Este blog está encerrado.

O autor continua a publicar em http://jvnande.com.

Se quiser ler uma selecção de textos, clique aqui.

AS PORTAS

Esta é uma mensagem da personagem principal do mais recente projecto que escrevi, AS PORTAS. Foi um trabalho extremamente cansativo e exigente (foi filmado um pouco por todo o país), mas também muito compensador. Não vos mentirei se vos disser que no meu último mês e meio não ando a conseguir pensar em muito mais do que isto. Por favor, vejam, acompanhem e divulguem.
Olá. Eu sou o Pedro. Tenho 25 anos, um passe social e uma namorada chamada Carla. O passe tem funcionado sempre muito bem, mas a Carla é uma grande chata, pá!

Por causa da teimosia dela, dei comigo fechado na Pousada de Juventude de Guimarães. Não vou revelar tudo já, mas a "viagem" que fiz para sair foi melhor do que qualquer outra que tivesse feito, com ou sem passe social. Tão boa que as Pousadas de Juventude a gravaram para comemorar os 50 anos e lhe deram um nome. AS PORTAS é um filme-jogo interactivo e não linear produzido pelo Bode Expiatório. Estreia a 4 de Junho em http://www.PousadasJuventude.pt.

Até lá, podes ir lendo o meu blog e visitar as minhas páginas no Facebook e no Hi5, onde encontrarás material de making-of, fotografias, teasers e muito mais.

Achas que me consegues ajudar a encontrar a saída? Vamos ver...

Pedro

no Tropical

(a pedido de uma amiga, recupero este texto, que escrevi no longínquo ano de 2003 para A Cabra)

Aos Domingos, a porta de metal verde não se abre. Fica ali a descansar ou a fazer saudades a quem se acostumou a passar por ela de tal modo que já não sabe para onde mais ir. São quatro anos. Todos os dias, depois do almoço e depois de jantar, pelo menos um cappuccino por dia. Chegar lá, sentar-se, ouvir a ladainha do costume, cafés, cafés, quem quer cafés, era um cappuccino, sr. Madeira, Carlos, João, Ricardo, Filipe, Pedro, Ronald, era um cappuccino, se faz favor. Às vezes, nem é preciso dizer nada. Sento-me lá e deixo-me estar, as coisas não tem de ser automáticas, sentar, beber, ir embora, não, não tem de ser, peço depois. Sento-me lá e fico a olhar para tanta gente diferente, as mesas cheias, a rapariga de cabelo amadeixado de louro e argolas de aro que lhe enquadram a bochecha da cara, o actor de televisão e de teatro que toda a gente conhece mas que ali (cá entre nós?) é mais um, mesmo que alguém vá virando a cabeça de vez em quando para ver melhor e ter a certeza de que o homem também existe e é feito de carne e osso que morrem se uma bala os atravessar, os miúdos mais velhos do liceu lá ao lado, os músicos que dão concertos patrocinados pela Ruc no Tagv e que depois vão para a esplanada beber cervejas de pé, o homem moreno e de casaco de couro, cara de quem já viu muito, sabe-se lá o quê, se calhar até pode não ter visto nada de nada, mas quem vê caras não vê olhares e aquela é cara de quem já viu muito, o que é que se há-de fazer?
Uma vez, uma amiga minha disse-me que não gostava do Tropical. Que demoravam muito a servir o café, que era demasiada gente, confusão a mais. Eu digo que há sítios feitos para matar necessidades e outros para que gostem deles. Como nunca compreendi as pessoas que correm demais de um lado para o outro, eu prefiro as coisas de que possa gostar. Não se passa pelo Tropical, está-se lá. Se o fizermos durante tempo suficiente, ele entra dentro de nós. A esplanada, que este ano ganhou um toldo; a parte de cima, que dantes era mais pequena e alargaram com uma plataforma há algum tempo; a de baixo, iluminada por aquelas enormes janelas que, de vez em quando, se se olhar da maneira certa, parecem um aquário do mundo, com as pessoas a nadar na luz do sol como peixes perdidos em caixas confusas. No Tropical, conheci mulheres, beijei-as, esqueci-me delas; no Tropical, terminei livros em tardes de Sábado; no Tropical, uma amiga chorou no cortejo da Queima, porque se lembrou de que ia voltar para Esposende no fim deste ano e, de repente, a pergunta lhe caiu em cima: onde vou tomar café agora?
Tenho noção de que o Tropical é já bastante antigo, mas nunca soube exactamente a sua idade. Quando penso nisso, lembro-me dos Beatles ("there are places I'll remember all my life..."). E sorrio, porque a idade do Tropical, seja ela qual for, será sempre a nossa. Estejamos nós onde estivermos.
Minhas caras e caros amigos, espero que continuem por aí, apesar do silêncio a que vos tenho votado nestes últimos tempos. Esta interpelação que vos faço não é desprovida de interesse: nas próximas semanas, lançarei aqui, no e-mail, no Twitter e no Facebook várias novidades sobre um projecto online e interactivo do Bode Expiatório no qual tenho andado a trabalhar que nem um louco. Por enquanto, fiquem com o título: AS PORTAS. Até já.
« Home | Próximo »
| Próximo »
| Próximo »
| Próximo »
| Próximo »
| Próximo »
| Próximo »
| Próximo »
| Próximo »
| Próximo »


jorge vaz nande | homepage | del.icio.us | bloglines | facebook | e-mail | ligações |

Novembro 2003 Dezembro 2003 Janeiro 2004 Fevereiro 2004 Março 2004 Abril 2004 Maio 2004 Junho 2004 Julho 2004 Agosto 2004 Setembro 2004 Outubro 2004 Novembro 2004 Dezembro 2004 Janeiro 2005 Fevereiro 2005 Março 2005 Abril 2005 Maio 2005 Junho 2005 Julho 2005 Agosto 2005 Setembro 2005 Outubro 2005 Novembro 2005 Dezembro 2005 Janeiro 2006 Fevereiro 2006 Março 2006 Abril 2006 Maio 2006 Junho 2006 Julho 2006 Agosto 2006 Setembro 2006 Outubro 2006 Novembro 2006 Dezembro 2006 Janeiro 2007 Fevereiro 2007 Março 2007 Abril 2007 Maio 2007 Junho 2007 Julho 2007 Agosto 2007 Setembro 2007 Outubro 2007 Novembro 2007 Dezembro 2007 Janeiro 2008 Fevereiro 2008 Março 2008 Abril 2008 Maio 2008 Junho 2008 Julho 2008 Agosto 2008 Setembro 2008 Outubro 2008 Janeiro 2009 Fevereiro 2009 Março 2009 Maio 2009 Junho 2009 Julho 2009 Agosto 2009