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os muitos livros vendidos

a história


Tem dado na RTP2 nas últimas semanas. É apresentado por um senhor simpático e bem entusiasta chamado Michael Wood, que fala sobre a Índia em tom de fascínio permanente e que parece estar sempre a inventar possibilidades pouco científicas e a engolir petas das populações locais. Um detalhe que, em si mesmo, é muito revelador - o programa não se chama The History (a História-disciplina, com h maiúsculo, chata, calhamaçenta), mas The Story of India, a história, o conto, a lenda. Por isso mesmo, a falta de rigor faz todo o sentido e só faz dele um programa muito mais agradável de ver. Tem sido um prazer egoísta e, assim, só aviso hoje, dia do último episódio.

a carolina do sul

Quem disse que o Obama não sabia discursar?

o álvaro de campos

Tenho uma grande constipação,
E toda a gente sabe como as grandes constipações
Alteram todo o sistema do universo,
Zangam-nos contra a vida,
E fazem espirrar até à metafísica.
Tenho o dia perdido cheio de me assoar.
Dói-me a cabeça indistintamente.
Triste condição para um poeta menor.
O que fui outrora foi um desejo; partiu-se.

Adeus para sempre, rainha das fadas!
As tuas asas eram de sol, e eu cá vou andando.
Não estarei bem senão me deitar na cama.
Nunca estive bem senão deitando-me no universo.
Excusez un peu… Que grande constipação física!
Preciso de verdade e de aspirina.

a imaturidade perdoável

Seria bem capaz de partir os focinhos ao filho da puta que se lembrou de inventar esta merda das constipações.

o comunismo

Enquanto "A Insustentável Leveza do Ser" na RTP2 vai soltando no éter imagens da invasão soviética de Praga, lembro-me que há tempos me espantei muito com uma amiga que é nova demais para se lembrar do dia em que o Muro caiu. Eu tinha 8 anos, claro que não compreendi muito bem o que se passava, mas, olha, via as pessoas contentes, por isso, pareceu-me bem. Mas a minha primeira impressão do que era o Comunismo não foi essa: foram as filas. A URSS era o sítio onde as pessoas tinham de esperar em fila para poderem comprar carne em talhos onde esta se estava sempre a esgotar. E esse foi o primeiro sinal de que havia lá algo de diferente.

Por outro lado, as Lojas do Cidadão têm agora um sistema em que avisam por SMS quando é que a nossa vez está a chegar, de modo a que possamos ir à nossa vida no entretanto. Se na altura do Comunismo já houvesse telemóveis, será que este sistema atrasaria a sua queda? A reflectir.

a crença

Escrever, como tudo o mais, é uma questão de fé. Não completamente desinteressada, mas de fé.

a verdade

Estou há duas ou três semanas para cortar o cabelo e não arranjo tempo. Pura e simplesmente, não arranjo tempo.

a frase que li por acaso no meio duma busca e que está muito bem dita

o pequeno almoço de campeões

Tenho-me andado a rir no eléctrico com Vonnegut e coisas como
A história em si tinha como título: «O Bailarino Louco». E como muitas histórias de Trout focava um trágico problema de falta de comunicação.
Era este o resumo: uma criatura chamada Zog chegara à Terra num disco voador para explicar a forma de evitar guerras e de curar o cancro. Trazia as informações de Margo, um planeta em que os nativos comunicavam por traques e sapateado.
Zog aterrou em Connecticut durante a noite. Mal tocara o solo quando avistou uma casa em chamas. Dirigiu-se apressadamente à casa, dando traques e sapateando para avisar as pessoas do terrível perigo que corriam. O dono da casa fez saltar os miolos de Zog com um taco de golf.
e assim por diante, mas, a cem páginas do fim, no que me parece ser o início de um terceiro acto, o próprio narrador-autor entra no texto e, olhando para o encontro das personagens num bar, diz
Com a aproximação do meu quinquagésimo aniversário, tornara-me cada vez mais revoltado e desiludido pelas decisões idiotas tomadas pelos meus compatriotas. E depois começara subitamente a lamentá-los, porque eu compreendi que ao comportarem-se abominavelmente e com resultados tão abomináveis o faziam inocente e naturalmente: davam o seu melhor para agirem como as pessoas inventadas nos romances. Era este o motivo por que os Americanos disparavam uns contra os outros tão frequentemente: era um mecanismo literário conveniente para finalizar contos e romances.
Porque é que tantos Americanos eram tratados pelo governo como se as suas vidas fossem tão fáceis de dispor como lenços de papel? Porque era essa a forma como os autores costumavam tratar os personagens dos contos que inventavam.
E assim por diante.
Quando compreendi o que estava a tornar a América uma nação tão perigosa e infeliz de pessoas que nada tinham a ver com a vida resolvi abandonar toda essa mentira literária. Escreveria sobre a vida. Todas as pessoas seriam igualmente importantes. A todos os factos daria igual importância. Nada ficaria de parte. Ao deixar que os outros ordenassem o caos, decidi estabelecer o caos na ordem, o que julgo ter conseguido.
Se todos os escritores procedessem assim, talvez os cidadãos sem interesses literários comerciais compreendessem que não existe a ordem no mundo que nos rodeia e que em vez disso nos devemos adaptar às exigências desse caos.
A adaptação ao caos é difícil, mas não impossível. Eu sou uma prova real de que se pode fazer.
o que, em si, é todo um programa. Fiquem a saber que o meu exemplar do livro é uma primeira edição portuguesa de 1973, tradução de Maria Emília Ferros Moura e edição de uma tal Futura. Nunca ouvi falar desta editora e nada sei para além do que o livro me diz - que de Vonnegut editou também Matadouro 5 e que tinha sede na Avenida 5 de Outubro, n.º 317, 1º andar. A tradutora, vejo, foi-o também de vários títulos de ficção científica. Mais alguém tem informações sobre isto?

