Este blog está encerrado.

O autor continua a publicar em http://jvnande.com.

Se quiser ler uma selecção de textos, clique aqui.

Mais de metade da população masculina adulta de uma pequena ilha no Pacífico foi acusada da prática de mais de 100 crimes de abuso sexual.
(via Boing Boing)

as presidenciais do mundo

As eleições presidenciais dos Estados Unidos interessam-me por duas razões. Primeiro, porque o perfil e as decisões tomadas pelo seu vencedor terão repercussões e efeitos em mim e em toda a população mundial, e não apenas no universo dos seus eleitores directos (e aí está uma falácia interessante das actuais sociedades democráticas: o candidato eleito ganha um poder que extravasa o raio da sociedade que o elege, ou seja, a democracia não consegue evitar uma aspiração hegemónica do poder); segundo, porque o modo como a comunicação e a campanha política funcionam nos Estados Unidos indica a direcção que a comunicação e a campanha políticas noutros países terão tendência a seguir, o que não é mesmo bom sinal.
Só comecei a ouvir Chico Buarque com mais atenção neste Verão, depois de ler o seu romance "Estorvo". No entanto, posso confessar desde já que nunca ouvi uma canção em português tão pungente como Construção.
A Rebecca Blood descobriu um site que não só imita descaradamente a página de entrada do Google como também copia as entradas da Wikipedia.
Hoje duas freiras tomaram o mesmo autocarro que eu. Reparei que a mais velha delas usava meias de vidro e, por qualquer razão, isso não me parece bem.

Encontrei

Procurei muito até conseguir encontrá-lo, mas, uma vez descoberto o nome original da série ("Ox Tales"), foi fácil. Senhoras e senhores, o genérico de abertura do saudoso Bocas.
O petista Cristovam Buarque foi protagonista do discurso mais apaixonante no encerramento do VII congresso luso-afro-brasileiro de ciências sociais. Cristovam tem um site (cujo título de entrada, agora mesmo, é "Cristovam e Mário Soares querem uma nova esquerda") e, mais importante, um blog.
Uma vez, um amigo perguntou-me porque é que eu desconfio tanto de máquinas. É por isto.

meanings of life

O que não nos mata deixa-nos mais fortes?
Os meus hábitos de espectador de televisão, que têm vindo a minguar desde há uns tempos, diminuem ainda mais em Coimbra devido ao vaivém ininterrupto. A maior diferença (porque, para além de filmes, pouco mais vejo) é deixar de ver quaisquer telejornais, o que complemento com a leitura de blogues e jornais (electrónicos ou não), sendo que frequentemente parto para estes últimos com origem nos primeiros. No entanto, durante este fim-de-semana não me liguei à Internet e, depois de alguns dias a ouvir rumores, agora custa-me um pouco perceber onde estão a direita e a esquerda.

Bom dia, morte

Quando cheguei ao trabalho na segunda feira de manhã, havia na rua o cadáver de uma ratazana acabada de atropelar. Quando nesse mesmo dia saí para almoçar, uma nuvem de varejas voava sobre ele.

Quando hoje chego ao trabalho, do corpo da ratazana resta só um socalco peludo no alcatrão e uma cauda em S intacta.

e se bush ganhar?

16 escritores arriscam vaticínios para uma hipótese que, segundo as projecções tanto democratas como republicanas, parece (tristemente) cada vez mais provável.

Como sobrevivem os réis no tempo do euro

      Sobre o vocábulo conto transcrevo o que ensina o «Grande Dicionário de Dificuldades e Subtilezas do Idioma Português» de Vasco Botelho do Amaral na entrada «Dinheiro»:

      «A palavra latina computus deu-nos cômputo (isto é, cálculo, conta) e conto com o significado de um milhão.

