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o corpo de cristo

A "descoberta" do corpo de Jesus Cristo pelo realizador do T2 até tem piada, tal como o Código da Vinci antes dele a teve. Mas a discussão "- É verdade! - É mentira!" que se vai seguir é chata como o caraças e, como de costume, não vai levar a lado nenhum. Os Cristãos têm que decidir se têm fé em Mistérios ou em ilusionismos. A mera aceitação disto bem que nos pouparia os ouvidos e a paciência.

as horas

Tendo em conta que me levantei às 14h de sexta-feira, passei por um ScriptRun e me vou deitar agora, contabilizo 36 horas seguidas sem dormir, o que é de longe o meu recorde pessoal (e que espero sinceramente nunca ter de bater). Até amanhã.

a peça

A sala estava quase vazia, só havia quatro pessoas a assistir, mas não se deve tomar isso como sinal de que a peça era uma masturbação criativa. Aliás, se há alguma coisa contra a qual esta peça se coloca, é a masturbação criativa. Amador, de Gerardjan Rijnders, resume-se a uma hora numa sala de estar e a um monólogo da personagem do crítico (eu pergunto-me se ela não será, afinal, a única personagem, talvez por outra razão que não a primeira que surge). O que mais me fascinou e deixou a pensar foram as acções paralelas do filho e da mulher: quanto às palavras do crítico, podem ser complemento, mas também ilustração (esta é a razão de que falava). E o crítico, D. Quixote no sentido inverso da ilusão, faz o louvor da realidade ao mesmo tempo que tudo lhe é alheio. Nesta peça, não há personagens, não há actores, só fantasmas. Vão ver, vale bem a pena.

O álbum

Meus caros, se gostam de vocês próprios, por favor, ouçam o álbum "Goodbye Brains", de Coley. O álbum não está à venda em lado nenhum online - eu, pelo menos, não o encontrei -, mas o Mistery Poster, um excelente blog de música, disponibiliza-o aqui. É, pelo menos, das coisas mais surpreendentes (no sentido positivo) que tenho ouvido: a dada altura, soa a George Clinton, depois já parece o Zappa de "Hot Rats", faz uma incursão pelo que chamaria o country-chunga e, quando não anda entretido com isto, passeia pelo jazz-rock como uma princesa pelo palácio. Por qualquer razão que sei eu lá agora qual é, tenho a sensação que este senhor vai gostar.

a geração

A minha geração já foi a rasca. Hoje, é provavelmente a geração-corno. A Inês sente-se enganada. Estas palavras do JP Simões também têm o seu quê: "eu vivo na esperança, na vaga mudança que nunca vai acontecer". Sim, geração-corno. Dantes, não se devia acreditar em tudo o que se lia; mas em que se deve acreditar hoje?

os telemóveis

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Com certeza que através de algum estratagema estúpido, este site diz oferecer telemóveis de graça (como se diz em inglês, será "as in 'free beer' or as in 'free speech'"?). É mais ou menos fácil identificar estas coisas, reparem nas imagens dos telefones ali mais em baixo - um grande free logo ao início, negrito e caixa alta e tudo e, depois, envergonhado, nos seus caracteres pequeninos e cinzentos, lá vem o aviso que é preciso uma conta Cingular Wireless para aceder às maravilhas da comunicação sem fios. Seja lá o que isso for, não é para tugas nem para todos os americanos: experimentem meter um código postal nas caixas e vêem logo.

o prémio

É tarde, mas não posso deixar de vir dizer que estou muito contente por o projecto "Dar Vida às Letras" da Comunidade Intermunicipal do Vale do Minho, no âmbito do qual eu fiz uma apresentação em Janeiro do ano passado (no CV, chamo-lhe "sessão de sensibilização para a leitura", mas isso é porque não sei chamar-lhe melhor), ter vencido o prémio International Reading Association Award for Innovative Reading Promotion In Europe.

