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as palavras

Por uma bela manhã do mês de Maio, uma elegante amazona percorria, numa soberba égua alazã, as áleas floridas do Bosque de Bolonha.
Joseph Grand, in A Peste.

a fiel marianne


Tudo bem que quando gravaram isto ela devia estar encharcada em coisas alteradoras da consciência, mas, bolas, que a mulher era bonita.

(sim, , já tenho o Rock and Roll Circus)

Já que falamos disto: com a profundidade de campo a malhar no plano inicial e a canção mais de igreja dos Stones, a Californication teve a melhor introdução possível.

a frase

Nos Vampiros de John Carpenter não há nenhuma frase parecida com esta (que, ao que parece, foi improvisada por Roddy Piper). Coisas assim não surgem muitas vezes...

as séries de quando era miúdo, 2

No rol anterior, só faltou mesmo isto. Antes de Neal Cassady e Dean Moriarty, antes de Marco Polo e antes de Cláudio Vaz, o primeiro viajante que conheci chamava-se O Cão Vagabundo.

a frase

o seguro de viagem

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Nos dez anos da morte de Diana, não consigo deixar de perguntar: será que Dodi Al-Fayed tinha feito o seguro de viagem da Marks and Spencer? Ou será que o pai dele já tinha inventado coisa igual para os Harrods? Bem, mais importante do que isso ainda é perguntar porque é que a imagem numa página que vende um seguro é a de uns óculos de sol. Não devia ser antes, sei lá, uma de alguém a ter um ataque de desinteria?

as pousadas da austrália

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No seguimento do que escrevi há dias, devo dizer que só estive dez dias fora da Europa, não na Austrália, mas em Moçambique. Uma vez que já vivi 26 anos, oito meses e dez dias, ou seja, 9.746 dias, apenas 0,1% do meu tempo de vida foi não-europeu. Isso dá algo que pensar, principalmente quanto à questão de onde se vive exactamente (num sítio?, na nossa mente?, pode a nossa mente ser um sítio?, e etc.), mas não é esse o propósito desta mensagem. O propósito desta mensagem é: estejam atentos - avizinha-se algo maior do que o Dr. House e mesmo do que esses tais hotéis de Sydney, Melbourne ou Brisbane.

Em Sydney, um homem de óculos imita Jesus Cristo.

a morte de eduardo prado coelho

Não é normal eu usar este blog para fazer elegias, mas, sobre a morte de Eduardo Prado Coelho, o que impressiona mais é o modo como pessoas que não o conheceram em pessoa em nenhuma qualidade tinham dele, ainda assim, uma consciência e um respeito sólidos a partir da sua posição de, como disse José Manuel Fernandes, intelectual público. Pessoalmente, lembro-me de ler O Fio do Horizonte, concordar ou discordar, perguntar-me como é que ele conseguia, interrogar-me sobre o momento do dia em que escrevia e imaginando o assunto que ele escolheria para o dia seguinte. Não sendo seu aluno, conhecido ou colega, inúmeras vezes pensei sobre o pensamento dele. Como eu, milhares haverá e isso merece ser dito e recordado.

as séries de quando era miúdo

Hoje estava a ver o Talladega Nights e a dada altura ouvi um nome que já não ouvia há muito tempo - há tanto tempo, aliás, que já nem me lembrava que o sabia: Manimal. Alguém se lembra também? A memória é muito longínqua, por isso, não sei se passava na RTP ou na TVE, que, até aos dez anos, foi a minha principal fonte de entretenimento. Manimal era uma série de 1983 sobre, como o próprio nome indica, um homem que se podia transformar em animal, em qualquer animal. Para a época e para mim, era espectacular. O sobrenatural da série dava-me muito aquela sensação infantil de "se calhar, não devia estar a ver isto". Metia mesmo um pouco de medo e, acreditem ou não, recordo-me de a minha mãe estar então um pouco preocupada com coisas como esta transformação em pantera negra me poderem impressionar.

O Eusébio não faria melhor. Isto abriu-me o apetite para procurar mais coisas desse tempo. Esta já deve ser mais conhecida: o Automan, um tipo com um fato apertadinho que emitia luz e que fora inventado - sim, o tipo, não o fato - pelo seu parceiro de aventuras (que, por acaso, é o Desi Arnaz Jr, filho da Lucille Ball e do Desi Arnaz). Enfim, nada que hoje não se encontre em certos locais da noite portuguesa, mas que, na época, era um pouco raro. Curiosamente, esta série tinha uma certa afinidade com o Manimal e elas chegaram a filmar uma cena conjunta. No Google Video há muitos episódios completos, aqui fica só o genérico.

Levado no embalo, decidi ir à procura de uma série que já descrevi a algumas pessoas sem que ninguém me conseguisse elucidar quanto ao nome: uma animação sobre um adolescente que se transforma em carro (um Camaro) quanto fica muito quente. Descobri-a, finalmente! Chamava-se Turbo Teen e nela passava-se isto.

