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o filme: Frankie and Johnny

Frankie and Johnny é um dos meus guilty pleasures mais confessos: já devo ter visto este filme dezenas de vezes. Serve-me para descansar a cabeça, para momentos de manifesta melosice, para rever uma Michelle Pfeiffer que nunca mais achei tão bonita. Apercebo-me, o que acabei de escrever é curioso: na peça original, os protagonistas Kathy Bates e Kenneth Welsh eram gente bruta - aliás, só o facto de Kathy Bates ser substituída por Pfeiffer já é revelador. Ainda assim, eu gosto da escolha e acho mesmo que torna a personagem mais interessante: Michelle pode ser loira e de olhos azuis, mas a personagem Frankie não deixa de ser credível. A solidão não se mede aos palmos, muito menos aos palmos de cara.

Reparem que o filme decorre no tempo de uma semana (Domingo a Domingo), alentecendo o ritmo a partir da noite de quinta-feira, a primeira que Frankie and Johnny passam juntos. Sim, a grande história de amor entre duas pessoas solitárias acontece só durante três noites, o resto é introdução. Mas há coisas que não me saem da cabeça: a sequência em que as empregadas e os empregados do restaurante estão nos respectivos vestiários e falam sobre a ejaculação precoce de Johnny (elas) e a possibilidade da poesia em Nova Iorque (eles) - a mesma em que Kate Nelligan/Cora (pena que esta personagem não tivesse tido mais tempo de filme) é enquadrada de corpo inteiro, como se o espectador a visse no teatro, e parece ter rédea solta para oscilar entre a Pfeiffer/Frankie de um lado e a Jane Morris/Nedda do outro -, a ingenuidade brutal de um camião se revelar cheio de flores atrás dos protagonistas no preciso momento em que estes dão o primeiro beijo a sério, o Al Pacino brincalhão, sincero, imaturo (sinceramente, apetece conversar com o gajo), o Nathan Lane como melhor amigo de Frankie e a fazer rir só com um revirar de olhos.

Eu sei perfeitamente o que faz com que eu goste do filme, apesar de algum facilitismo narrativo: é que ele respeita até ao fim as personagens, as suas fragilidades - ao fim e ao cabo, a sua humanidade. Apesar de divergir da peça no sentido em que esta se passava só durante uma noite e no quarto de Frankie, o filme acaba por ter os seus momentos de maior força precisamente nas conversas entre esta e Johnny, quando ele a obriga a deixar cair a armadura. Ok, será isso - mas, então, porque é que eu fico sempre de lágrima no olho quando o locutor de rádio volta a passar a Clair de Lune?

1 Comentários:

Blogger wasted blues disse...

Também adoro o filme, ainda bem que não estou sozinha :)

E o Clair de Lune... o Clair de Lune...

7:11:00 da manhã  

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