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re-a-ver

O Boing Boing apresenta-nos uma banda de deathmetal com um papagaio como vocalista (mp3); já O Covil do Olifante fala-nos sobre tradução e a palavra "saudade".

Peter's Principle:

Ah, era este tipo de democracia!

Ou: de boas intenções está o inferno cheio.
O artigo de Teresa de Sousa no Público de hoje perde interesse, na medida em que a Comissão não visa a representação de interesses nacionais, muito menos na pessoa do seu presidente. Ganha interesse na medida em que Durão Barroso pode representar, enquanto titular do cargo de maior importância da União Europeia, um equilíbrio de forças que trave o avanço da força dos grandes perante os pequenos e médios países. Mas a subserviência que o ainda primeiro-ministro mostrou na cimeira atlântica e em tudo o que se seguiu revela alguém que prefere demasiado a negociação diplomática e o contorno de princípios.

É claro que encontro muita ironia no facto de o presidente de um partido que preferiu a publicidade ao Euro 2004 ao combate à abstenção nas eleições europeias ser chamado para um cargo destes. A questão que se coloca, obviamente, já não é se Durão deve ou não sair. O dado está adquirido. A questão é por quem e como deve ele ser substituído. A maioria parlamentar e a visão por Jorge Sampaio de uma forma de governo de cariz parlamentar impedirão as eleições antecipadas. Apesar de tudo, não é isto que me repugna. Eu, simplesmente, não quero Santana Lopes como meu primeiro-ministro. E presumo que quem votou Durão Barroso nas últimas eleições legislativas também não o quereria. Ao fim e ao cabo, o que acontecerá no fundo será a constituição de um governo que não teve legitimação pelo voto. Pressionar Jorge Sampaio às eleições antecipadas? Isso é fortalecer a posição presidencial e enfraquecer a posição do Parlamento - algo não muito democrático.

Pergunto-me se me sentiria tão indignado se a personalidade escolhida para próximo primeiro-ministro não fosse Santana Lopes. E quanto mais me sentiria se fosse Paulo Portas?
Eu também vi o jogo. Ao meu lado, na mesa do café, sentaram-se um indiano residente na Inglaterra, um espanhol e um alemão - todos a torcer pela selecção portuguesa. No fim, saltamos em alegria das cadeiras ao mesmo tempo. E, apesar de tudo, esta não é a minha Victoria.

P.s.: o melhor post em toda a blogosfera sobre o Euro 2004.

No dia em que Alan Turing faria 92 anos

(banda sonora: a UMass Drumline toca "Paranoid Android" - via Boing Boing)

Ver Britney Spears a perder a calma desta maneira não surpreende. Mas o Rei de Espanha?
Neste momento, Durão Barroso pode fazer uma de duas coisas, ficar ou partir. Se ficar, enfrentará a ira de todos os descontentes com o seu governo (e com o do Cds - colunas ligadas -, que é governo dentro do governo, tal como a Igreja é Estado dentro do Estado). Se partir, o governo deixa de ser dele, o descontentamento alastrar-se-á ao Psd e todo o Mal futuro ser-lhe-á apontado.

Se eu gostasse do Durão Barroso, tinha pena dele.
Yesterday I had a wonderful day. I did it. I made love. With Hillary. It was the first time in a long time. I have no idea what happened. We were both in the mood I guess. I was listening to a jazz record. All of a sudden she grabbed my hand, looked deep into my eyes and pulled me up slowly. She put her head on my shoulder, put her arms around me and she danced. I froze for a full minute. I had no idea what she wanted from me. She just wanted to snuggle. I guess I was randy too.


Sim, o Fleshbot descobriu um blog do Bill Clinton. Forjado, é claro.

Ainda assim, o Boing Boing diz que o Homem-Aranha também é indiano. E para isto não há forja nenhuma.
A passagem de Portugal à fase final do Euro representa, simultaneamente, a alegria pela superação de uma dificuldade e um esquecimento do declínio certo dessa alegria (que acontecerá, logicamente, mesmo depois de uma hipotética vitória na final do torneio).

Ao mesmo tempo, foi algo que se fez muito à portuguesa: a selecção deixou-se descansar no princípio das coisas, ou seja, permitiu-se criar uma oportunidade de lamentação posterior, mas, ao mesmo tempo, fez com que fosse essa a sua principal motivação para não se deixar perder dentro das suas próprias dúvidas e medos. Tal como eu, que, em vez de estar a estudar para o exame que vou fazer na sexta-feira, estou a escrever um post, o que me levará a ficar a estudar até mais tarde.

