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"Amarcord"

Não posso dizer que a cópia parecesse restaurada ou, pelo menos, que o parecesse muito bem. Não posso afirmar com toda a certeza que a perda se deveu às condições não tão boas do Estúdio 2 dos cinemas Millenium-Avenida, que são (sem sombra de dúvida) as salas principais de Coimbra e que, por isso, deveriam chamar a si maior responsabilidade. Fosse lá o que fosse (e talvez Fellini andasse com o mesmo problema que acossa muitos filmes portugueses - penso nos últimos de Paulo Rocha), o som estava muito mau.

Ainda assim, o tempo. As bruxinhas, que voam no início e acabam de voar no fim. O tempo a ressumar do filme, o tempo da memória, mas também o tempo dentro do que é lembrado. Para quem não sabe, "Amarcord" é uma expressão da região de Emilia-Romagna, onde fica Rimini (cidade-natal de Fellini e cenário do filme), e que significa "eu recordo" - tomem lá para todas as associações. Apenas mais um tópico para reflexão: a linha narrativa de "Amarcord" é criada na consciência, que acolhe impressões de tempo, e não uma história nítida, definida, dura. Isto não tem nada a ver com o onirismo, se bem que também tenha. De todos os Fellinis que já vi, e talvez juntamente com "La Dolce Vita", é aquele em que há uma maior aproximação a algo que será o essencial do narrativo em cinema.

Mais uma curiosidade: o nome da personagem "Gradisca", no filme, vem da frase "Maestá, gradisca...", que significa (segundo aquilo que percebi dos sites em italiano que consultei) algo como "Majestade, encantada". Interessante, interessante, é o facto de ter mesmo existido uma Gradisca em Rimini (Gradisca Morri, falecida em 2001 com 85 anos), mas a sua alcunha não tinha uma origem tão exótica como a que aparece no filme: chamava-se Gradisca apenas porque o seu pai combateu na cidade de Gradisca d’Isonzo aquando da Primeira Guerra Mundial. Para mais informações.
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