A pré-publicação - "E Deus pegou-me pela cintura", de Luís Carmelo

Pela primeira vez nos seus anos, este blog pré-publica um livro. "E Deus pegou-me pela cintura", o mais recente de Luís Carmelo, será lançado nas livrarias do El Corte Inglés de Lisboa (06/03/07) e de Gaia (13/03/07). Clique na imagem para ler um capítulo.

o novo público

O novo Público não me parece tão novo assim: parafraseio a tese de Paulo Querido, o jornal parece mais redesenhado do que repensado. Quanto ao Ípsilon, que realmente me interessava mais do que o resto, não me desagradou, mas, para quem ainda se lembra do tempo em que o público tinha os suplementos Artes e Sons, a impressão que fica é que, primeiro com o Y e o Mil Folhas e agora com este novo "super-suplemento cultural", as diferentes artes vão perdendo força individual. É uma fraqueza que haja tão poucas páginas de imprensa escrita sobre livros num país onde se edita tanto. Claro, nos outros dias há agora o caderno P2 - mas o P2 é mais uma separação de diferentes secções pré-existentes do que propriamente um novo suplemento.

o filme da semana

"Thank You Maskman" utiliza a voz de Lenny Bruce para demonstrar que, afinal, o Mascarilha é mais "mascara".

o vilão hannibal

Voz próxima tem-me lembrado Hannibal Lecter, membro destacado das famílias dos (c)Aníbais, e que, desde "O Silêncio dos Inocentes", eu vejo muitas vezes referenciado como "dos maiores vilãos" - às vezes, "o maior". Ora, isto tem que se lhe diga: no filme de Demme, havia claramente três níveis de vilanagem. Hannibal era pura mente, o assassino-violador era puro corpo, o director da cadeia era puro poder. É fácil de ver que Lecter é vítima do director até à fuga; isso permite-lhe o entendimento com Clarice, vilanizada pelo assassino-violador. Com a libertação, Lecter rouba o poder ao director e, portanto, ascende na hierarquia dos domínios. Sem poder e sem mente, o director torna-se vítima. O assassino-violador, por seu lado, não resiste ao poder de Hannibal. Assim, este representa a vitória do raciocínio sobre o corpo, e isso é invulgar. Mas também é invulgar que num vilão haja progressão - normalmente, o objectivo é fixo, directo e claro desde o início (basta lembrar Freddy Krueger). Hannibal Lecter é um vilão memorável porque é uma personagem bem escrita. Foi o que permitiu a medíocre exploração do seu filão até hoje.

o livro não electrónico

Foi muito tempo sem imagens no blog - daí o mais recente excesso. Mas isto é bom demais.

A Mini-entrevista

O Luís Carmelo publicou hoje a Mini-entrevista que me fez.

A conversa

o referendo

E é claro que esta ficará como a foto do dia.

o aborto, por enquanto / filme da semana

Finalmente. Talvez possamos agora rir um pouco de filmes como este.

a prisão

o vídeo

É possível tocar o tema do Super Mario Brothers numa flauta e fazer beat box ao mesmo tempo? É. E há quem faça outras coisas.

a mary poppins

Hoje, em viagem, li uma passagem sobre São Tomás de Aquino e o riso que, se não me engano, é citada n' "O Nome da Rosa". Por razões disto desligadas, vi à noite a Mary Poppins, filme que trata precisamente do riso enquanto forma de liberdade - e já repararam como o protagonista é, na verdade, o pai George? Claro, eu quis relembrar o filme por causa disto, que, das canções que conheci, é das mais belas e tristes. Em suma, um dia, ainda vou escrever uma coisa de jeito sobre a Mary Poppins. É filme bem mais subversivo do que parece.

a previsão da conversa

São Bento, hoje:
- Então, Al, como está? Poluição e tal, muito mal, hã? Pois dava-nos jeito aqui isto e aquilo para fazer não sei o quê, MIT e assim, está a ver? Em 2008, vai-se candidatar?
- Não.
- Ah. Bom, e a família?

o louvor

"Jesus disse 'aquele que estiver sem pecado que atire a primeira pedra' e ficou apenas ele e a mulher. Então acrescentou: 'eu não te condeno, vai, e não tornes a pecar'. O nosso magistério, papas e bispos, não pode esquecer isto", considerou o padre Manuel Costa Pinto.