O mais porreiro era que os amigos do Camaro saltavam para dentro dele para caçar mauzões (ele falava com eles através do auto-rádio), o que seria uma óptima solução para quando às vezes se sai de certos locais da noite portuguesa e não se sabe onde se deixou o carro. Curioso é o facto de nenhuma destas séries ter passado duma temporada (Manimal, então, teve só oito episódios), o que me leva a deduzir que a televisão as comprava na época porque tinha pouco dinheiro e elas eram baratas... Para concluir, a excepção à regra: o genérico de Dear John, uma série sobre um grupo de auto-ajuda para pessoas divorciadas. A personagem principal era, lá está, o John - Judd Hirsch, conhecido pela série Táxi e pela personagem de psicólogo no filme Vidas Simples (e, mais tarde, por ser pai de Jeff Goldblum em O Dia da Independência). Lembro-me perfeitamente de, na época, estar a começar a aprender inglês e de ficar contentíssimo por descobrir, a dada altura, que a letra da música do genérico - nunca a consegui tirar da cabeça e cantarolo-a de vez em quando - era a carta que a mulher de John lhe deixara. Também me lembro de nunca ter gostado da personagem Kirk e, por isso, ter ganho antipatia ao nome. E, por último, lembro-me de o Mário Crespo ter dito, num programa infantil em que miúdos faziam entrevistas a adultos, que esta era a sua série preferida, o que também me deixou contente, pois não sabia que seria possível o Mário Crespo gostar das coisas de que eu gostava.

a carolina

Isto é bom demais para não ser visto.

Veio-me à memória uma outra miss, bem mais simpática.

o pedido de ajuda


O que estão a ver aqui em cima é uma caneta Uni-Ball Eye Micro, UB-150, preta. Ao contrário do que alguns poderão estar a pensar, eu não perdi esta ou nenhuma das canetas Uni-Ball com que normalmente escrevo (sim, detesto querer escrever e não ter caneta, o que foi?). O que vos peço aqui é outra coisa: ONDE É QUE EU POSSO COMPRAR PACOTES SÓ COM CANETAS PRETAS DESTAS? Eu lembro-me de uma vez ter comprado um com talvez mais do que meia dúzia, mas já não me recordo onde. Desde então, o máximo que consegui encontrar foi uma caixa com todas as cores do arco-íris - e só duas pretas!

as palavras

The future is now. Soon every American home will integrate their television, phone, and computer. You'll be able to visit the Louvre on one channel, and watch female mud wrestling on another. You can do your shopping at home, or play Mortal Kombat with a friend in Vietnam. There's no end to the possibilities.
Judd Apatow (ou Lou Holtz Jr.), O Melga, 1996.

o genérico

O genérico da série Dexter é dos melhores que tenho visto. Dificilmente seria possível passar tão bem o tema da série: um técnico forense que esconde o facto de ser um serial-killer (mas, atenção, só mata gente má) e que tanto numa qualidade como noutra tem o sangue como vida. Vejam lá se o trailer não é todo à volta de sangue e dissimulação. Genial.

o poeta: joão cabral de melo neto

(retirado daqui)
Por que é o mesmo o pudor
de escrever e defecar?
Não há o pudor de comer,
de beber, de incorporar,
e em geral tem mais pudor
quem pede do que dá.
Então por que quem escreve,
se escrever é afinal dar,
evita gente por perto
e procura se isolar?
Escrever é estar no extremo
de si mesmo, e quem está
assim se exercendo nessa
nudez, a mais nua que há,
tem pudor de que outros vejam
o que deve haver de esgar,
de tiques, de gestos falhos,
de pouco espetacular
na torta visão de uma alma
no pleno estertor de criar.
(Mas no pudor do escritor
o mais curioso está
em que o pudor de fazer
é impudor de publicar:
com o feito, o pudor se faz
se exibir, se demonstrar,
mesmo nos que não fazendo
profissão de confessar,
não fazem para se expor
mas dar a ver o que há.)

a dúvida

A prática faz com que o que era intuitivo passe a exigir consciência. Qual é, afinal, a função da ficção?

as certezas

Quando tinha 14 anos, fartava-me de ouvir que a adolescência era um período complicado, em que uma pessoa anda à procura da identidade e essas coisas, mas, na verdade, a única coisa que me chagou o juízo durante a adolescência foi o acne. Agora, com 26 anos, olho para mim e à minha volta e parece-me que a malta livre, respeitável e adulta tem ainda menos certezas do que quando era mais nova.

Mais alguém acha que isto da idade não vai nos discursos da moda?

as séries: entourage e californication

Nunca pensei que um dia estaria a acompanhar duas séries sobre Los Angeles. É curioso que ambas sejam sobre nova-iorquinos a viverem lá, mas as semelhanças acabam aí - elas estão de lados diferentes da barricada. Entourage é sobre tipos que adoram a vida que têm em LA e fazem tudo por mantê-la, Californication é sobre um tipo que a quem a cidade gasta. O engraçado é que elas coincidem no retrato da cidade: obsessão com a aparência, com a juventude, com o glamour. Concordância na substância, discordância na posição.

a série: flight of the conchords

Há dois dias, vi de enfiada os episódios que me faltavam dos Flight of The Conchords. O terceiro pareceu-me o mais frágil da série até agora, mas todos os que lhe têm seguido são absolutas pérolas. Estou a gostar mesmo muito do desenvolvimento da personagem do Murray, o manager incompetente, mas bem intencionado (interpretado pelo comediante Rhys Darby): a separação da mulher, a consciência do ridículo dos negócios que arranja para a banda, as dúvidas sobre as suas próprias capacidades de negociação, a investida quixotesca no financiamento de uma desastrosa warm up tour com as poupanças conjugais, tudo se tem juntado para formar uma personagem engraçada e vulnerável, com um certo tom de tristeza. A riqueza das personagens é mesmo um dos "mais" da série: Mel, a fã número única da banda (excelente Kristen Schaal), é uma geek com um lado sexual extremamente forte, uma inocente que levou à derrocada da vida do marido Doug e o utiliza para alimentar as suas fantasias com Jemaine e Brett. A Mel, aliás, tem um vblog bem porreiro, o que me parece uma estratégia bem pensada para fortalecer a personalidade da série.