E, não sei porquê, acho que estes versos ficam muito bem aqui postos:
"I don’t need to fight
To prove I’m right
I don´t need to be forgiven"

largura de banda

Para se ver que a publicidade (também por causa da internet) está a colocar questões muito interessantes, filosóficas (ler artigo), de revisão da cultura popular e de redefinição dos formatos a que está tradicionalmente associada.
Estava ansioso por conhecer Possidónio Cachapa, mas um resfriado galopante leva-me a cancelar a inscrição para a Script Run. Fica para a próxima, Possidónio.

meanings of life

Uma constipação neste calor pré-Verão é algo de muito incómodo. Especialmente incómodo para mim, que detesto quer o calor, quer a asfixia. Curiosamente, antes do filme, encontro a namorada de um amigo, que, surpreendida, diz que eu e ele devemos ser mesmo almas gémeas, já que também ele está constipado. Seja como for, caro Sérgio, é reconfortante ver que ainda há quem acredite.
O primeiro jogo do Euro 2004, na medida em que faz prever uma prestação não tão boa da selecção nacional, tem algo em comum com a morte de Sousa Franco: faz-nos pensar sobre o modo como estamos a fazer as coisas em Portugal ("Se a sua morte puder contribuir para se pensar de novo as formas de fazer política em Portugal, será mais uma das contribuições cívicas que deu ao país na sua carreira pública, diz Pacheco Pereira no artigo que, receoso de ver devorado pela pressa carnívora de nova informação, transpus para aqui).

tempos, confessei o meu espanto por uma carta de aparência muito formal que me foi enviada pelo Ministro-Adjunto e que eu, erroneamente, tomei por um aviso para as eleições quando, na verdade, era uma convocatória para me portar bem durante o Euro (um pequeno apontamento: pode-se confiar em governantes que se sentem na necessidade moral de assegurar a confiança dos governados?). Alguns dias depois, recebi um panfleto colorido que me informava do dever cívico no dia 13. Uma carta formal para o Euro, um panfleto colorido para votar. Não está bem.

Há semanas (meses?...) que me é atirada às toneladas para os olhos, dentro e fora de casa, publicidade com intervenientes do Euro. Os jogadores são-me apresentados como figuras nacionais ao mesmo tempo que correm, saltitam ou fazem caretas em cartazes e na televisão. O país é representado com um relvado gigante a cobrir as praias e avenidas. As pessoas sorriem.

Na Comunicolândia, tudo era alegre. Tudo estava a ser preparado para uma caminhada triunfal até ao pódio da glória que nos foi negado no último campeonato europeu pelos irredutíveis gauleses e que o punho de João Pinto e os alhos de António Oliveira assassinaram de violência e mau cheiro no mundial da Coreia. Havia bandeiras portuguesas nas varandas, dadas por jornais e quase oferecidas por hipermercados que nunca se lembrariam da bandeira nem que ela caísse do céu para lhes cobrir as carecas.

Eis que, de repente e sem que ninguém o previsse, uns gregos determinados e de defesa sólida marcaram golo. E o país, disse-se no Telejornal da RTP, "gelou ao sétimo minuto" para, diria eu, acabar o jogo partido no chão como o Exterminador de Robert Patrick.

Introduzo agora aqui uma conversa que tive há dias com alguém numa esplanada de Coimbra. O dia estava calmo e quente, passavam poucos carros, as pessoas conversavam. Esse alguém disse que do Rock In Rio, maior acontecimento musical de sempre em Portugal, não nos tinha chegado nada. O evento mais comunicado do ano até o futebol chegar (através da publicidade e da oferta massiva de bilhetes) não se repercutia até Coimbra - ou seja, metade da sua dimensão era criada na Comunicolândia. Exemplo: a organização confessou, dias antes do início do festival, que a venda de bilhetes, que ela pretendia luciferiana, acabou por ficar reduzida a um terço do previsto.

Agora podemos todos perguntarmo-nos quanto do levantamento de alegria da Nação existiria realmente e quanto não seria fabricação em ondas electromagnéticas. Tenho a convicção de que estamos divididos em meia-dúzia de fanáticos (ainda assim, com graus variáveis de consciência), uma grande percentagem de pessoas mais ou menos bem-dispostas que só querem divertir-se um pouco e um número de indiferentes suficiente para ultrapassar o de fanáticos (a não ser no fanatismo). A esperança do bom sucesso da selecção não existe enquanto acontecimento, foi criado na Comunicolândia através de uma estratégia de empolamento das vitórias certas sobre selecções mais fracas, como a do Luxemburgo e a da Lituânia, e de menorização das más experiências da Itália e, até certo ponto, da Suécia.

Esteve realmente o país "unido" a favor da selecção, o desígnio patriótico foi assim tão patriótico? E hoje, a tristeza é assim tão triste e imperativa? São duas da manhã e não oiço choros no meio da noite. Por isso, à esperança de Pacheco Pereira de que a morte de Sousa Franco renove a forma de fazer política em Portugal (ao fim e ao cabo, o que implica ela senão um dever de vergonha para o caciquismo local?), junto a de que este jogo, independentemente daquilo que estiver para vir, faça as pessoas parar e pensar naquilo que as merece. Porque, ao fim e ao cabo, aquilo que não as merecer não vale a pena.
Lembro-me de, uma vez, ter de dizer algo de que gostasse muito e de a palavra "imagens" me ter saído quase impensada. Ora, isto é uma selecção de 30.000 imagens oriundas das colecções do British Science Museum, do British National Railway Museum e do British National Museum of Photography, Film and Television. E isto é o que há para ver quando lá se procura a palavra "peste" (em inglês, é óbvio, senhoras e senhores).

