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as coisas que me custam a encaixar

Porque é que a Direita não quer que metade das pessoas se divorcie nem que a outra metade se case? E porque é que o homossexual com a vida mais corriqueira do mundo pode candidatar-se a adoptar em nome próprio, mas não com o companheiro com quem tem a vida mais corriqueira do mundo? Há assim coisas que me custam a encaixar.

um aparte

Ainda relativamente a isto, não tenho vergonha de dizer que o meu azulão foi trocado por um pretinho. Tirem as conclusões que quiserem - como Quim Barreiros, lavo as minhas mãos.

o computador

O meu portátil azul, o Toshiba Satellite que em Dezembro de 2004 me custou mil eurecos e que só este ano já me pediu mais uns gomos, deu um berro gráfico dois meses depois de eu lhe ter instalado um disco novo. Assim, é com alguma dor que me vejo obrigado a desligar-lhe a máquina e declarar a hora de morte oficial - porque falar de cuidados paliativos é bonito, mas aguentar um moribundo à tona de água custa.

Foi o azulão que me acompanhou na CCDR, na advocacia, na Restart, nas PF, no Bode. Nele inventei e escrevi a maior parte deste blog, para além de um montão de textos, vídeos e sons. Honras lhe sejam feitas.

Agora, a questão é só uma, amigas e amigos: pedir o downgrade de Vista para XP, sim ou não?

o padre

Ainda nos Açores, o padre do casamento era um sujeito com ar interessante que disse qualquer coisa sobre ter aprendido a ser jornalista com o bisavô da noiva. Para além de ter falado sobre Katherine Hepburn e o Spencer Tracy, contou a história de um católico executado "pelos comunistas" durante a Guerra Civil Espanhola que, antes de morrer, terá dito "A cruz é o sinal de mais". Por isto, não me espanta a execução: todos sabem que comunista que se preze escreve mais com uma foice.

o caiga quien caiga

Caiga Quien Caiga, formato argentino, foi um excelente programa de humor na Espanha da viragem de século, um balão de oxigénio com que a Telecinco ocupou as tardes de domingo durante a era PP, com uma liberdade e sátira notáveis. Foi o programa que a versão televisiva do Inimigo Público nunca conseguiu ser, que as Noites Marcianas nunca sonharam ser possível. Há quem diga que o Aznar e a mulher se cansaram de ser gozados e pediram ao colega Berlusconi (então primeiro-ministro de Itália e big boss do grupo internacional de media a que a Telecinco pertencia) para puxar o tapete, o que explicaria o fim estranho do programa em 2002. Aqui, o joker Pablo Carbonel faz talvez a mais hilariante entrevista ao Prince que já se viu.



A mais-valia de Caiga Quien Caiga era, acima de tudo, a direcção cómica que lhe era dada pelo elenco. Para além de Carbonel, destacavam-se os apresentadores El Gran Wyoming, Juanjo de La Iglesia e Javier Martín, mas também Tonino, o entrevistador mais dead-pan à face da Terra, para além da mini-banda do Maestro Reverendo - artistas, escritores, jornalistas, músicos, era tudo gente que não estava ali a fazer fretes e que conseguia fazer daquele programa um exemplo maior de ritmo cómico e de gozo algo anárquico. Parecia que no estúdio estava tudo ao molho: audiência, apresentadores, músicos, bonecada. Quando se perseguem políticos para que estes ponham os óculos do programa, muito facilmente se pode resvalar para o escândalo e a palhaçada, mas a verdade é que o Caiga Quien Caiga espanhol foi a coisa mais parecida com o Daily Show que vi... antes sequer de ter visto este!

E confesso que ver o equilíbrio do casting para a versão portuguesa pender para personas televisivas que se popularizaram em telenovelas, reality-shows e programas cor-de-rosa me deixa triste com as vistas curtas da malta. Não é que eu ache que essas pessoas não são capazes de outros registos - algumas já se viram a fazê-los muito bem ou, não se tendo visto, mostraram-se muito capazes de o conseguir -, mas deixa-me céptico quanto ao facto de esse caminho estar sequer a ser considerado por quem manda.

a descoberta

Uma amiga minha tem um namorado holandês chamado Sander. Nos Açores, durante o copo-d'água do casamento de um amigo, tivemos a seguinte troca de palavras (que eu traduzirei para o português para conforto do leitor).

- Sabes, Sander, a nossa geração viu muito uns desenhos animados que eu acho que são holandeses.

- Como se chamam?

- Bocas, ou seja... hmmm... não me lembro do nome em inglês...
(cantando)
Moosh, moosh, moosh, moosh...

- Ah, sim! Os Ox Tales! São holandeses, sim. Um meu professor de neerlandês no secundário era o argumentista.

Breve segundo de silêncio, durante o qual eu fitei Sander com o garfo com um pedaço de lombo suspenso no ar.

- Como?

- O meu professor no secundário, Thijs Wilms, foi argumentista do Bocas.

E então eu chorei.

o penar

Nos Açores, tive uma afta, sofri arranhões nos braços e assaduras nas pernas e torci um pé. Numa só noite, apliquei no corpo um elixir, uma pomada e um spray.

