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o cinema português

Parece-me que Pedro Mexia faz bem em denunciar as dicotomias minoria/maioria, alternativo/comercial e arte/indústria nos seus artigos de ontem e hoje no DN, mas é necessário racionalizar a relação que a ficção televisiva tem hoje com o cinema para evitarmos a dicotomia em que ele se deixa cair quando desabafa "será que "o cinema português" só vai agradar ao "público" quando se tornar num imenso Morangos com Açúcar?". É preciso compreender que a tomada do cinema pelos padrões narrativos televisivos ocorre ao nível formal e, na generalidade, esse é um nível que, salvaguardado um espaço de inteligibilidade pelo senso comum, não importa por demais ao público. "Alice" prova-o: está a ter público, está a dar-se bem nos jornais. Que interessa saber se é um filme fácil ou difícil? Parece-me antes que é, muito simplesmente, um tratamento artístico bem pensado de uma história com interesse humano, e este, sim, é o aspecto que importa. O público está acostumado a encontrá-lo (personagens com as quais se pode relacionar, dilemas que pode compreender, histórias que lhe estão próximas) em telenovelas e, por isso, prefere algo que se lhe apresente com a forma desse embrulho, porque lhe serve de garantia. "Alice", no entanto, foi-lhe apresentado como a história de um pai à procura da filha desaparecida e não defraudou as expectativas; por isso, o público assiste a "Alice". Cabe ao cineasta escolher com o que se deve preocupar. Um filme não é uma equação e, como se disse de Indiana Jones e os Salteadores da Arca Perdida, não se pode exigir a um parque de diversões que seja uma catedral.

3 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

já há muito tempo que não via um pensamento tão profundo: não se pode exigir a um parque de diversões que seja uma catedral. Muito bem Nande já estou a ver que já decidiste pensar em vez de ler muito e estudar muito. Vês como o pensar dá resultado.

5:28:00 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

Já alguma vez pensaste que aquilo de alcochete não resulta? Quem é que no seu bom pensar e que goste de cinema vai para o montijo ? Já algumas vez pensaste que não faz mal nenhum que o cinema pipoca desapareça ? Já alguma vez pensaste que a lógica capitalista até abre cinemas até em parques de estacionamento desregula o mercado? A ansia de tanto lucro acaba por engasgá-los. Não é preciso fazer grandes reflexões com o fecho dos cinemas. A fome no mundo é que é o verdadeiro problema. Agora não vamos chorar pelo fechar de cinemas de pipoca.

http://casa-de-meninas.blogspot.com

5:37:00 da tarde  
Blogger wasted blues disse...

Um comentário que nada tem a ver com o post...

Jorge Nande de Avanca? O que me contou a história da velha de Avanca ;)

11:04:00 da tarde  

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