a lição de escrita criativa de kurt vonnegut

Primeira regra: não usem o ponto e vírgula. É um travesti hermafrodita que não representa coisa nenhuma. Tudo o que faz é mostrar que andaram na faculdade.
d' Um Homem Sem Pátria - Memórias da América de George W. Bush, Julho 2006, Tinta da China.

o teaser da ópera

Já está online o teaser da ópera Bichus.

as pousadas de paris

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Por acaso, uma vez fiquei, não num hôtel en Paris, mas numa pousada, ou, como é en vogue dizer-se, num hostel (meu Deus, odeio estrangeirismos!). A vida nocturna nesse sítio reservava-me uma alemã de meia-idade a despir-se à minha frente numa camarata colectiva - ou melhor, à frente da envergonhada filha adolescente e dos meus amigos, que eu já dormia. Fortes pensamentos de inversão da situação passaram por três cabeças nessa noite. Enfim, sexo, drogas e alemãs de meia-idade - é a Paris turística. Na Paris real, claro, não há nada disso. Pelo menos, sexo e drogas não.

o filme: i'm not there

Isto vai ser bom. Vai ser mesmo muito bom.

o caso verde eufémia

Parece-me que o caso Verde Eufémia está a ofender muita gente. Pacheco Pereira, por exemplo, anda a escrever há dias sobre o assunto. O mesmo Pacheco Pereira que em 2003 defendeu a invasão armada do Iraque ofende-se quatro anos depois com cem tipos a desbastar um campo de milho. Milhares de soldados a invadir ilegalmente uma nação soberana para alterar o mapa geopolítico e gerar anos e anos de confusão no Médio Oriente - bom. Cem tipos no Algarve a dar cabo de um hectare de milho - mau. Talvez alguém devesse dizer a Pacheco que a GNR não interveio porque tinha medo de estourar as armas de destruição maciça que o proprietário José Menezes escondia por baixo da terra. Quem acreditou uma vez, pode bem acreditar segunda. Mas não digo mais nada, que ele ainda vem atrás de mim com uma saca de livros...

Apesar de invasões de campos serem frequentes em Portugal (ocorrem pelo menos em todos os finais de liga de futebol), eu acho que a Verde Eufémia não deve sair incólume do que se passou. Primeiro, porque tem um bom nome para uma secção sportinguista do PCP. Segundo, porque, bem, consequências como a responsabilidade civil devem ser esperadas por quem pratica uma acção deste tipo. Mas a verdade é que eles conseguiram o que pretendiam. As pessoas interessaram-se por saber o que são transgénicos, quais as vantagens, quais os riscos, quantas plantações há em Portugal e, nesse sentido, são mais importantes as perguntas que suscitaram do que as respostas que conseguiram. Não deveriam estas plantações ser monitorizadas com especificidade pelo Ministério da Agricultura? A informação ao consumidor não deveria ser mais explícita e ser incluída, não só nos vegetais, mas também na carne? Não deveria ser explicado que, da mesma maneira que permite não usar pesticidas, o milho transgénico pode contribuir para o fortalecimento das pragas e, como tal, desequilibrar o ecossistema? Se as plantações transgénicas triplicaram em Portugal num ano e têm um risco ambiental acrescido, não deveria ser criado um observatório que controlasse o impacto ecológico das mesmas e avaliasse da sua sustentabilidade? O Zero de Conduta tem razão: há coisas a acontecerem mais importantes do que uma invasão de campo. Não se mostram, talvez porque não contém o elemento "famílias de agricultores a passarem fome", mas, de vez em quando, é bom deixarmos o melodrama e pensarmos um pouco no futuro.

o planner

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Definir como trip planner um aglomerado de zeros e uns recorda-me aqueles gurus de LSD que serviam como guias para que as trips dos iniciados fossem agradáveis. O ácido, ouvi dizer, intensifica a paranóia e é bom ter os sentimentos e o couro resguardados. Continuando, o planner da trip, neste caso, é meramente turístico - mas, maravilha das maravilhas, é free. Fosse tudo assim na vida - houvesse, aliás, um free life planner no mundo. Mereceria louvores, ainda que não fosse reconhecido por ninguém. A gente é uma merda.

o documentário

Há anos que andava a querer ver este documentário, o segundo do realizador de Hype! - por isso, abençoada Internet. Desta vez, Doug Pray deixou para trás o rock e debruçou-se sobre o scratch. Se isto não são instrumentistas, senhoras e senhores, não sei o que é um instrumentista.

a sensação

Já alguma vez tiveram a sensação de que, se o vosso computador pudesse falar, ele levantaria o rato na vossa direcção e diria "pára..."?

o jogo: boomshine

Eu não sou especialista em videjogos, mas parece-me que a jogabilidade on-line, muito virada para a escapadela rápida no local de trabalho, ambiciona a maior simplicidade possível. É, no fundo, o princípio kiss, que o André Carita mencionou relativamente ao Tennis Game.