      «Este significado de milhão na palavra conto pode ver-se num muito célebre passo da Nova Floresta, onde o Padre Manuel Bernardes escreveu:

      «O firmamento, pelos cômputos de Ricardo e Clóvis, insignes matemáticos, dista da terra mais de quatrocentos e noventa e um contos, oitocentas e dezoito mil léguas.»

      «Hoje diríamos quatrocentos e noventa e um milhões, oitocentas e dezoito mil léguas.

      «No entanto, como se sabe, ainda empregamos conto de réis, fazendo-se reviver a esquecida significação de um milhão. Tão esquecido (e é nisto que eu quero principalmente fazer advertir), tão esquecido está o sentido de milhão na palavra conto que a ideia de mil (mil escudos) é a que nos ocorre ao falarmos no conto.

      «O povo ainda não sabe filologia, e ainda bem. Não sabe, mas parece que adivinha.

      «Calcule-se que, ás vezes, às notas de conto se chama – notas de quilo. Um conto de réis é «um quilo dele». Dele – todos percebem... de quem é; e cá temos outro eufemismo.

      «Quilo é mil. Já o era no grego (khíloi, mil).

      «É, de facto, curiosa esta coincidência: enquanto no termo conto está desvanecida ou esquecida a noção numérica de milhão, na gíria o quilo vai referindo os mil gramas de dinheiro. Quer o povo dizer, na sua, que as notas de quilo... já pesam coisa que se veja.»


(do Ciberdúvidas)
Approximately 90 houses and duplexes, seven apartment buildings (which contain a combination of over 200 bachelor, one and two bedroom units) over twenty foundations for double wide mobile homes, a shopping centre, two recreation centres, a hospital, a large works yard and a local dock.
Alguém quer comprar isto por um milhão e quatrocentos mil contos?

(via metafilter)

a star is born

As God Is My Cleaning Lady: Crypto-Fado For Bohemian Pagan Popsters.
They can't play their classical Fado guitars very well; they have a punky drummer and the Fado singer not only smiles pouts and shakes her hips, but actually seems to enjoy herself! What's become of this country? Are they mad? Reckless, certainly. They call themselves A Naifa and what they've done is taken a massive, ice-crunching Waring Pro blender to all the sacred potions, fruits and flavours of Portuguese traditional music and poured out a vulgar, shameless, disrespectful and utterly delicious shambles of a Pop cocktail. Heresy in old Lisbon? I nearly choked on my 30-year-old aguardente velha, but then realized I was dancing merrily and had already spilt most of it anyway. [Probably not fun for those unfamiliar with the Fado. QuickTime required.]
Será que este post do Miguel Esteves Cardoso no 20º colocado do top 100 do Technorati ajudará a fazer dos Naifa um fenómeno de culto nos Estados Unidos?
Só com as manifestações em Inglaterra durante a visita de Marcello Caetano e a preocupação pós-25 de Abril com a cubanização de Portugal conheci tamanho interesse internacional com a política interna portuguesa. Cada vez mais se nota que a propagação do hiperterrorismo e a mundialização da contestação são fenómenos paralelos - e fenómenos que, curiosamente, surgiram a par do debate sobre a globalização política e económica. Ou seja, quanto mais a referência da preocupação humana é o mundo, mais os homens se interessam por ele.
Pela primeira vez, na campanha presidencial americana de 2004, a informação de um canal de televisão por cabo - a Fox - conseguiu mais audiência do que a das networks. Este artigo reflecte sobre este acontecimento e sobre o que ele poderá significar na evolução do jornalismo televisivo.

