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o nande e a crise

Por causa dessa história de crise que serviu para alguém tomar fôlego na procura de um apocalipse diário e que enformará os trejeitos de contar as glórias do mundo nos meses que se seguem, andou tudo à minha volta a perceber exactamente o que vai acontecer. Tive, e continuo a ter, uma dose de peripécia no meio deste exercício de Nostradamus e, confesso, temo o momento de encarreirar no stress, mas a meteorologia está adversa e tremer de frio e de nervoso miudão ao mesmo tempo é remédio certo para o caixão.

Consultando "crise" no dicionário, é verdade que lá está a acepção económica de "rápida descida dos preços, do volume de produção ou dos rendimentos" ou a variante "crise de nervos/crise emotiva" enquanto a "descarga emotiva brusca que, na sua forma mais grave, é caracterizada por um sentimento de angústia seguido de tremores ou de rigidez muscular, de gritos ou de gemidos, e que termina por um acesso de soluços espasmódicos". Mas isto não foi nada que os DZRT não tivessem visto ainda dentro do seu prazo de consumo, e o que sabem os DZRT da vida? Ainda encontramos a definição "situação difícil do Governo, que o obriga a recompor-se ou a demitir-se", e lembramos que a queda do de Santana Lopes não precisou de uma casca de banana para ser bem divertida. Porque não havemos de rir hoje também? Talvez porque, segundo dizem, é a Esquerda que se tem de recompor enquanto o Governo faz cálculos e marca datas no calendário. Desse ponto de vista, o que temos não é crise, mas outra coisa qualquer (como este blog, aliás, que ganhou esse sufixo neste momento de crise). Ainda assim, o que me parece mais surpreendente é a definição mais próxima da etimologia grega: "alteração que sobrevém no curso de uma doença".

Assim, crise não é apanhar a gripe, mas recair. Não é torcer o pé, mas senti-lo doer quando vem chuva. Não é quebrarem-nos o coração, mas percebermos que não somos mais que nada por causa disso.

Para termos "crise", já tínhamos de estar doentes. Nada mal para momento de luzidez global, mas a porra da vida não pode ser só isto. Assim, proponho que, em vez de assassinarmos esta tal crise como hunos famintos, a acolhamos carinhosamente nos braços e a misturemos com corno de elefante - sim, corno de elefante. Obteremos então um resultado "criselefantino" - ou seja, "feito de ouro e marfim". Sei o que todos vós, economistas, membros do Governo, estão a pensar: e onde arranjar corno de elefante? Não há-de ser difícil - falem com o professor Karamba. Eu ajudava, mas sou ecologista.

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