Por outro lado, o padre afirmou não compreender como "pessoas sensatas" podem alhear-se do "verdadeiro infanticídio" que muitas mulheres cometem depois do nascimento dos filhos.
No Público, um homem sem medo fala do medo das mulheres.

a frase

a medalha

Cavaco Silva condecorou Souto Moura "com muito gosto". Será que os outros condecorados o foram só "com cumprimentos"?

o aborto 6

Ouvi no Telejornal Maria do Rosário Pedreira, deputada independente pelo PS, defender a suspensão dos julgamentos por aborto em alternativa ao "Sim" no referendo.

Confesso que não conheço exactamente os termos em que se defende esta "suspensão dos julgamentos por aborto", mas é bom que esta questão seja melhor esclarecida juridicamente. Eu acho que a aprovação pela Assembleia da República de uma lei que criminaliza um tipo de ilícito ao mesmo tempo que suspende a sua aplicação implica que a Assembleia da República estará a orientar a acção dos tribunais para além da mera definição do que é ou não é ilícito. O problema é que os tribunais são independentes na sua "competência para administrar a justiça em nome do povo" (arts. 203º e 202º n.º1 da CRP). Portanto, ao dizer-lhes "suspendam os julgamentos deste comportamento previamente tipificado como crime", a AR está a violar os deveres de separação e interdependência impostos pelo art. 111º CRP. A solução seria boa para quem gosta de manter as aparências, mas, ao violar o princípio de separação de poderes, é inconstitucional.

Por outro lado, a figura jurídica de um "crime sem pena" ou de um "crime sem criminoso" não me parece correcta. O Direito Penal é uma espécie de peso-pesado dos Direitos, porque se debruça sobre os comportamentos que, por serem excepcionalmente ofensivos para bens jurídicos considerados fundamentais (vida, integridade física, património, paz, etc.), exigem a intervenção coactiva do Estado enquanto punidor. É por isso que não pode haver crimes por analogia (art. 1º n.º3 CP) - porque a sua excepcionalidade exige um especial cuidado na forma como são definidos. Ora, eu não compreendo como é que um comportamento pode ser considerado "crime" - excepcionalmente ofensivo - ao mesmo tempo que se diz "o seu autor não pode ser punido". É uma contradição básica: uma coisa não pode, ao mesmo tempo, ser e não ser (importante). Mas, mais uma vez, a solução seria boa para quem gosta de manter as aparências. E isso diz muita coisa.

o filme da semana



Download (Quicktime).

O Joey e o David têm site aqui.

as palavras


- And we have Theresa on the line.

- The day will come for you, Barry. And there will be a reckoning, an adding up and a totaling. Those who turned away will be turned upon. And I don't care what your story is, Barry. You are responsible, and there will be no confusion at your trial. It will be short, and necks will crack. The whips will strip your back bare to the bone, and your children will cry for you... as they are slaughtered before your eyes. You... The Jews will hang high over the streets. You will be buried in piles. You dig your own holes. I am here merely to tell you that the day will come. It will.

- Believe it or not, you make perfect sense to me. I should hang. I'm a hypocrite. I ask for sincerity, and I lie. I denounce the system as I embrace it. I want money and power and prestige. I want ratings and success. I don't give a damn about you or the world. That's the truth. For this, I could say I'm sorry, but I won't. Why should I? I mean, who the hell are you anyways, you audience? You're on me every night like a pack of wolves,'cause you can't stand facing what you are and what you've made. Yes, the world is a terrible place. Yes, cancer and garbage disposals will get you. Yes, a war is coming. Yes, the world is shot to hell, and you're all goners. Everything's screwed up, and you like it that way, don't you? You're fascinated by the gory details. You're mesmerized by your own fear. You revel in floods, car accidents. Unstoppable diseases. You're happiest when others are in pain. That's where I come in, isn't it? I'm here to lead you by the hands through the dark forest... of your own hatred and anger and humiliation. I'm providing a public service. You're so scared. You're like a little child under the covers. You're afraid of the bogeyman, but you can't live without him. Your fear, your own lives, have become your entertainment. Next month, millions of people are gonna be listening to this show, and you'll have nothing to talk about! Marvelous technology is at our disposal. Instead of reaching up to new heights, we're gonna see how far down we can go. How deep into the muck we can immerse ourselves. What do you wanna talk about, hmm? Baseball scores? Your pet? Orgasms? You're pathetic. I despise each and every one of you. You got nothing, absolutely nothing. No brains, no power, no future. No hope. No God. The only thing you believe in is me. What are you if you don't have me? I'm not afraid, see? I come in every night, make my case, make my point, say what I believe in! I tell you what you are. I have to. I have no choice. You frighten me. I come here every night, tear into you, I abuse you, I insult you, and you just keep coming back for more. What's wrong with you? Why do you keep calling? I don't wanna hear it anymore. Stop talking! Go away! You're a bunch of yellow-bellied, spineless, bigoted, quivering, drunken, insomniatic, paranoid, disgusting, perverted, voyeuristic, little obscene phone callers. That's what you are. Well, to hell with you. I don't need your fear and your stupidity. You don't get it. It's wasted on you. Burros before swine. If one person out there had any idea... of what I'm talking about... Fred, you're on Night Talk.