(via Ponto Media)

Judenrein e a costumeira imparcialidade

Em 1938, Heinrich Rothmund viajou até Berlim em campanha contra o que descrevia como a 'judaização' da Suiça. Na capital alemã exigiu que os refugiados judeus tivessem o seu passaporte carimbado com um J vermelho, para que a polícia suíça pudesse identificá-los nas fronteiras e impedir a sua entrada.

lendo as breves

Nenhum pai da Constituição quis dizer que todos aqueles com rendimentos elevados têm direito a serviços gratuitos por parte das unidades de saúde.
Santana Lopes: a saúde não deve ser uma garantia universal do Estado.
Não é que eu tenha algo contra o António Granado, mas fico muito feliz por já lhe terem acabado as férias.

madonna

Seria talvez possível pegar em Madonna e Michael Jackson, nomeá-los os dois maiores ícones dos anos 80 e contrapor o bom aspecto da primeira à gradual deterioração física do segundo.

No entanto, não me sai da cabeça que o bom aspecto de Madonna é de 20 e muitos, 30 e poucos, e que ela tem 46 anos. Não chega à esquisitice do Jacko, mas ela também é uma freak.

o cinema clandestino

Confesso que percebi mal a notícia do Público que anunciava a descoberta de uma sala de cinema clandestina e que eu julguei referir-se a um cinema antigo e esquecido sob o pó dos tempos. Seja como for, o Guardian já descobriu os piratas cinéfilos que aproveitavam o espaço para projecções secretas.

(via Boing Boing)

'Al Gore'

o dia

Há três anos, estava a estudar Direito Processual Civil na sala de leitura da Faculdade de Direito junto a um amigo chamado Pedro. Recebi um sms da minha mãe ao princípio da tarde a dizer que um avião tinha chocado com as torres do World Trade Center. Não liguei, pensando que tinha sido um acidente qualquer com uma avionete particular, e voltei a concentrar-me nas excepções peremptórias e dilatórias. Depois, eu e o Pedro apercebemo-nos melhor da dimensão da coisa e fomos acompanhar as notícias para o Couraça, único café ali perto com uma televisão ligada. Naquele dia, não estudámos mais.

Há trinta e um anos, eu ainda não tinha nascido.

dura lex

O Ricardo do CineArte explica em poucas palavras aquilo em que o legislador da nova Lei do Cinema parece não ter pensado muito. Por outro lado, ontem vi-me obrigado a comprar o Código de Trabalho sem a regulamentação e hoje saiu uma edição nova e pouco mais cara que reúne os dois...

fahrenheit 9/11

Michael Moore é um homem alto e gordo. A sua condição no mundo parece impor-lhe o desconforto, ou melhor, uma constante consciência física de si. Talvez venha daí a sua tendência reinvindicativa (ou o inverso), talvez seja pelo modo explícito como essa desadequação do mundo se transpôs para o seu corpo que o homem inspira simpatia. Fahrenheit 9/11 não é de propaganda, porque propagandear é divulgar, defender, e este filme não acrescenta ao passado, apenas o revela. É com certeza um filme de intervenção e, se esta notícia se confirmar, será exibido na televisão americana antes das eleições. Desta maneira, a campanha politica abre-se à opinião civil não partidária através de uma visão fortíssima sobre as iniquidades na administração Bush. Discutível, será sempre; parcial, não diria - prefiro subjectivo. Inútil ou dispensável? Nunca. O que Fahrenheit 9/11 diz precisava de ser dito.
Não é sempre curioso quando Alberto João Jardim diz 'fascistas' como insulto?
Onde (ou quando) estamos quando a forma de arte que mais consideramos em sintonia com o nosso tempo começa a ter interesse arqueológico?
Passei por uma exposição que não sabia que existia e vi três pessoas conhecidas retratadas. Nuas. No mínimo, foi estranho. No máximo, foi lírico.

votar (do) contra(riado)

