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Os poemas antigos: Acertos Veniais, 1

A primeira série de poemas que escrevi chamava-se Os Acertos Veniais. Eram pequenas experiências de adaptação de conteúdos a formas que começava a descobrir – ou seja, foi um início em que tentei perceber as potencialidades expressivas da escrita e adaptá-las à minha vontade.

O poema que se segue foi, efectivamente, o primeiro que escrevi. Foi rabiscado enquanto estudava para um teste de Alemão, na parte de trás de um bloco que usava para apontar vocabulário. Ainda tenho esse bloco e julgo que está lá o dia exacto em que o escrevi, se bem que os últimos quatro versos tenham sido acrescentados depois, para evitar uma suspensão que não me agradava. Na altura, tinha acabado de descobrir Fernando Pessoa na aula de Português e, graças à insistência do meu professor, o Padre Bento, que me ensinara finalmente a saborear o gosto da palavra lida (e dita), devorava também o CD-ROM da Texto Editora chamado Fernando Pessoa Multimédia. Grandes textos, mas eu aqui tentava só traduzir num equivalente escrito o sentimento de estudar.

Porque sei
Que danço devagar,
Não piso mais depressa
A pena que endereça
As coisas ao lugar
Onde sei.

Corro sem tal promessa,
Com o indigo que ceei,
Sobraçado, a rolar
Nos ponteiros do luar
Em que o eu entrei,
Mas onde Eu se cessa.

No entardecido madrugar
Gira a esfera acesa
Na marcha em que parei.
A alvo tronco eu sibilei
O vermelho na defesa
De um azul que não tem mar.

Que Eu me rompesse o ar
Que se prende a esta mesa
E fingisse que o não amei...
Mas assim mal tem que ficar:
A esfera que olha acesa,
O ar preso a esta mesa
E as coisas no lugar onde eu sei.

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