Este blog está encerrado.

O autor continua a publicar em http://jvnande.com.

Se quiser ler uma selecção de textos, clique aqui.

katrina

No final descobrimos que nem tecnologia, nem engenharia, nem economia, nem artilharia, nem ideologia nos podem salvar.
Andei a reler os posts deste blog com um intuito: queria saber se tinha escrito alguma coisa sobre o tsunami no Índico quando este ocorreu. Como pensava, não escrevi nada, e lembro-me do porquê: na altura, estava demasiado perplexo pela intensidade do que via para poder exprimir qualquer ideia que fosse para além dessa mesma surpresa.

Mas o desastre que o Katrina está a provocar nos EUA tem algo mais. Primeiro, destruir Nova Orleães é também acabar com toda uma memória cultural (o nascimento do jazz) que hoje é comum a todo o mundo. Não afirmo que isto seja o mais importante, não sou nenhum maluco, mas sinto que, juntamente com tudo o que há de essencialmente humano no desastre (alimentação, habitação, saúde, os familiares em perigo, todas as situações-limite físicas e emocionais), há um património que se destrói, e esse património também é meu.

Por outro lado, e mais importante, o desamparo das populações durante estes dias (só hoje é que a ajuda do Governo Federal chegou à cidade) mostra que o Primeiro Mundo americano só funciona quando tudo está bem, porque, quando as coisas correm mal, é preciso andar a discutir quem é que tem a culpa e quem é que tem de ajudar primeiro. Foi dito, aliás, o mesmo do Estado-Providência. Afinal, talvez agir em prol dos outros seja uma incapacidade comum a toda a gente. Ou talvez Kanye West tenha razão e o W. não queira saber dos negros, não sei. O assunto está a ser debatido em profusão na blogosfera, mas a minha mãe não deixou de ficar chocada quando lhe disse que havia gente a morrer enquanto outros discutiam se há trezentos anos meia dúzia de sujeitos disseram ou não se se devia ajudar quem precisa. É certo que não devemos ilibar de culpas o governo estadual do Louisiana se as teve, mas porque é que o governo central dos EUA, que sempre desgostou tanto de conversas e de discutir o Direito antes de declarar guerras no exterior, não se calou mais cedo e enviou as tropas federais para o terreno?

0 Comentários:

Enviar um comentário

<< Home

« Home | Próximo »
| Próximo »
| Próximo »
| Próximo »
| Próximo »
| Próximo »
| Próximo »
| Próximo »
| Próximo »
| Próximo »


jorge vaz nande | homepage | del.icio.us | bloglines | facebook | e-mail | ligações |

Novembro 2003 Dezembro 2003 Janeiro 2004 Fevereiro 2004 Março 2004 Abril 2004 Maio 2004 Junho 2004 Julho 2004 Agosto 2004 Setembro 2004 Outubro 2004 Novembro 2004 Dezembro 2004 Janeiro 2005 Fevereiro 2005 Março 2005 Abril 2005 Maio 2005 Junho 2005 Julho 2005 Agosto 2005 Setembro 2005 Outubro 2005 Novembro 2005 Dezembro 2005 Janeiro 2006 Fevereiro 2006 Março 2006 Abril 2006 Maio 2006 Junho 2006 Julho 2006 Agosto 2006 Setembro 2006 Outubro 2006 Novembro 2006 Dezembro 2006 Janeiro 2007 Fevereiro 2007 Março 2007 Abril 2007 Maio 2007 Junho 2007 Julho 2007 Agosto 2007 Setembro 2007 Outubro 2007 Novembro 2007 Dezembro 2007 Janeiro 2008 Fevereiro 2008 Março 2008 Abril 2008 Maio 2008 Junho 2008 Julho 2008 Agosto 2008 Setembro 2008 Outubro 2008 Janeiro 2009 Fevereiro 2009 Março 2009 Maio 2009 Junho 2009 Julho 2009 Agosto 2009