Nesse sentido, Boomshine tem uma mecânica interessante. A intervenção do jogador é limitada a um clique, mas, a partir daí, a jogada desenrola-se de modo quase orgânico, como se fosse uma metáfora das consequências de um comportamento real. Sem medo à palavra, é um jogo bonito.

a série: californication

Quem disser que Californication faz lembrar o velho David Duchovny de Ficheiros Secretos está a mentir. Este Duchovny, batido, com cartilagem, sexualmente explícito, nunca existiu. O Fox Mulder era um tipo obcecado com a verdade que andava à nora num mundo que sabia não conseguir controlar, mas onde tentava desesperadamente encontrar um sentido. Ora, este Hank Moody não quer nada disso. Curiosamente, ele tem muito de parecido com o Grady Tripp do Wonder Boys: é escritor, teve um grande êxito com o primeiro livro, não consegue escrever o segundo e desistiu de tentar. O desejo que o move é o de se reconciliar com a ex-namorada e mãe da sua filha, mas nada de desesperos nas tentativas - enquanto Tripp fuma erva para esquecer, Moody vai com mulheres para a cama. A procura de Mulder não tinha fim à vista. Moody tem o fim ali à frente dos olhos, mas este não quer casar com ele e, entretanto, é preciso andar por aí. Já não me lembro da última vez que houve uma boa personagem de escritor na televisão, mas, se não guinar muito para o sentimental em séries vindouras, esta poderá claramente ficar como um marco.

a escrita à chinesa

o filme: wonder boys

Wonder Boys é um daqueles filmes a que reconheço defeitos, mas que não dá para recusar. Já o devo ter visto dezenas de vezes. Não sei se é pelo Michael Douglas a fazer um papel de falhado charmoso que recusa sexo - o Michael Douglas, meu Deus! -, ainda por cima com a ninfeta Katie Holmes, que agora não se consegue rever sem pensar no sofá da Oprah Winfrey; não sei se é pelo retrato sem-merdas dos charranços e da homossexualidade, talvez, quem sabe, abrindo o caminho a uns Sete Palmos de Terra; não sei se é pelo Robert Downey Jr., pelo burlesco (um travesti, uma tuba, um cão morto, a marca de um rabo no capot de um carro, uma estufa que pode ser o paraíso), pelo modo como o próprio filme simultaneamente é sobre a produção de ficção e a impossibilidade de superar o real, pelo prazer de ver uma adaptação do Steve Kloves pré-Harry Potters (e estes são boas adaptações, mas não lembram tanto os fabulosos Irmãos Baker), pela música do Dylan que ganhou o Óscar - e dou um beijo a quem me encontrar na Internet o vídeo do discurso de aceitação, foi em 2001. A única coisa que me custa no filme é a resolução. Acho que as personagens de Crabtree e James (Downey Jr. e Tobey Maguire) precisavam de mais uma cena, talvez duas, pelo menos um monólogo grandioso de Downey na esquadra - e ele sabe fazê-los.

E, já agora, o Rip Torn, que faz de Q e tem uma deixa com um dos product placements mais hilariantes de sempre (James, inconsciente depois de empurrar um comprimido de codeína com um gole de whisky, é carregado para fora de um bar; Q diz "Do que esse rapaz precisa é duma bela e fresca Coca-Cola!") - esse Rip Torn andou à pancada com o Norman Mailer em 1970 durante a rodagem de um filme. Tentou acertar-lhe na cabeça com um martelo e quem vê o vídeo não pode deixar de pensar duas coisas: primeiro, que ali há psicotrópicos à mistura; segundo, que, para um gajo que andou na Segunda Guerra Mundial, o Mailer bem que parece uma menina a lutar! Ele isso é maneira de se morder uma orelha, senhor Mailer?

a perda

O Max Roach morreu.

a lição

O (bom) documentário de Margarida Metello sobre Pinto da Costa, O Bom, o Mau e o Vilão, serviu para aprender pelo menos uma coisa: cuidado com o Pacheco Pereira com uma saca de livros.

o filme: sangue eterno

Nesta coisa de se apreciarem filmes, há-de sempre haver o momento em que alguém que diz "um filme de vampiros é sobre vampiros" discute com alguém que diz algo como "um filme de vampiros pode perfeitamente ser sobre a ditadura de Pinochet". Foi isto mesmo que pensei ao ver Sangre Eterna, do chileno Jorge Olguín, presente na secção competitiva do Fantasporto 2005. Uma maneira de olhar para a coisa diz que é um filme de vampiros em que não se sabe bem se o que vemos é realidade ou imaginação de uma das personagens. Outra diz que é uma história sobre jovens que rejeitam os pais a procurarem o seu lugar num mundo onde persiste a ideia de crueldade e morte. Cenas finais: um tipo diz que a tortura servia para purificar as almas e grita "isso ainda não acabou!" enquanto é levado por guardas; uma mãe, que passou o filme todo com uma peruca que só retira quando percebe que a filha vai morrer, despede-se dela pedindo-lhe perdão; ao morrer, a filha abre os olhos. Sim, isto é tudo sobre Pinochet - e, sim, o Land of The Dead do Romero é sobre a globalização.

