line d' "O Momento Decisivo", de Cartier-Bresson.

o apelo

Será que vai haver um reality-show que vou querer realmente ver (ou, pior, em que, como Warren Hsu Leonard, até gostava de participar)? Afinal...

os downloads

O Tino_de_Rans escreve sobre downloads ilegais:
Outra solução que aponto, e esta mais polémica, é criar uma taxa como existe para a televisão e lixo, desta vez na factura do ISP que reverteria a favor das associações de direitos de autor, tornando assim legais os downloads.
É uma excelente solução (eu próprio já a mencionei aqui), mas o nosso mundo é imperfeito: são as editoras que, em geral, têm mais a perder com os downloads - as editoras recebem pelos discos vendidos, os artistas pelas transmissões em meios de comunicação e concertos; os downloads, ao diminuirem a venda de discos, prejudicam mais as editoras do que os artistas - e, por isso mesmo, isto é mais uma batalha comercial do que autoral...

a mistura

Tudo eu.

umbiguismo*

You've been with the professors
And they've all liked your looks
With great lawyers you have
Discussed lepers and crooks

You've been through all of
F. Scott Fitzgerald's books
You're very well read
It's well known

Because something is happening here
But you don't know what it is
Do you, Mister Jones?

a conclusão

Ao terceiro dia do mês de Abril do ano da graça de Nosso Senhor de 2006, o autor destas linhas pôde começar a identificar-se como advogado sem necessidade de acrescentar "estagiário". Aleluia.

o processo 2

No Público de ontem, Rui Tavares (cuja crónica semanal me agrada cada vez mais) escreve:
É curioso isto: os neoconservadors não querem que sejamos proprietários daquilo que é mais nosso: dos nossos corpos, da nossa vida, da nossa intimidade - através da ilegalização do aborto, da eutanásia, do casamento gay. Os neoliberais querem que sejamos proprietários daquilo que sempre foi de todos: folclore, ideias, frases feitas. Se ambos ganham, teremos a autoridade mais perversa e a censura mais arbitrária.
Nem mais.
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