a luz

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Por outro lado, Francisca sempre foi rapariga para andar às voltas com a luz. Tirar fotografias é, afinal, estabelecer uma relação estável com esta (e com as suas variações de vontade, e ritmo, e temperatura). Como tal, coisas destas sempre lhe deram, e darão, jeito. Quantas vezes a ouvi dizer naquele tom de quem está sempre a tropeçar em malas nos comboios "Ò Jorge Vaz Nande, uma destas light fixtures é que era para o meu próximo retrato", e eu dizia "Pois, Francisca, para a bathroom ou para o ceiling, estás à tua vontade!", e ela perguntava, franzindo o farto sobrolho, "Caçoas, Jorge Vaz Nande?", e eu dizia "Esquece!" e, como um raio, fugia de sua casa levando a minha chávena de café e um ou outro açucareiro que lhe pertencia. Francisca não é para brincadeiras, senhores!

os aspiradores

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A Francisca Moreira, dona de gatos brancos e surdos, foi quem se mostrou mais resmungona com a publicidade n'A Peste. Curiosamente, foi também ela a pessoa que mais vezes me pediu o aspirador emprestado nos gloriosos tempos em que pertencíamos ao mesmo clube da Pedro Monteiro, em Coimbra. Ah, quantas vezes me virei para ela e disse "tu tens é de arranjar um bissell vacuum só para ti", e ela dizia-me "lá estás tu, Jorge Vaz Nande, com essa conversa inconsequente", mas nunca ia muito para além disso, pois tinha de assistir um dos gatos, que acabara de cair do terceiro andar, bater de cabeça numa porta de vidro ou ficara confuso com fantasmas de moscas. Agora, os tempos mudaram e Francisca aspira outros chãos. Apesar de tudo, os gatos permanecem assim como que algo parvos.

a segunda pergunta

Qual é o melhor livro de histórias verdadeiras (manual de História, compilação de crónicas, panfleto turístico - o que for) sobre Lisboa?

a primeira pergunta

Alguém quer vender-me a antologia "Poetas sem Qualidades" da Averno?

o tratado de paz para todo o sempre

a britney

Não é espantosa a rapidez com que se passa de pita a puta?

a diferença *

The material written and/or performed by humorists tends to be more subtle and cerebral than the material created by stand-up comedians and comedy writers. The intention is often to provoke wry smiles and amusement rather than outright belly laughs.

a lição

Pode-se não saber onde fica Budapeste e não ser burra de todo.
- I'm listening to what you're saying, but I only hear what I want to.
- That's just called being a woman.
- Well, we could just call the show "Are You Smarter Than a Man"...

2.

O livro vendeu pouco. Ele processou a musa.

1.

Todos os livros que o rodeavam e que ele não lera – o Shandy, o Ulysses e outros com “y” no nome – uniram-se, formando uma enorme cabeça. Percebeu, a um canto da boca, toda a estante de filosofia. Arrependeu-se de ter decidido que os filósofos não valem a pena desde Atenas – principalmente, de não o ter decidido antes de comprar os livros. “Ao menos safei-me do Drácula”, pensou. Mas rompeu-lhe a lágrima quando a boca se cerrou sobre ele e, começando a perder os sentidos, se lembrou de que nunca lera o Moby Dick.

o (des)franzir do sobrolho na morte de luiz pacheco

No dia em que se sabe da morte de Luiz Pacheco, será pedir muito que a RTP programe para estes dias o excelente documentário que António José de Almeida realizou há dois anos, Luiz Pacheco - Mais um dia de noite?

ADENDA: Não era mesmo pedir muito - tanto que o acabei de ver. Boa, senhores!

a vitória de obama

o fait-divers

o peso do fumo

                DENNIS
        You mean, weigh smoke?
 
               PAUL
        Exactly. Weigh smoke.
 
               TOMMY
        You can't do that. It's like weighing air.
 
               PAUL
        I admit it's strange. Almost like weighing
        someone's soul. But Sir Walter was a clever
        guy. First, he took an unsmoked cigar and put
        it on a balance and weighed it. Then he lit up
        and smoked the cigar, carefully tapping the
        ashes into the balance pan. When he was
        finished, he put the butt into the pan along
        with the ashes and weighed what was there.
        Then he subtracted that number from the
        original weight of the unsmoked cigar. The
        difference was the weight of the smoke.

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