o second life

Depois da Wired, o El País anuncia: o Second Life está deserto.
Y es que los visitantes de SL más que virtuales son inexistentes. El pasado mes de julio, el sitio oficial (Secondlife.com) anunciaba a bombo y platillo que había superado los ocho millones de usuarios registrados (o residentes, como prefieren llamarlos). Pero esas cifras esconden una ciudad fantasmal. Porque, en realidad, apenas un millón de usuarios se logaron para jugar en el último mes y, lo que es aún peor, si alguien entra ahora mismo en Second Life encontrará a lo sumo entre 30.000 y 40.000 usuarios on line, según cifras de la página oficial. Es decir, que los usuarios se registran, lo prueban, se aburren y no vuelven.
Na verdade, o busílis da questão já tinha sido identificado em Novembro do ano passado, quando o hype era imenso e andava tudo a fazer contas aos linden dollars.
I suspect Second Life is largely a “Try Me” virus, where reports of a strange and wonderful new thing draw the masses to log in and try it, but whose ability to retain anything but a fraction of those users is limited. The pattern of a Try Me virus is a rapid spread of first time users, most of whom drop out quickly, with most of the dropouts becoming immune to later use.
Foi mais ou menos o que me aconteceu a mim. Na meia hora que lá estive, não me incomodou particularmente não me saber sentar - achei foi muito estranha uma realidade onde avatares me pedem para lhes clicar no corvo que levam ao ombro e que, vendo o pássaro grasnar, me dizem que é moda lá e que posso comprar um corvo igual na loja. Para mim, o Second Life é isso: o sítio onde corvos digitais ao ombro podem ser uma moda que se paga. De vez em quando, vou mais além no raciocínio: o que diz de todos nós o facto de, perante uma realidade alternativa, completamente aberta à possibilidade (tão aberta como o mundo real e, por isso, tão susceptível à chatice como este), o rumo tomado ter sido fazer uma competição de iniciativa empresarial? O Second Life era algo a caminho de ser um jogo que nunca o chegava a ser, porque lhe faltava um objectivo. No entanto, os utilizadores perceberam isso e, instintivamente, definiram como objectivo ganhar o máximo de dinheiro possível o mais rapidamente possível. Talvez fosse essa, afinal, a única via. O Second Life pode ser uma segunda vida, mas as experiências nele vividas valem metade. Ainda assim, e sabendo da existência lá de comunidades alternativas não regidas pelo lucro, causa-me alguma tristeza reparar em como pouco se pensou que a criação de um mundo virtual pode servir para corrigir as iniquidades do mundo real.
Wired señala que la principal causa de ese fracaso comercial de SL es que la mayor parte de sus visitantes sólo buscan conseguir dinero gratis o practicar perversiones sexuales. Por eso, los sitios más visitados son Money Island (donde se obtienen los linden dollars, la moneda oficial de SL), con 136.000 visitantes de media diaria en junio, y Sexy Beach, el paraíso del sexo, adonde acudieron 133.000. En cambio, el sitio de los grandes almacenes Sears registró 281 visitas, y el pabellón que patrocina Coca-Cola sólo 27.
A verdade é que num mundo digital a Coca-cola não sabe a nada.

a peça de rádio sobre a ópera

Aqui fica a peça que Ângela Braga fez para a TSF sobre a ópera Bichus.
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o comediante

Dan Mintz é um comediante de stand-up que esteve há tempos no Conan O'Brien. Ele desenvolveu uma persona muito particular: nunca olha para o público, nunca se ri e fala num tom arrastado e lento, como alguém que é demasiado tímido para encarar as pessoas de frente e que, no entanto, é capaz dos pensamentos mais escabrosos. Vejam, por exemplo, o set sobre masturbação, onde a piada "The Stranger" parece ser o paradigma do modelo de comédia dele.


Para quem não gosta de masturbação, este vídeo tem maior variedade de temas. Isto é tudo retirado do site Effinfunny.com.


O mais curioso foi que, agradado com a performance de Mintz no Conan O'Brien, enviei-lhe um e-mail, ao qual ele, muito simpático, respondeu alguns dias depois, dizendo isto:
The funny thing is another guy from Portugal emailed me the last time I was on TV. And you two are pretty much the only people outside America and Canada to contact me.
Poderá essa pessoa ser um dos leitores d'A Peste? Diga qualquer coisa, amigo! Pode ser que, para a próxima, poupemos um selo nos e-mails.

o escritor: Daniil Kharms, 2

Mais uma tradução minha de um conto de Daniil Kharms escrito há 67 anos e dois dias.
A Conferência
Pushkov disse:
"O que é a mulher? Uma máquina de amor" - e foi esmurrado na cara imediatamente.
"Porquê?" perguntou Pushkov, mas, como não obteve resposta, continuou:
"Isto é o que eu penso: é preciso fazer a corte a mulheres rascas. As mulheres adoram, ainda que finjam que não".
Neste momento, Pushkov foi esmurrado na cara outra vez.
"O que se passa, camaradas? Muito bem, se é assim, não digo mais nada!", disse Pushkov, mas, depois de um quarto de minuto, continuou:
"As mulheres são todas feitas de modo a serem suaves e húmidas".
Neste momento, Pushkov foi mais uma vez esmurrado na cara. Pushkov fez de conta que não tinha reparado em nada e continuou:
"Se se empinar o nariz a uma mulher..."
Mas neste momento Pushkov levou uma pancada tão forte na cara que pôs a mão na face e disse:
"Camaradas, é absolutamente impossível conferenciar nestas condições. Se isto voltar a acontecer, eu não falo mais!"
Pushkov esperou um quarto de minuto e continuou:
"Onde é que íamos? Oh - sim! Portanto: as mulheres adoram olhar para si próprias. Elas sentam-se em frente ao espelho, completamente nuas..."
Mal disse a palavra, foi esmurrado na cara outra vez.
"Nuas", repetiu Pushkov.
Pum!, deram-lhe um estalo na cara.
"Nuas!", gritou Pushkov.
Pum!, deram-lhe um murro na cara.
"Nuas! Nuas por toda a parte! Mamas e cus!", gritou Pushkov.
Pum! Pum! Pum!, deram-lhe mais e mais murros na cara.
"Mamas e cus numa banheira!", gritava Pushkov.
Pum! Pum!, os murros caíam como chuva.
"Mamas e cus com uma cauda!", gritou Pushkov, rodando sobre si mesmo para evitar os murros.
"Freira nua!"
Mas nesse momento Pushkov foi atingido com tal força que perdeu a consciência e caiu no chão como se tivesse sido completamente eliminado.

