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Os poemas antigos: Acertos Veniais, 10, 11 e 12

Muito trabalho nos últimos dias, muito nos dias que se avizinham, por isso, deixo-vos os últimos três Acertos Veniais. O primeiro é a minha tentativa de um poema livre, em escrita quase-automática, que fosse também próximo de odes triunfais e quejandos (na versão original, que não consigo transcrever para aqui, há setas a apontar para os versos "Puf! Descansem sem vontade!" e "Cambada, é clareirar pró comboio!"). O segundo é um soneto (o meu primeiro, também) em tom pseudo-místico, que se alarga ao terceiro poema, fundamentalmente uma experiência formal (quadras de três heptassílabos e um octossílabo).
10

Criação de um vazio grotesco de entranhas gargantuescas;
É o radical da minha esponja: uma espinha musguenta e andrajosa de verde podre,
Quebradiça com o nauseabundo que corre-me.
Quero tudo caído que faça crostas!
Facas, cavalos e ostras falidos nos rochedos da gaga...
Estoiro e sou tudo – impludo e sou.
Faço tudo de adeus!
Avanço sem querer frontal!
Talvez, ah ah, fazer-me abaixo de tectos secos, de madeira puída e estradas com vapores salgados.
Ou dobrar-me em estrangeirismos e abraçar o coriáceo de mim em pedaços pequeno?
Puf! Descansem sem vontade!
É tudo dorido, dorido... Agh, como dói saber coisas más,
Que são más só por doerem.
Mil caralhos abanicam em gargalhos à tua volta,
Mas
Nada mais
fazes
Para não os cambar.
Era mulher tropeçares em sapos magricelas,
Rainhas severas,
Carrancas esbolachadas com caninos coelhos
E cães entalados
em canis polposos.
Cambada, é clareirar pró comboio!
A espinha comicha – coço, coço, coço, ih, ih, ih, ih,
Ai, que já sou velho enterrado...
Fogo amarelo e verde - olha a janela, vês ou não?
Cadeiras castanhas sempre, ou a guerrilha ataca com todos os ches esqueletos – deglutidos, deglutidos!

Fodam-se os pés de areia polidora

Cru carreiro, crato em guerra, Afeganistães carneiros,
Cordas estranhas, caules insectos, cadências em tudo que
são-nos nada,
Donas e flores em sangue na cozinha...

Nuvens expulsas do meu fino dorso frio como coisa nenhuma.


11

Agir pelo pensar é enfadonho.
É tanto um abandono impessoal
Que é como pacificar-se num sonho,
Ocultar-se numa bruma mortal.

A vontade é as explosões orgânicas
De bodes desgrenhados que só querem
Rebolar-se em ocas fogueiras frânticas
E rir loucuras enquanto se ferem.

Os exageros de excessos maléficos
São excessos de más sobriedades;
Nós, os andantes pardos e caquécticos,

Descansamos, inúteis, em verdades
Conhecidas do que não nos lembramos,
Mas que nos brilham enquanto as amamos.


12

Há rodopios na lua.
Dançam pós vivos no sal.
Quando está a alma nua,
Faz uma estrela grande mal.

Acima de erva viçosa,
Unida ao vento sombrio,
Ela aparece, briosa,
Brincando na água dum rio.

Olha pra baixo a sorrir,
Desce e aguarda-me a mão.
Logo começa a fugir...
Arisca, travessa paixão!

Envolve-se na floresta
E ri, avivando o mundo;
Ressoam cordas de orquestra
Dalgum ignoto azul profundo.

Com lágrimas impossíveis,
Persigo a astral adorada,
Por risos incompreensíveis
E alegrias sublimada.

Afinal, encosta-se ela
A um tronco primordial.
Aparece-me tão bela...
Maldito o bem que faz tão mal!

Maldito? Não será assim...
Acerco-me, vagaroso,
Com vergonha desse fim
Tão consumido e desgostoso.

A estrela espera-me, queda,
Rindo sempre com alvura.
Mas eis que, ao abraçá-la,
Ela some-se – por ser pura.

Incauto, enlaço galhos
Que, ásperos, me acordam.
Na memória, grandes malhos
Tudo de nada me recordam,

E, levantando a cabeça,
Vejo a estrela e penso em Deus,
Que não deixa que eu mereça
O que me mira lá dos céus.

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