Este blog está encerrado.

O autor continua a publicar em http://jvnande.com.

Se quiser ler uma selecção de textos, clique aqui.

desabafo

Pela segunda vez, faço uma experiência pouco admitida: escrevo um conto de propósito para um concurso literário. É necessário que o conto verse um tema específico, mas eu não o conheço ou sequer entendo, por isso, limito-me a improvisar um enredo com momentos alusivos a ele. Seja como for, uma observação: ultimamente, não escrevo nada que não verse sobre a memória e a idade. Há sete anos, recordo-me perfeitamente de ter pensado que só escrevia sobre o paralelismo entre o saber e as coisas. Lembro-me também que, nessa altura, zanguei-me terrivelmente com os verbos ser e amar. Hoje, normalizei esse uso e passei a lutar contra os advérbios de modo e os adjectivos. Um dia, talvez consiga assassinar todo o léxico. Por agora, reparo que o enredo me tem saído naturalmente para uma história de amor, de encontros e desencontros tornados interessantes através da reorganização temporal. Curiosamente, tinha acontecido o mesmo da primeira vez em que escrevi um conto de propósito para um concurso. A diferença é que dessa vez conhecia perfeitamente o tema. Mas já começava então à procura do simples. Simplificar, simplificar o mais possível. No início, queria era fazer complicado, hermético, ilegível. Hoje, não. Escrevo para me entender e para que me entendam. Tenho um projecto, um livro com contos e uma pequena novela, à maneira, mas não ao estilo, dos "Los Funerales de La Mama Grande". Os contos estão quase acabados, precisam de correcção e reorganização, mas já passaram o ponto de não-retorno. A novela vem daqui , a concepção que tinha dela mudou, mas nunca perdi o texto ou a história, e isso importa-me muito. Quase tanto como encontrar um editor porreiro. Isso leva-me à frase (julgo que é do Godard) "quando se quer criar uma obra, o escritor senta-se a escrever, o pintor começa a pintar, o cineasta começa a fazer telefonemas" e penso que não é bem assim. Mas amanhã o trabalho é de manhã e eu ainda tenho de arrumar as horas.

0 Comentários:

Enviar um comentário

<< Home

« Home | Próximo »
| Próximo »
| Próximo »
| Próximo »
| Próximo »
| Próximo »
| Próximo »
| Próximo »
| Próximo »
| Próximo »


jorge vaz nande | homepage | del.icio.us | bloglines | facebook | e-mail | ligações |

Novembro 2003 Dezembro 2003 Janeiro 2004 Fevereiro 2004 Março 2004 Abril 2004 Maio 2004 Junho 2004 Julho 2004 Agosto 2004 Setembro 2004 Outubro 2004 Novembro 2004 Dezembro 2004 Janeiro 2005 Fevereiro 2005 Março 2005 Abril 2005 Maio 2005 Junho 2005 Julho 2005 Agosto 2005 Setembro 2005 Outubro 2005 Novembro 2005 Dezembro 2005 Janeiro 2006 Fevereiro 2006 Março 2006 Abril 2006 Maio 2006 Junho 2006 Julho 2006 Agosto 2006 Setembro 2006 Outubro 2006 Novembro 2006 Dezembro 2006 Janeiro 2007 Fevereiro 2007 Março 2007 Abril 2007 Maio 2007 Junho 2007 Julho 2007 Agosto 2007 Setembro 2007 Outubro 2007 Novembro 2007 Dezembro 2007 Janeiro 2008 Fevereiro 2008 Março 2008 Abril 2008 Maio 2008 Junho 2008 Julho 2008 Agosto 2008 Setembro 2008 Outubro 2008 Janeiro 2009 Fevereiro 2009 Março 2009 Maio 2009 Junho 2009 Julho 2009 Agosto 2009