12 de Agosto de 1940
Já disse que não há nada de Daniil Kharms editado em Portugal?

a entrevista

Antes de ir para férias, O Funcionário Cansado fez um esforço e pôs online uma bela entrevista do Luiz Pacheco à revista K de Julho de 92.
K: Então as duas prisões foram sempre por atentado ao pudor?

Atentado ao pudor não, estupro, primeiro, atentado ao pudor, e depois outra vez atentado ao pudor. Com a mãe daquele foi pior, foi por rapto e estupro. Não raptei nada. Bem, estupro, faz favor, nasceram três, nasceram dois e meio pelo menos.

K: Porquê «meio»?

Porque acho que esteve metido outro gajo.

A reunião

Depois de 20 anos, David Lee Roth juntou-se novamente aos Van Halen. Nem que fosse só por este vídeo, isso já seria uma notícia a ter em conta.

a ópera

A ópera Bichus vai repetir amanhã, dia do centenário do nascimento de Miguel Torga, integrada nas comemorações oficiais da data pela Câmara Municipal de Coimbra. É às 21h30 no Teatro da Cerca de São Bernardo e a entrada é gratuita.

A morte

Intelectual Anarco Capitalista. Seria uma denominação ridícula se não tivesse descoberto os Joy Division, fundado a Factory Records, sido o primeiro a passar Sex Pistols na TV e o centro da cena de Madchester (bem documentado em 24 Hour Party People). Tony Wilson morreu de cancro, sem dinheiro para pagar a medicação que lhe receitaram porque o venerável NHS do Reino de Sua Majestade só comparticipava esta medicação num número limitado de zonas de códigos postais e o dele, infelizmente, não tinha sido eleito no sorteio.
Do Zero de conduta.

o escritor: Daniil Kharms

Algo Sobre Pushkin
É difícil dizer algo sobre Pushkin a alguém que não saiba nada sobre ele. Pushkin é um grande poeta. Nem Napoleão é tão grande como Pushkin. Comparado com Pushkin, Bismarck é um zé-ninguém. E os Alexandres, Primeiro, Segundo e Terceiro, são meras criancinhas comparados com Pushkin. Na verdade, comparadas com Pushkin, todas as pessoas são meras criancinhas, excepto Gogol. Comparado com este, Pushkin é uma mera criancinha.

Assim, em vez de escrever sobre Pushkin, preferia escrever sobre Gogol.

Porém, Gogol é tão grande que nada pode ser escrito sobre ele, por isso, afinal, vou mesmo escrever sobre Pushkin.

No entanto, depois de Gogol, é uma pena ter de escrever sobre Pushkin. Mas não se pode escrever nada sobre Gogol. Por isso, preferia não escrever nada sobre ninguém.

15 de Dezembro de 1936
Não há nada de Daniil Kharms editado em Portugal.

a guerra da altura

Não sabia nada desta Loudness War que o Julian Gough refere, mas a verdade é que compreendo perfeitamente aquilo de que ele está a falar.
Record companies want their albums to sound louder than the other guy's album, in shops, on your hi-fi, wherever, because people tend to think that the louder of two songs is the better of two songs. That’s just the way our brains are wired.

So record companies have been boosting the overall loudness of CDs. But there's a maximum loudness limit to the digital signal on a CD. Increasing the overall loudness increases the loudness of the quiet bits: but it doesn't (it can't) increase the loudness of the bits that were already at maximum loudness.
Não deixem de ver o vídeo no final do post - clarifica tudo o que não tiverem percebido á primeira.

a europa, as bibliotecas e o empréstimo gratuito 6

A Maria Clara Assunção retoma o tema da Directiva 92/100/CEE, ou seja, da imposição comunitária de pagar direitos aos autores pelo empréstimo público de obras. Já aqui falei do assunto, mas a reflexão da Maria Clara leva-me a reafirmar os dois pontos que me parecem mais importantes nisto tudo.

