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o grito

Há quem lhe chame Wilhelm. É um grito e já foi usado em dezenas e desenas de filmes.

o conselho

o vício

Claro que a cocaína dá moca: se leva gasolina... Vejam este e mais vídeos na recentíssima Peste TV, que, por enquanto, podem subscrever para o Democracy Player.

o iraque

Sabem, há quem chame a isto e a isto levar a democracia a um país. Eu chamava-lhe outra coisa, mas, lá está, política internacional não é o meu forte. Tenho dificuldade em pensar nos países para além do nível das pessoas, percebem?

a polémica

as palavras

Hace ya unos días entrevistaban a Ramiro Pinilla en Comunicación Cultural. Cuando le preguntan por qué define su lenguaje como invisible, el escritor responde:

Que llega al lector sin estorbos. Que no tiene descripciones, si describo algo es porque es imprescindible. Por ejemplo, es de noche. Y ahí queda; todo el mundo sabe lo que es la noche, un amanecer, el despacho de un abogado, de un médico; ¿para qué describir esas cosas? Son lastres. El lenguaje invisible significa la eliminación de lo superfluo, que va directamente al grano. Cuando me sale una frase bonita, la tacho y empiezo de nuevo. Sólo quiero frases sustanciosas que digan 2 ó 3 cosas a la vez. A mí me gusta respetar al lector y no me gusta vanagloriarme y decir: "mira, yo escribo bien y te lo voy a demostrar".
Estas palavras, que encontrei no La hormiga remolona, são valiosas. Muito valiosas.

o ouro

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Curiosamente, o segundo exercício que me foi proposto esta semana (falar sobre o BullionVault.com, um site de compra e venda de ouro) liga-se perfeitamente ao post anterior. É que o ouro, o famoso ouro que tanto serve de padrão para economistas como de metáfora de mil e umas coisas para poetas, é um exemplo remoto e perfeito do valor enquanto artifício. Para que serve o ouro? É um metal pouco resistente, com uma temperatura de fusão relativamente baixa. O ouro que a BullionVault.com negoceia verdadeiramente não serve para nada, a não ser para ser adorno.O que levou a humanidade a preferi-lo, não sei - talvez porque, sendo da cor do sol, transforma o seu dono em dono do sol, ou seja, dono do tempo. O valor do ouro não passa do terreno do simbólico para o do utilitário. Possuí-lo alimenta a vaidade e, ao longo dos tempos, foi isso que fez dele metal nobre e serviu para que fosse escolhido para a produção de moeda. Enfim, uma aplicação do princípio de Peter ao mundo mineral.

Eu sei que é possível ver beleza nisto. O ouro vale por ser belo, ou seja, de certo modo, foge do económico para o estético. É uma ironia histórica que algo que só vale pelo aspecto tenha subido ao pódio do valioso, mas isso não impede que o que ainda hoje é negociado por empresas como a BullionVault.com, mesmo que o seja com pura intenção de rentabilização de um investimento financeiro, não passe de especulação da vaidade.

O crédito

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O bom deste sistema de publicidade é que não obriga a louvar algo de que não gostamos - basta que escrevamos sobre isso. Ou seja, de certo modo, é algo mais próximo da escrita criativa (sugestão de um tema, construção dum texto) do que de publicidade propriamente dita.

Desta vez, pediram-me comentários sobre o site National Payday, que faz empréstimos. O recurso ao crédito para consumo é muito concorrido por estes tempos - ainda há pouco ouvi na rádio que saiu mais um estudo a dizer que as famílias portuguesas estão endividadas das pontas dos cabelos à unha do dedo mindinho. Boa. Pedem-me que diga o que acho? Acho que isso é mais um reflexo de uma ideologia "soft" - de uma ética, se preferirem - que, hoje em dia, está espalhada de uma maneira ou outra por todo o mundo. Consiste no seguinte: se não consigo ser aquilo que desejo, adquiro o que me faz parecer que o sou.

Isto vem da dominação do raciocínio quotidiano por duas esferas: a económica (se chegámos ao ponto de as próprias maneiras de ser - o sedutor, o estudioso, o empregado... - serem bens escassos, é preciso que o acesso a elas passe por uma concorrência material) e a militar (se a concorrência é, por definição, concorrencial - ou conflituosa -, preciso de me armar com aquilo de que preciso para vencer).

Ter tornou-se uma necessidade para ser. O "sou porque tenho" é maior do que o "tenho porque sou". É uma conquista de 1789, de 1917, de 1974 que se entortou e os problemas surgem quando me faltam coisas para ser o que quero e/ou dinheiro para as adquirir. O que fazer quando a propriedade mal distribuída transforma a suposta "sociedade da abundância" (absoluta - os bens que há sobejam para o número total da população) numa "sociedade de escassez" relativa (a abundância de uns implica a pobreza de outros)? Pedir emprestado. Aqui surge a National Payday. Como essas linhas telefónicas parasitas que todos os dias nos aparecem de algum lado e que aprenderam - muito importante - que, mais tarde ou mais cedo, alguém num aperto vai precisar delas e que, portanto, só é preciso estar lá a sorrir para haver clientes.

