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Há dias assim. Os filmes passaram por mim como um furacão, e todos na medida apropriada. Uma obra-prima, um filme de domingo à tarde para toda a família visto no domingo à tarde com toda a família, um pedaço de filme revisto para aguçar a curiosidade e um filme sentimentalão para poder falar mal de alguma coisa.



A obra-prima foi “As Férias do Sr Hulot”, de Jacques Tati. Nunca tinha visto Tati e, daquilo que tinha espreitado (ou seja, alguns segundos em televisionamentos), não conseguia perceber. Parecia-me distante. Hoje percebi. Deu para reler a crítica que Bazin fez à época, o que foi muito agradável, embora tenha sido necessário filtrá-la para o momento de agora: “Amarcord” ainda não tinha sido feito e, no que à avaliação da concepção do tempo diz respeito, isso interessa. E também compreendo porque foi esse o filme que inspirou Rowan Atkinson, o famoso Mr. Bean (embora eu prefira lembrá-lo como Black Adder), a criar a personagem. Tati consegue ser burlesco sem ser, como dizer, espalhafatoso; consegue criar a desordem sem caos; cria conflito (os gags baseiam-se sobretudo na revelação de impedimentos, provenham eles das pessoas ou dos objectos) sem que o choque resultante seja excessivamente bruto.
O que é mais espantoso é que a RTP anda a aproveitar-se de um concorrente gago no “Quem Quer Ser Milionário?” para fazer publicidade, e o homem tem tudo de Hulot.

(talvez haja quem pense que eu ligo demasiado às coincidências; de vez em quando, eu próprio penso isso; tudo vem de um artigo lido uma vez sobre Paul Auster)

Com a família foi “George da Selva”, com o Brendan Fraser e um macaco falante. Porque não? Macacos falantes na televisão nunca faltaram.
Curiosidade espicaçada com “A Irmandade do Anel”: espero que o novo Senhor dos Anéis espere por mim antes de sair de exibição em Coimbra.
“Favores em Cadeia” para acabar. Sim, eles são famosos; sim, eles são excelentes actores; sim, o filme dá lágrima no canto do olho (principalmente para quem, como eu, tem lágrima fácil). Não é muito mais do que exactamente isso, um filme suportado pelos tocantes Spacey, Hunt e Osment, mas, como não dá pretensão de querer ser mais do que é, não insulta.

anteontem também revi o final d' "A Vida é Bela", que vi pela primeira vez com os meus amigos, saídos todos da primeira frequência. E a música da banda sonora, que sempre me comoveu - raios para os italianos e as suas bandas sonoras -, parece-me agora uma música nossa ou das vidas de todos nós. Por isso, comove-me ainda mais.

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