1. Se o pagamento de direitos levar as bibliotecas a adquirir menos livros, serão os pequenos autores, com obras menos requisitadas, os mais prejudicados, pois perderão nas vendas e não recuperarão em direitos de autor.
A Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas mostra-se preocupada porque entende que, tendo de pagar a taxa sobre os empréstimos, "decresce a verba que é aplicada na actualização do espólio de livros mas também na aquisição de material audiovisual e na promoção de iniciativas culturais ao longo do ano".
2. O raciocínio por trás da directiva é o de que, sempre que um seu livro é emprestado numa biblioteca, o autor perde uma venda (leia-se o último considerando do preâmbulo). Isto é perigoso. Os autores não vivem do ar, mas cabe-nos decidir se queremos viver numa realidade política em que tudo é aferido pela bitola da compra e venda. Por muito que o dinheiro dê jeito a gente que pouco ganha, aceitá-lo desta maneira é aceitar esse mesmo raciocínio - e eu não quero aceitá-lo.
Em ponto algum da legislação portuguesa são isentadas todas as instituições que entre nós emprestam livros e outras obras protegidas. (...) Todas as empresas que desenvolvem investigação científica e tecnológica - como a indústria farmacêutica e dermocosmética, a indústria automóvel, a indústria da construção, etc. - e que têm, naturalmente, centros de documentação - não estão abrangidas por esta isenção.
Os escritórios de advogados que emprestam livros aos seus colaboradores não estão abrangidos pela isenção.
Também as grandes empresas que dispõem de infraestruturas de apoio ao lazer dos seus funcionários - ginásio, creche, piscina, biblioteca - não estão abrangidas pela isenção.
Se um café organizar uma tertúlia cultural e emprestar livros ou filmes aos seus clientes, não está abrangido pela isenção.
Os hotéis que têm biblioteca e emprestam livros ou filmes aos seus hóspedes, não estão abrangidos pela isenção.
Uma livraria que tenha uma secção de livros usados ou em mau estado e que faça empréstimo aos seus clientes, não está abrangida pela isenção.
Os hospitais que têm biblioteca e fazem empréstimo aos seus pacientes internados, não estão abrangidos pela isenção.
Os lares e residências para a 3ª idade que têm biblioteca e fazem empréstimo aos seus residentes não estão abrangidos pela isenção.
Os SPA's, centros de férias, parques de campismo e outros espaços de lazer que têm biblioteca para os seus clientes, não estão abrangidos pela isenção.
Os visitantes da BdJ lembrar-se-ão, certamente, de outros casos.

o vencedor

Do Aqui Há Talento inglês saíram alguns vídeos interessantes - não pela música, mas pelos concorrentes. A Ágata já assinalou o da miúda que canta o Somewhere Over The Rainbow (o auditório congela, ela continua a cantar como se nada fosse, simplesmente contente por lá estar), mas também é bom ver o vídeo da primeira audição daquele que acabaria por vencer o concurso, Paul Potts. Antes de aparecer de fraque na final, ele era apenas um vendedor de telemóveis do Sul de Gales, gordo, com maus dentes e problemas de confiança. Escolheu cantar a Nessun Dorma do Turandot, escolha fácil, com aquele crescendo que é certinho para a lágrima. Eu acho que ele tem uma boa voz, apesar de alguns problemas de dicção do italiano, mas o mais interessante não é isso. Reparem no modo como o tipo esfrega as mãos nos bastidores, no olhar quando se ouvem os primeiros acordes da ária, na expressão humilde quando, no final, recebe uma ovação em pé. Em quatro minutos, percebe-se que Paul Potts é um tipo que já levou muita coça.

o tony ferrino

Sabia de quem usasse este nome como pseudónimo, mas não sabia de onde vinha. Agora sei. É verdade que Steve Coogan parece confundir um pouco o português com o turco e o latino-americano, mas acho que se lhe pode perdoar... afinal, Tony ganhou o que mais nenhum português conseguiu ganhar.

a limpeza 3

Dez conselhos de guionismo de Billy Wilder. Não é preciso dizer mais nada para acrescentar valor.
1. The audience is fickle.
2. Grab 'em by the throat and never let 'em go.
3. Develop a clean line of action for your leading character.
4. Know where you’re going.
5. The more subtle and elegant you are in hiding your plot points, the better you are as a writer.
6. If you have a problem with the third act, the real problem is in the first act.
7. A tip from Lubitsch: Let the audience add up two plus two. They'll love you forever.
8. In doing voice-overs, be careful not to describe what the audience already sees. Add to what they’'e seeing.
9. The event that occurs at the second act curtain triggers the end of the movie.
10. The third act must build, build, build in tempo and action until the last event, and then -- that's it. Don’t hang around.

as coisas que o meu avô diz

(depois de lhe perguntar se tinha gostado de um certo queijo ontem)
"Gostei! Eu, tirando a porrada, gosto de tudo".

a limpeza 2

Salta uma bela entrevista ao casal Robert Crumb, onde se fala da sua adaptação à França (a mudança vê-se no final do documentário do Zwigoff).

a limpeza

Algumas pessoas aproveitam as férias para organizar a casa, o escritório, a garagem. Cá eu estou aqui pelo computador a ver aquilo que não tive tempo de del.icio.usar ou de ler completamente. A pergunta fixa na minha cabeça é: vale a pena? Bem, creio que um anúncio dos 80 sobre cocaína falsa cuja única utilidade é engatar agarradas vale a pena para o blog...

o fim

Este bicho já existia na Terra há vinte milhões de anos. Para perceber melhor o que este número significa, compreendamos que, nesse entretanto, mil vezes poderíamos ter ido de um Cristo a Bento XXI. Ou ainda, pensando que a Humanidade tem 200 mil anos, que este golfinho poderia ter assistido dez vezes a macacos descerem das árvores e fazerem o caminho de conquista do mundo. Agora, o baiji está extinto. De uma maneira ou de outra, os ex-macacos acabaram com ele.

Eu já aqui disse que não acredito muito nesta moda ambiental, não no que tem de ambiental, mas no que tem de moda. Diz-se às pessoas que o que devem fazer é comprar um veículo híbrido, mas são as mesmas empresas que produzem estes que mandam toneladas de lixo para o ar e para a água todos os dias sem remorso. É preciso é parar para pensar em protocolos de Quioto e obrigar a porra das indústrias chinesa e americana a ir com calma. A economia é a gestão de recursos, não a sua destruição. Se não se fizer isto, não adianta mandar a Sílvia Alberto ao Alentejo ensinar a reciclagem aos alentejanos. Isso também é macacada, ainda que ela tenha jeito para o ensino.