Eu não gosto de Bush, eu não gosto de Kerry. Eu não quero que Bush ganhe e, por isso, compreendo que seja necessário que Kerry vença, mas, verdadeiramente, eu não quero que Kerry vença. Se estivesse nos Estados Unidos, a minha consciência debater-se-ia num dilema entre o branco ou o deslavado.
Talvez haja exagero do Público em chamar 'vandalização' aos graffiti pró-aborto feitos na sede do Cds-Pp quando depois refere que foram feitos em tapumes de obras e na porta de entrada. Apesar da estranheza, não me parece um ataque tão violento como isso, principalmente depois de ontem ter ouvido o meu avô a contar dos ataques às sedes do Pcp em 1975. Mas que cada vez se evidencia mais uma profunda divisão em Portugal, disso nao há dúvida.
Amanhã volto para Coimbra, trancando a porta à memória até nova altura. Deixo aqui algumas coisas e parto ao reencontro de outras. Pergunto-me se a viagem de autocarro de cinco horas será o momento em que, só às vezes, posso estar mais próximo do presente.

Isto é tudo papelão

Ou porque é que a aterragem da NASA na Lua foi uma fraude planetária.

Brasil

Ângela Berlinde é o pseudónimo on-line de Ângela Ferreira, fotógrafa portuguesa que apresenta um belíssimo trabalho sobre 14 comunidades indígenas brasileiras. Também o Brasil, mas o das cidades, é o tema do projecto "Canto do Brasil", de Geoffrey Hiller.

Zita vai c'o povo

Um salão de cabeleireiro. Zita está sentada com a cabeça enfiada num secador, que faz um barulho ensurdecedor. Idália aproxima-se, distraída.
ZITA - Ò menina. Você aí.
IDÁLIA - Eu, senhora?
ZITA - Sim, você. Como é que se chama?
IDÁLIA - Idália, senhora.
ZITA - Amália, sim senhor, nome nosso. Então e oiça, Amália... tem carro?
IDÁLIA - Mercado? Não, eu vim do café.
ZITA - Anda a pé, é do povo. Bom, bom. Usa contracepção?
IDÁLIA - Na recepção, sim, é lá que trabalho.
ZITA - Sim? Olhe... e a Amália já abortou? Nunca abortou, pois não?
IDÁLIA - Eu não, senhora, que eu nunca faço refeições pesadas...
ZITA - Certíssimo. Obrigado, Amália.
IDÁLIA - De nada, senhora. Mas... estou a conhecê-la. Você já não foi comunista?
ZITA - Olha, ter até já tive, mas agora ando eu com o carro. Sou uma pessoa simples, sabe?
IDÁLIA - Ah, pois.
ZITA - Jinhos, jinhos.
« Home | Próximo »
| Próximo »
| Próximo »
| Próximo »
| Próximo »
| Próximo »
| Próximo »
| Próximo »
| Próximo »
| Próximo »


jorge vaz nande | homepage | del.icio.us | bloglines | facebook | e-mail | ligações |

Novembro 2003 Dezembro 2003 Janeiro 2004 Fevereiro 2004 Março 2004 Abril 2004 Maio 2004 Junho 2004 Julho 2004 Agosto 2004 Setembro 2004 Outubro 2004 Novembro 2004 Dezembro 2004 Janeiro 2005 Fevereiro 2005 Março 2005 Abril 2005 Maio 2005 Junho 2005 Julho 2005 Agosto 2005 Setembro 2005 Outubro 2005 Novembro 2005 Dezembro 2005 Janeiro 2006 Fevereiro 2006 Março 2006 Abril 2006 Maio 2006 Junho 2006 Julho 2006 Agosto 2006 Setembro 2006 Outubro 2006 Novembro 2006 Dezembro 2006 Janeiro 2007 Fevereiro 2007 Março 2007 Abril 2007 Maio 2007 Junho 2007 Julho 2007 Agosto 2007 Setembro 2007 Outubro 2007 Novembro 2007 Dezembro 2007 Janeiro 2008 Fevereiro 2008 Março 2008 Abril 2008 Maio 2008 Junho 2008 Julho 2008 Agosto 2008 Setembro 2008 Outubro 2008 Janeiro 2009 Fevereiro 2009 Março 2009 Maio 2009 Junho 2009 Julho 2009 Agosto 2009