O que sistemas como a National Payday propõem é mais do que o mero empréstimo de dinheiro. É uma opção moral. O "sim, quero pedir emprestado" define imediatamente uma relação de autoridade e submissão entre duas pessoas. Há situações em que isso é compreensível (investimentos, aquisição de uma casa, de um automóvel, etc.), mas, quando quem pede o faz para além do que realmente pode e necessita e quem dá esconde a avidez por baixo dum automatismo amoral ("sem perguntas", "juros baixos", "imediatamente e à distância"), algo está errado e em desequilíbrio. E este é o meu anúncio à National Payday.

o ikea 2

E por falar no Ikea, já alguém tentou imaginar o que seria se fosse ao contrário? Um armazém de móveis em peças desenhados por portugueses e produzidos por chineses e indianos, com bandeiras portuguesas espalhadas por todo o lado e cozido e sardinha congelados à saída? Se isto abrisse na Suécia numa terreola ao lado de Estocolmo e chegasse ao ponto de os suecos atravessarem o seu pequeno país para ir lá mobilar as casas - sinceramente, aquela gente não vos pareceria um pouco ridícula? Pois.

o ikea

Depois de meio dia a saber o que custa ser sueco e outro meio dia a saber o que é o trânsito em Lisboa quando chove numa sexta-feira, fiquei só com uma certeza: se o livro "Oskuldens Minut", de Sara Lidman, fosse português, bastariam os exemplares no Ikea de Alfragide para fazer dele um best-seller.

O post

Escrever o primeiro post a partir da minha casa nova é como dar as boas-vindas a todos.

o riso

Uma vez, vi uma curta-metragem, belga ou suiça, de escola (muito melhor do que a generalidade de curtas-metragens feitas em Portugal). Não era exactamente uma comédia e, no entanto, foi um dos filmes mais engraçados que já vi. Num autocarro cheio de gente soturna a fazer a viagem matinal para o emprego, um riso inexplicável rompe. As pessoas procuram, espantadas, a origem do riso e encontram um homem de meia-idade, cabelo grisalho, casaco escuro. Está sozinho e é claro que se limitou a deixar que o riso rompesse, sem mais, porque se lembrou de alguma coisa engraçada. As pessoas voltam a pensar em si próprias, mas o homem não pára de rir: cada vez mais, cada vez mais, sem conseguir parar.

De repente, alguém cede e um segundo riso começa a ouvir-se. Duas pessoas riem-se incontrolavelmente no autocarro. Os outros passageiros ficam intrigados, começam a não ter escapatória. De um momento para o outro, o riso entra em bola de neve. Toda a gente se ri. As gargalhadas amainam de vez em quando, parece que vão parar - e recomeçam, porque ninguém consegue resistir. Ninguém.

O autocarro pára num apeadeiro. O homem de meia-idade sai. O autocarro vai-se embora, espalhando o riso pelo caminho. O homem de meia-idade sorri. Um novo autocarro pára. Ele entra, senta-se e, depois de alguns segundos, começa a rir-se novamente. O filme acaba.

A andar no Metro de manhã, com o rosto ainda contaminado pelo sono, a olhar para outros rostos contaminados pelo sono, lembro-me cada vez mais neste paladino do riso. Talvez não fosse difícil, penso, talvez não fosse difícil.

meanings of life

Há uns anos, um amigo meu, que tinha acabado o curso e regressado à terra natal, escreveu um texto que foi popular entre a malta da Secção de Jornalismo da AAC de então. Ele dizia qualquer coisa parecida com o aperto na garganta ser tamanho que não conseguiu evitar parar em cada estação de serviço até Setúbal para chorar um pouco. Na altura, ri-me. Hoje, já não o faço. Não terei chorado tanto como ele, mas, ainda assim, compreendo-o melhor.

A tristeza e o sentimento de perda ao sair de Coimbra não têm nada a ver com os lugares-comuns dos fados e das serenatas (para os quais, aliás, nunca tive grande paciência). Percebo hoje que eles até têm muito pouco a ver com Coimbra propriamente dita e muito mais a ver comigo. Eu morro um pouco para mim, porque, ao sair de Coimbra, saio fisicamente do sítio onde eu já fui outro - e, principalmente, onde esse outro foi pela primeira vez eu sozinho. A pessoa que sou não é a mesma de então, mas, até agora, podia-me iludir, porque a estabilidade do espaço criava uma ficção do eu que vivia na memória. Portanto, eu era ainda, um pouco, o outro. Agora, sou-o menos. Ao desaparecer o sítio onde fui algo, perco-me também do algo que fui.

Por outro lado, o meu horizonte mudou. Ao deixar a Advocacia para trás, uma actividade que não me dava nem gozo nem proveito, tive de sair do conforto de uma não-escolha. Isso também custa. É fodido ser livre.

o lançamento

a revista

Para quebrar o silêncio, aqui vai um trailer do último número da revista aguasfurtadas.
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