As palavras

a subida

Pequeno-almoço em Lisboa, almoço em Aveiro, lanche no Porto e jantar em Monção. Dia verdadeiramente a subir...

os teenagers

No âmbito do módulo de Multimédia do meu curso na Restart, fiz uma amostra de história não-linear e interactiva chamada História dos Teenagers.

Uma chachada sexual adolescente à la nova telenovela portuguesa.

O potencial narrativo dos blogs ainda não foi, parece-me, aproveitado na sua máxima capacidade de desenvolvimento de personagens e metanarrativa, com uma aplicação expressiva dos conceitos de interactividade e não-linearidade. Nesta HISTÓRIA DOS TEENAGERS - que não deixa de ser um mero mini-teste cómico ao formato e à ideia - o leitor é que escolhe o rumo por onde a história segue e a voz que quer ouvir a seguir. Cada personagem tem cinco intervenções, que identificam momentos narrativos. Em cada intervenção, linca-se para as intervenções das outras personagens que partilham esse momento narrativo através do nome destas, bem como para o momento narrativo seguinte da mesma personagem (através da sua "assinatura"). Ou seja, de Julieta 1 linca-se para Romeu 1, Ronaldo 1 e Julieta 2 (ver esquema).

Com isto, pretende-se mostrar que a lincagem tem um enorme potencial expressivo quando usada no âmbito de um blog e, embora a modéstia da experiência não o faça adivinhar, é possível perceber o que isto poderá significar num modelo de vários blogs associados em que cada blog pertence a uma personagem inserida numa narrativa global.

o pedido aos leitores deste blog

Senhoras e senhores, preciso da vossa opinião sobre agregadores de RSS. Para acompanhar os blogs que leio, tenho usado o Bloglines. No entanto, este tem problemas de visualização de vídeos e imagens e isto acabou por se tornar algo irritante. O Google Reader permite resolver isto, pelo menos para o YouTube e o Google Videos, mas irrita-me um pouco aquele design à computador infantil. O Bloglines, na sua secura, agrada-me mais. Assim, preciso de mais perspectivas para poder escolher. Qual usam? O que gostam mais e menos nele? Já usaram o outro? Porque é que mudaram?

o que se passa

Felizmente, já houve férias, por São Martinho do Porto e arredores. E o mais caricato ainda foi descobrir um restaurante indiano no meio de uma pequena terra chamada Nadadouro e descobrir no final da refeição que o Narana Coissoró, não só estava lá a almoçar, como era o dono.

o eléctrico

Apanhar o eléctrico para chegar a casa implica a convivência com os turistas. Eu, que não sou parvo mas também já fui turista, nem gosto nem desgosto: arranca-me um riso maléfico sempre que eu já venho sentado e uma carga de loiros na Baixa entram só para ficarem de pé, faço um outro esgar de gozo quando um espanhol mais falador se deixa cair no pára-arranca da Sé, mas é só. No entanto, confesso que ver uma pessoa a sorrir quando chega ao Miradouro de Santa Luzia e o rio e o sol lhe iluminam a cara - isso faz-me uma certa comoção. Parece então que, afinal, as coisas podem simples.

o valor máximo de utilização aceitável

(via Nocturno 76)
5. Produtos Netcabo sem limites de tráfego associados

5.1. A disponibilização de Produtos Netcabo sem limites de tráfego associados está sujeita a níveis de utilização razoáveis, para que seja possível garantir uma elevada qualidade na prestação do serviço da TV CABO aos Clientes.
5.2. Determinadas acções no âmbito da utilização do Serviço Netcabo, designadamente downloads e/ou uploads de ficheiros de elevado volume, streaming e outras poderão ter efeitos prejudiciais sobre a rede de banda larga na qual se suporta o Serviço, bem como para os restantes Clientes/utilizadores da rede.
5.3. Quando se verifique que os Clientes com Produtos Netcabo com tráfego ilimitado excederam um nível de utilização razoável, a TV Cabo reserva-se o direito de informar os Clientes desse facto.
5.4. Para além de informar os Clientes que excederam um nível de utilização razoável, e a par da referida comunicação, a TV Cabo poderá:
(i) Proceder à cobrança dos consumos adicionais relativamente ao nível de utilização aceitável, de acordo com o preçário TV Cabo em vigor;
(ii) Reduzir a qualidade do serviço, designadamente diminuindo as velocidades de download e upload nos momentos de utilização acima do nível razoável;
(iii) Proceder à suspensão do Serviço Netcabo, com fundamento em violação grave e culposa das condições aplicáveis à utilização do Serviço Netcabo, nos termos da Cláusula 7. das Condições Gerais dos Produtos e Serviços TV Cabo.
5.5. O valor máximo de utilização aceitável é definido com base nos perfis de utilização dos Clientes e pode variar em função da evolução desses perfis.
Ou seja, a TV Cabo não se limita a fazer um contrato com alguém que paga para ter tráfego ilimitado - ela quer é saber se essa pessoa faz um uso razoável do mesmo e, se assim não for, reserva-se os direitos de acabar com o serviço. Fica a pergunta: se a TV Cabo não gosta de oferecer um serviço de tráfego ilimitado, porque é que não define para o público esse tal valor máximo de utilização aceitável e vende um pacote de serviços com ele? Antes confessar que são atadinhos do que mentir aos consumidores...

o gorila

Aqui estão as minhas intervenções enquanto gorila musical no festival Delta Tejo. Todos os restantes vídeos estão aqui.


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