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Só o consegui ver ontem (não passou em Coimbra?, se calhar, só no longínquo Girassolum...), mas antes tarde do que nunca.“The 25th Hour”, de Spike Lee, é um filme enorme que transforma situações quotidianas ou de forma já estandardizada em momentos originais que servem para definir o carácter das personagens, mesmo que sacrifique a verosimilhança (que é mais hábito do que adequação).

Tenho em mente os magistrais minutos em que os agentes da DEA descobrem droga em casa de Montgomery. Quem são aquelas pessoas? Porque não há logo uma bombástica cena de luta livre em que Montgomery assassine impiedosamente os malévolos agentes da autoridade que lhe vieram roubar a liberdade? Não a há porque não seria do carácter de Montgomery, que sempre fez o que fez e se tornou no que se tornou por vocação trágica, porque não poderia ser de outra maneira. O mundo actua na sua vida e ele está no mundo e as proporções em que cada um afecta o outro estão medidas sem hipóteses de alteração.

Ou seja, o filme, mais do que uma tragédia, é uma pós-tragédia. O desafio aos deuses foi feito, a felicidade enganadora existiu, a punição acorreu, e tudo isto é visto em flashback. Mas como se aceita o castigo, o que acontece depois? É nesta escolha do tempo dramático que o filme brilha, para além de na compreensão da narrativa como uma história dos conflitos entre pessoas (personagens? pessoas) antes de uma sucessão de factos no tempo. E tudo isto sem abandonar a temática de Nova Iorque (isto é uma história do dia-a-dia daquela cidade, entre muitas outras que se poderiam contar) e da Nova Iorque pós 11 de Setembro, tal como “Signs”, de Night Shyamalan, era um filme sobre a América (rural) do pós 11 de Setembro. Além do mais, e na minha modesta opinião, é o filme mais surpreendente de Spike Lee, aquele em que a mensagem (política), talvez porque não tão agressivamente mostrada, ganha mais força.

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