E passaria por tudo outra vez só para saborear mais um bife do lombo no Restaurante da Associação Agrícola de São Miguel.

o escritor que não li matou-se

Ando há tempos para comprar um livro dele. Ensaios sobre a obra dele foram das primeiras coisas que guardei no del.icio.us. Consider the Lobster foi título que nunca mais me saiu da cabeça. Até cheguei a tirar da Internet dois livros, o Infinite Jest e Girl With Curious Hair. Não os li. Mas perdi tempo e agora não poderei dizer que consegui ler David Foster Wallace enquanto estava vivo. Merda.

s. miguel

Nas Furnas, ao lado dos bolos lêvedos da senhora Glória Moniz, vi uma cadela chamada Shakira. E, na praia dos Moinhos, ali pertinho de Porto Formoso, descobri que o snack-bar O Moinho, para além de pertencer ao director do Mensal Açores e de ter o melhor hamburguer dos Açores (talvez de Portugal, diria eu), alberga na sua esplanada 22 porquinhos da índia bem contados. E há peixes que aparecem para nadar connosco no ilhéu de Vila Franca. E há pares de gatitos que nos vêm arranhar a porta a pedir leite como quem diz "senhoura, senhoura". E os açorianos são das pessoas mais simpáticas e hospitaleiras que já conheci, sendo que o Sr. Carlos e a Sra. Ana Maria batem todos por pontos. E há as vidas que dão as voltas e se voltam a encontrar, e as outras que continuam em frente e passam de velhas a novas porque descobriram que ser feliz é a única maneira de ser. E há um grande amigo e uma nova amiga a quem se quer toda, mas toda a felicidade do mundo. E eu só espero que a ganância não estrague aquele mundo. Confio que não, mas nunca se sabe.

os e-mails

Chegado de uma semana de férias, e tirando os que consegui ir vendo numa net lentíssima (que karalho, ò Kanguru!) ainda tenho uns bons 90 ou 100 na caixa de correio. É no que dá ser amado. E assinar newsletters.

a satisfação

De São Miguel, com Internet extremamente lenta e aprendendo a lidar com um tempo em que o sol e a chuva se sucedem como algo que se sucede muito depressa, deixem-me dizer-vos que é tão adorável ver as vaquinhas doces em cima do pasto como senti-las salgadas dentro da barriga. Muito obrigado.

a notícia

o post que demonstra que, afinal, a californication era uma série com a cabeça no ar (ou no chat)

Duchovny's dependency stemmed from an obsession with online porn, of which Leoni is allegedly aware of and has been supportive.

Títulos alternativos:
Tea Leoni: a mulher que segurava no rato;
Duchovny tinha Ficheiros Secretos no PC (e Leoni arrumava-os em pastas);
David Duchovny: computa, mas não com pu... (vocês entendem).

a outra

A TVI tem um telenovela chamada A Outra.

A Outra é também a referência à personagem principal, que, depois de ter sido atacada por um leão em Moçambique e ter sido abandonada à morte pelo marido, afinal sobreviveu e fez uma operação plástica para, sob a capa doutra identidade, se poder vingar.

Porém, há dias, A Outra morreu mesmo/outra vez, afogada numa piscina.

A Outra, personagem, morreu, mas A Outra, telenovela, continua.

Porquê?

o convite

Há um grupo de três pretinhos lindos que quer gravar uma canção de reggaeton comigo.
Luciana Abreu

Serão estes?

os fleet foxes

Quanto mais ouço e quanto mais compulsiva a audição se torna, mais eu me convenço de que os Fleet Foxes fizeram um pacto antes de gravarem o disco homónimo deste ano. Quais Animal Collective! Eles não andam a fazer cócegas ao subconsciente com a pluma do passado, não - eles vão à raiz mais profunda da canção americana e cruzam o folk rock puro do Neil Young com os coros catedráticos dos Beach Boys (género auto-declarado da banda: "jams de harmonias pop barrocas"). E o sentimento que provocam é tão pungente que a música dos Fleet Foxes (líder Robin Pecknold, 22 anos) parece estar sempre a querer acender a Deus - talvez porque o reverb nas vozes lembra paredes de igreja. Mas a cada acorde dá-nos a sensação quase dolorosa de que estamos a ouvir música como nunca existiu.

Por tudo isto é que comecei por dizer que eles fizeram "um pacto" sem dizer com quem. É que não sei se terá sido com Deus ou com o Diabo. Mas sei que a partir de hoje é possível dizer-se "eu posso não ir à missa, mas ouço Fleet Foxes". O que, afinal, dava uma bela t-shirt.

o discurso (2)

Outra coisa interessante em Obama é que não trata a América como simples economia ou país, mas como ideia: a terra da Oportunidade, onde um Futuro melhor é garantido (em troca de Trabalho duro, sem esquecer). Isto é a base do Sonho Americano e, no fundo, a expressão dos EUA como constante materialização de um projecto intelectual e criativo.

No final de Bush, é muito refrescante relembrar isto.

a máscara

Em Campanhã, enquanto alegremente perorava sobre donuts de chocolate e pay-per-shit, um senhor dos seus 80 anos caiu no chão, ferindo-se na cara e na boca e deixando um círculo de sangue no cimento. O INEM chegou pouco depois. Correu tudo bem, mas não esqueçamos que mostrar algo é não mostrar tudo o resto.

as viagens jvn apresentam... lisboa-monção


Eu também mereço um épico e, felizmente, a CP está cá para mo proporcionar! O vídeo, claro, fica na Vidapeste para se ver no futuro. Quem não gostar dos anúncios do Revver pode vê-lo no YouTube (se bem que não nos devamos esquecer que cliques nos anúncios do Revver são receitas para o autor!).
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