(via hebig.org/blog)
E para terminar por hoje: um guia para um uso crítico da Internet (via rebecca's pocket); uma análise sobre o Homo interneticus (via Boing Boing); um guia de melhoramento de escrita jornalística (via Ponto Media).

dias de não viver

With his devotion to tax cuts but not necessarily spending cuts, Reagan made it politically fashionable to put the personal good ahead of the common good. It remains that way today. His photo-op presidency also idealized the notion that Americans need to feel good rather than actually do good.


Ultimamente, a Morte tem-se lentamente tornado tópico de comunicação social. Há não muito tempo, Fehér, Bruno Baião, Nick Berg. Nos últimos dias, Ronald Reagan, Sousa Franco, Lino de Carvalho, Ray Charles. Ao contrário de dois terços do que se fala sobre o Euro, a morte (mais do que o nascimento, diria) é verdadeira notícia. Marca uma fronteira, deixa legados, obriga à arrumação do Tempo pelos que cá ficam. É por esse aspecto que esta e esta reflexões, que procuram despertar da tendência para a deificação da figura pública morta (no caso, Reagan), têm um grande interesse.

E para quem quiser ler ainda mais sobre a morte de Reagan: a comparação de Paul Street entre a presidência dele e a de George W.; um site satírico que, de repente, ganhou toda uma nova leitura (via Boing Boing).

bater no molhado

Junte-se isto a isto e pense-se sobre se será ainda possível crer na Administração do país mais poderoso do mundo. O dossier em causa está aqui.

(via rebecca's pocket)

A PESTE combate a abstenção

Para quem quiser decidir melhor o seu sentido de voto, aqui ficam os links para os manifestos eleitorais (programas?, quais programas?...) do Be, Cdu, Pnd, Ps e da Coligação Força Portugal.

dedo para a música

Combater a troca de ficheiros através das nossas impressões digitais? Pois é...

entre ontem e hoje

P. - O tempo que o Jordão jogou em Espanha no Zaragoza, recordado à distância de alguns anos, foi positivo?
R. - É sempre positiva uma experiência dessas, mesmo quando foi só negativa.

in "Retratos Falados", de Fernando Assis Pacheco.

Agora, Bush trata Chirac pelo seu nome próprio, e até diz que "Jacques" pode visitar o seu rancho se lhe apetecer:"Se ele quiser ver vacas, será bem vindo para vir ver vacas".
in Público de 6 de Junho de 2004.

"La Mala Educación"

Devo confessar que, desde "La Ley del Deseo", não me lembro de ver um filme de Almodóvar tão distintamente homo-sexual, o que não deixa de ser curioso, pois, tanto num como noutro, um dos ângulos dos triângulos de relações que se vão formando é um realizador de cinema. É claro que, ao contrário do que as revistas e os jornais da especialidade têm vindo a dizer desde que se soube que Gael García Bernal ia começar uma colaboração com o realizador espanhol, o interesse principal do filme não é a transformação de Che em Sara Montiel, mas sim o jogo de espelhos que se cria entre o Almodóvar real e o Almodóvar representado que é a personagem de Enrique Goded. É também estimulante assistir, mais uma vez, à visão do renascimento do passado "kitsch" (de Espanha) num presente (ou passado que para todos os efeitos o é) de travestis, transexuais e toxidependentes. Enfim, como com Woody Allen, já se sabe o que se vai ver quando se vai ver Almodóvar, e, ao mesmo tempo, estamos sempre tão perdidos como as personagens.

(e, já agora, vejam aqui as belíssimas fotografias de cena)

quem quer um inverno instantâneo?

É por coisas como esta que (ainda) o Boing Boing se diz "A Directory of Wonderful Things".

links (ou ser blog para Rebecca Blood ver)

Não conhecia o Urban Legends, que dá conta das mais recentes pequenas fraudes entre colegas cibernautas e que chega a fazer um top semanal das mesmas. Também é caso para mostrar o Defamer para que dele faça uso quem tiver sentido de humor.

(via Boing Boing)

P.S. Falta o Ciberdúvidas, que me tenho esquecido de pôr na barra lateral (para ligação rápida) e que é o instrumento mais valioso que a Internet nos deu para resolver dúvidas de Português.

A Carta

Ontem à noite, antes de entrar em casa, abri a caixa do correio. Havia uma publicidade ao Continente e uma carta do Ministro Adjunto do Primeiro-Ministro. Ao entrar em casa, deitei fora a publicidade do Continente e comecei, emocionado, a abrir a carta do Ministro: que bem, pensei, o Governo quer combater a abstenção nas eleições - o Governo envia cartas às pessoas, gasta dinheiro em impressões a cor e custos postais (será que gasta?), tudo para que ninguém falte e sejamos um exemplo por toda a Europa.

Talvez seja melhor dizer que isto era aquilo de que eu tinha esperança que a carta dissesse, não aquilo que esperava que dissesse.

Depois li a carta, a carta dizia e eu mandei-a fazer companhia à do Continente.
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