a praxe
Volta e meia, lê-se sobre praxe. Nesta volta, trata-se de um artigo que faz um retrato do praxista conimbricense. O problema do artigo do JN é que deixa o caminho aberto a generalizações escusadas. Não quero defender ninguém para além daqueles que merecem uma defesa: compreendo a indignação do Francisco José Viegas, mas é injusto (principalmente para os "por centos" que restam depois de descontada a ignomínia) criar o retrato do "estudante" ou do "praxista" com base nisto, tal como seria criar assunções sobre todos os jornalistas com base nas opiniões recolhidas da percentagem de uma percentagem (ou não há divergências de opinião entre as redacções de desporto e as de cultura?, entre os regionais e os nacionais?, entre os diários e os semanários?). E não é que eu não ache uma perda de tempo - uma excrescência cultural, se se quiser - "desfiles de carros alegóricos, bênção das pastas, missas em descampados (com meninas pintadas à pressa, vestidas de homem, de cabelo escorrido), queima das fitas" e o demais. A questão que fica é se as pessoas não terão direito a essa perda de tempo. É que, apesar de tudo, ainda vai um passo entre tudo isso e um acto de coacção e agressão relativamente ao outro. Enquanto esse passo não for tomado, julgo que devo guardar o meu descontentamento para mim. E depois, ainda estão estas palavras assertivas do próprio Rui Bebiano, autor com Elísio Estanque, do estudo que deu origem ao artigo do JN.
1 Comentários:
Caro Nande,
Não posso concordar mais contigo. Será que o indivíduo não tem direito ao lazer, aos momentos de pura diversão, sem motivação mais do que a mera alegria de estar prestes a terminar uma etapa? Serão rituais básicos, quase pagões tendo em conta que se passam no interior das portas das doutas cátedras universitárias, é certo. Mas não era Hemmingway um conhecido amante da farra sem sentido? E Picasso? e Warhol? E Pessoa? E...
Quanto ao resto, ignorantes são os confundem praxis (tradição) com justificação para actos violentos e escape de frustações pessoais. Ainda assim, tenho pena que seja sempre Coimbra a surgir associada a esse tipo de práticas, quando é sabido que em muitos politécnicos recém-criados por esse Portugal fora se pintam caras e obrigam caloiros a chafurdar em estrume.
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