- Yes. You see, Barry, I know it's depressing that so many people don't understand you're just joking.

- Jackie, you're on Night Talk.

- Hello. I've been listening for years, and I find you a warm and intelligent...

- Arnold.

- What you were saying before about loneliness, I'm an electrical engineer...

- Lucy.

- My mother is from Waco and wants to know if you went to high school...

- Larry.

- Why do people insist on calling homosexuals normal?

- Ralph!

- I'm in my house. I'm at home, which is where you should be, Barry. Hey, I'm not far away. You could come over if you want. We're the same kind of people. I have beer, soup. I'm here. Come over later. I'll wait.

Silence. Barry cries.

- Barry, there's 60 seconds left in the show. This is dead air, Barry. Dead air.

- I guess we're stuck with each other. This is Barry Champlaign.

a barra

Fiz algumas mudanças e acabei com a barra lateral. Era-me inútil desde que comecei a usar o Bloglines e pesava-me no blog. Além do mais, sempre dei mais valor a links vivos e à discussão do que às ligações inertes da barra. Os blogs que leio estão aqui. Se estão tristes, ouçam a música.

lomba e moreira

Reparem como o Pedro Lomba demora 664 palavras para dizer o mesmo que a Francisca diz em 52 (e foi por uma).

o público e os vídeos

Lembram-se de um anúncio à cerveja Imperial que era algo como "Viva [isto e aquilo] e sai uma Imperial" (creio que aqui há uma transcrição próxima)? Pois é. Mas acho que alguém a trabalhar na publicidade para o novo Público não se lembrou.

E, já que falamos em vídeos: nunca pensei que o Shining pudesse ser tão engraçado. Ou a Mary Poppins tão assustadora.

o texto

Um dia, havemos de ir buscar a discussão no blog do Nuno Markl sobre a entrada dos Gato Fedorento na discussão sobre o referendo (dois posts, principalmente: A correspondência de Ricardo Araújo Pereira e Um ponto de vista tão interessante...) não só para falar sobre o referendo ou sobre os limites do humor, mas para saber o que deve haver numa televisão pública - e talvez mesmo para falar sobre o que se fazer com dinheiros públicos em geral.

Ah, ia-me esquecendo: e o texto de Ricardo Araújo Pereira condensa na perfeição anos e anos de debate.

a sociedade, o medo ou outra coisa qualquer

Ora bem, parece que ontem Boston foi inundado com polícias e brigadas de minas e armadilhas porque se pensou que nove anúncios com personagens de desenhos animados podiam ser engenhos explosivos. Foram detidos dois responsáveis pela campanha. Quando saíram, eis o que disseram.

Reparem que é a própria comunicação social que acusa os tipos que passaram o dia na cadeia de não estarem a levar a situação a sério, o que tem piada. Termina em chave de ouro o texto:
The press accuses of them of not taking it seriously but, in a sense, they're taking it just as seriously as they ought to.

a praxe

Eu não sei se, como diz o Roger the Shrubber, as implicações do processo de Bolonha na praxe vão acabar com a AAC. Eu até acho que não. Agora, por favor, não me venham mais falar em tradição. Se uma tradição imposta já está morta, uma tradição reformada é um cadáver com baton.
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